A guerra paulistana

Carlos Chagas

Nenhuma disputa pelas prefeituras das capitais desperta mais atenção que a de São Paulo. Os mentores dos prováveis candidatos anteciparam a fixação de quase todos. Fernando Haddad foi lançado durante a semana, pelo PT, depois da ordem unida que o ex-presidente Lula deu no partido, com o apoio da presidente Dilma. Difícil não foi, apesar de traumático e até meio truculento, pela imposição feita pelo primeiro-companheiro de um nome desconhecido na política paulistana. O Lula peitou Marta Suplicy, Eduardo Suplicy, Jilmar Tatto e Carlos Zarattini, humilhando-os e exigindo a não realização de prévias. Fez com que cada pré-candidato se curvasse à sua vontade.

Está correndo um risco, baseado na suposição de poder eleger um poste. Afinal, o ainda ministro da Educação é um desconhecido do eleitorado, carece de carisma e não deve saber o nome de 20 por cento dos integrantes do diretório municipal petista. Como a vontade do rei é indiscutível, vão para a aventura.

O vice-presidente Michel Temer rebateu na hora. Com todo jeito, avisou o ex-presidente que o PMDB lançará candidato próprio, no caso, Gabriel Chalita. Cortou no nascedouro a proposta de seu candidato formar aliança com o PT, como vice-prefeito.

O atual prefeito Gilberto Kassab luta para fazer de Guilherme Afif o indicado pelo recém-criado PSD, tomando cuidado para situar o novo partido como linha auxiliar do governo federal. Caso consiga emplacar o empresário, terá avançado passo significativo na disputa pelo governo estadual, em 2014, ou até sedimentado a base para a sucessão presidencial, quando poderia ser o candidato à vice-presidência da República numa chapa encabeçada pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos, do PSB.

A grande incógnita esconde-se no ninho dos tucanos. José Aníbal saiu na frente, existem competidores, mas, para entrar na corrida ocupando a pole-position, o nome é José Serra. O ex-governador jura que não vai disputar, ainda que seu juramento pareça, hoje, menos vigoroso do que ontem. Sabe dos resultados das sondagens reservadas que diversos institutos tem realizado para diversos partidos e recebe conselhos variados a respeito do mote popular de que “mais vale um pássaro na mão do que dois voando”.

Gostaria de pleitear pela terceira vez o palácio do Planalto, mas permanecendo sem mandato até lá, desconfia de que poderá faltar-lhe chão. Até porque, já abandonou a prefeitura de São Paulo uma vez, no meio de seu período administrativo, precisamente para concorrer à presidência da República. Poderia repetir a dose.

Em favor de sua candidatura a prefeito estão o governador Geraldo Alckmin, de olho na reeleição para o palácio dos Bandeirantes, o senador Aécio Neves, candidatíssimo a presidente da República, e até o ex-presidente Fernando Henrique, por motivos desconhecidos.

Movimentam-se outros candidatos a prefeito, mas tem um que olha para o horizonte, faz cara de paisagem e nem quer ouvir falar da hipótese, mas surpreendentemente é o segundo colocado nas tomadas informais de opinião: por incrível que pareça, o deputado Tiririca, em quem montes de paulistanos votariam em sinal de protesto, para ver se pior não fica.

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CONTA OUTRA

Corre em Brasília que na visita feita pela presidente Dilma ao ex-presidente Lula, sexta-feira, nem uma vez foi referido o nome do ministro Carlos Lupi. Ainda que submetido a delicado tratamento de saúde, o Lula jamais deixará de ser um animal político. Dificilmente essa versão será verdadeira, ainda que sobre o conteúdo da conversa ninguém ouse especular. Para efeito externo, os dois apóiam o ministro do Trabalho em sua ânsia de permanecer ministro. Na intimidade, porém…

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