A Histria exige explicaes

Carlso Chagas

Acima e alm da prescrio que j deve ter ocorrido com o crime de aliciamento para assassinato, fica evidente no poder passar em branco a denncia feita pelo general Newton Cruz, em recente programa de televiso, a respeito da visita que lhe fez Paulo Maluf, pedindo-lhe providenciar a morte de Tancredo Neves. So desvos da crnica poltica nacional que, quando menos se espera, aparecem.

No comeo de 1985 o general Newton Cruz era comandante militar do Planalto. Contou que num sbado pela manh jogava peteca com amigos, em sua residncia, quando o ento candidato presidencial apareceu. Recebeu-o e ouviu que o pas no poderia cair nas mos da oposio, chefiada por Tancredo. quela altura, estava claro que Maluf seria derrotado no Colgio Eleitoral. A nica soluo, para o visitante, seria os militares darem sumio no ex-governador de Minas.

O general conta que ouviu a proposta e imediatamente pediu que Paulo Maluf se retirasse. Acrescentamos que, correta ou no a verso, 25 anos depois, a verdade que a assessoria de Tancredo providenciou minucioso plano de retirada do candidato de Braslia, por estradas de terra no entorno da capital federal, para chegar a um pequeno aeroporto onde um teco-teco permaneceu muitos dias de planto, com piloto e tudo o mais, pronto para voar para Minas.

O episdio precisa ser elucidado. Paulo Maluf tem que dar sua explicao, inclusive por que, depois, tentou processar o general Newton Cruz. A Histria exige.

Proibido fumar em todo o territrio nacional?

Na recente entrevista de Jos Serra Jovem Pan, uma pergunta gerou sonora gargalhada do candidato, mas sem a consequente negativa que seria natural. Ele foi indagado se, caso eleito, um de seus primeiros decretos seria proibir o cigarro em todo o territrio nacional. Riu, para depois alinhar as medidas que tomou ao longo dos anos contra o fumo: ministro da Sade, obrigou as fbricas de cigarro a estamparem nos maos horrorosas fotografias de mutilados, com a indicao do fumo como causa. Proibiu que se fumasse no prdio do ministrio. Estendeu a proibio aos avies comerciais. Como governador de So Paulo, patrocinou legislao banindo o cigarro de todos os recintos fechados, pblicos ou privados. Conseguiu que o pas inteiro adotasse a restrio.

No parece fora de propsito que, eleito presidente da Repblica, Serra continue a puritana cruzada em defesa da sade da populao. Com todo o respeito, porm, vai uma observao: para obter rpido o resultado final, no seria prefervel proibir a existncia de fbricas de cigarro em todo o Brasil? Punir o comrcio e at o cultivo do fumo? Haver coragem?

Exageros

Que Dilma Rousseff vem escorregando em seus improvisos e entrevistas, no haver que negar, tornando-se desnecessrio repetir as impropriedades por ela exaradas com relao s eleies no Rio e em Minas, alm de crticas feitas aos exilados do regime militar.

Convenhamos, porm, que seus adversrios esto exagerando, na mdia e fora dela. Nem tudo o que a candidata fala deve ser recebido com m-f e ironia. Por exemplo: foi ao Cear, na segunda-feira. Acusaram-na de no ter convidado Ciro Gomes.

Aqui para ns, no poderia nem deveria. Ciro insiste em que ser candidato ao palcio do Planalto. Como, ento, no papel de sua concorrente, Dilma deveria inclu-lo em sua comitiva? Seria, mais do que provoc-lo, ofend-lo.

bom procurar as razes dessas crticas descabidas no prprio Cear. Quem manda l o senador Tasso Jereissati, adversrio ferrenho do Lula, de Dilma e do governo. E ntimo amigo de Ciro Gomes. Como as eleies para o Senado andam difceis no estado, parece que vale tudo.

Abril vermelho

Recrudesce o MST, tentando pintar de vermelho o corrente ms de abril, como aconteceu em outros. Fica at difcil entender porque a escolha, entre outras onze que poderiam ter sido definidas. O diabo que o movimento dos sem-terra, de maior fenmeno poltico acontecido no Brasil em muitas dcadas, caminha clere para transformar-se num partido sectrio. Invadir usinas e propriedades improdutivas, no Nordeste, faz parte do jogo, mas edifcios urbanos do Incra e outras reparties, como no interior de So Paulo, alm de incuo, burrice. Apenas um convite a que a polcia tente reconquistar prprios do estado, gerando confrontos e conflitos.

Alis, a respeito do MST, seria bom que algum veculo de comunicao fizesse ao lder Joo Pedro Stdile a pergunta que no quer calar: acha que o presidente Lula cumpre suas promessas de campanha e realiza uma verdadeira reforma agrria no pas? Ou vai ficar devendo horrores, quando deixar o poder?

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