A história não deveria se repetir…

O autor deste texto atua na internet (brigadeirogabriel.blogspot.com) e se assina simplesmente como “Professor Gabriel”. Não é difícil identificá-lo, pois sabe-se que é especialista em Psicopatologia, Relação Médico-Paciente e Planejamento e Gestão em Saúde. Foi o idealizador do Modelo de Responsabilização em Saúde. Brigadeiro médico, ex-diretor do Hospital das Forças Armadas, HFAB e CEMAL. Tem três livros editados.

Depois de me formar em Medicina, tive a honra, a competência e a satisfação de me tornar militar. Nas minhas veias e no meu livre pensar, paralelamente, sempre correu o sangue social-democrata, nada comunista, deixo bem claro, nem dessa democracia representativa que tem do povo só o voto.

Só acredito e defendo uma democracia participativa, aquela que divide a responsabilidade, aumenta o controle e mobiliza para o bem comum. O Modelo de Responsabilização em Saúde, o que de melhor fiz na vida, prova a coerência do meu discurso.

O militarismo, profissão para a guerra, traz no autoritarismo a obediência para o combate, porém essa cultura compreensiva para o combate tem prevalecido também na maior parte das decisões estratégicas, reduzindo a eficácia profissional, pois impede o clarear dos erros, dificulta novas soluções e não propicia controles justos. “Manda quem pode, nem sempre quem sabe e obedece quem tem juízo”.

A história do Brasil registra um poder político cíclico, entre civis e militares. A mudança de mãos, que nunca deveria existir e que ocorre sempre com apoio popular, advém do vazio de princípios democráticos confiáveis, de uma mídia acusadora, vendedora, mas pouco esclarecedora, e da falta de freio quando a coisa desanda, de uma justiça independente e justa.

Há uma evidente paranóia do poder político militar, na cabeça dos políticos civis e um superdimensionamento do nacionalismo político-militar, na cabeça dos militares, ambos sem óculos e sem transparências, contando com a parceria de um povo que não tem instrumentos capazes de modificar a “imensa quadrilha articulada“ e que raramente faz “justiça com as próprias mãos”.

Nesse cenário de desconfiança e corrupção repetitiva, há a estagnação dos reais objetivos profissionais militares, o que é perigoso para um Brasil que quer crescer mais do que financeiramente.

O orgulho militar de participações heróicas em guerras antigas e do bloqueio de um comunismo perigoso se diluiu com um tempo exagerado de permanência no poder, sem que nunca se tenha ouvido um “mea culpa”, num silêncio militar que confunde tanto quanto um ministro civil fardado…

A crítica, de quem ama o que vestiu é quase sempre desconversada por conservadores cegos, que por conveniência interessada não suportam idéias, ideais e a evolução participativa.

Falta um discurso profissional aos militares, honradez aos políticos e honestidade de propósitos à justiça. A estrada está interrompida, cheia de painéis de moedas, medos, votos e medalhas.

A história não deveria se repetir…

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