A hora da união nacional

Carlos Chagas

A quem interessa o rebaixamento da Petrobras e mais um monte de empresas brasileiras? Terá sido exclusivamente por conta da roubalheira promovida na estatal pelo PT, PMDB, PP e outros partidos, agora objeto das investigações da Operação Lava Jato? É bom prestar atenção, porque os investimentos externos que começam a fugir de nossa economia não tomam o rumo das profundezas nem da estratosfera. Simplesmente vão para outros países. Claro que parte da culpa é nossa, melhor dizendo, de nossos políticos e de nosso governo. Esgota-se assim a equação?

Nem pensar. Tem azeitona nessa empada.  Os recursos que começam a deixar nossas empresas, ou que nem chegarão, ganham logo outros mercados. Não será apenas pela lambança promovida por meliantes nacionais, cujas atividades escandalizam o mundo. Existem grupos interessados nessa operação de transferência, de olho em vultosas comissões e na reaplicação de seus ativos. Se estamos perdendo, alguém está ganhando. A desclassificação, primeiro do Brasil, depois de nossas estatais e demais empresas, rende dividendos fabulosos para especuladores, ainda que resulte em sérios prejuízos para nós.

DESCLASSIFICAÇÃO

Standard & Poor’s e outras arapucas aproveitaram-se da ação das quadrilhas que ocuparam a política e até o governo brasileiro, mas encontram-se a serviço de interesses bem maiores. Tem gente faturando bilhões com a desclassificação, vale repetir, em parte acertada em função do desvio e do superfaturamento de obras e serviços verificados na Petrobras e alhures,   ainda que iniciativa fajuta porque voltada para objetivos bem maiores.

Fazer o quê? Não dá para concordar com o Lula, sobre ser irrelevante a queda de patamar, muito menos aceitar o diagnóstico da S&P, de que a revisão da nota depende exclusivamente da situação política. Mesmo que a Operação Lava Jato se encerrasse hoje, com a condenação e a prisão de todos os ladrões, por um milagre da Justiça, o país permaneceria na situação do paciente que, em plena sala de cirurgia, assiste dois médicos discutirem à sua volta se devem operá-lo no cérebro ou no coração. E sob a vistas da Cirurgiã-Chefe, que perdeu o bisturi.

LEMBRANDO ITAMAR

É sempre bom lembrar que Itamar Franco, na primeira manhã em que despachou no palácio do Planalto, mandou chamar os líderes e dirigentes de todos os partidos. Só o Lula não foi. O novo presidente deixou claro: se não tivesse o apoio de todos para um ministério de união nacional, renunciaria.  Não precisou. Da redemocratização para cá, foi o melhor governo  que tivemos. A hora seria de união nacional para a defesa de nossos interesses.  Sem achar irrelevante a desclassificação, valeria à pena ver o hospital sob nova direção, promovendo logo a cirurgia e proibindo a entrada de curandeiros empenhados em manipular maus vaticínios para receber bons lucros.

PROCURA-SE UM SUBSTITUTO

Ontem, avolumaram-se as especulações sobre estar próxima a substituição de Aloizio Mercadante na chefia da Casa Civil.  Atribuía-se a ele o envio ao Congresso de um orçamento deficitário. O diabo é que se Jaques Wagner for convocado, corre o risco de ser o mais do mesmo, por carregar o peso de pertencer ao PT, ainda que do lado bom. Para a presidente Dilma escapar da defenestração, tem de ser alguém de fora, capaz de reger a orquestra com batuta e partituras novas.

5 thoughts on “A hora da união nacional

  1. Quando menos se espera, seu Chagas nos surpreende. Quando, como, onde, seu Chagas, a organização criminosa que nos assola, humilha e ofende tem um “lado bom”? PelamordeDeus, seu Chagas! O sr. escreve só pra idiotas, só pra bandidos ou pra ambos?

  2. Governista enrustido. Como dizia Marina Silva, nas eleições, este governo ganhou perdendo e a nova direção que o Sr. Carlos Chagas menciona, não pode ser um novo espécime da mesma fauna. Aliás, se o Brasil fosse governado por um cacique xavante e tivesse como chefe da casa civil um pajé mudo estaria em muito melhor situação atualmente.

  3. Dinheirama jogada no ralo
    É uma dinheirama jogada no ralo: auditores da Receita Federal fizeram um cálculo e chegaram a conclusão de que desde de 2011, o governo de Dilma Rousseff concedeu R$ 458 bilhões em desonerações fiscais, sem nenhum retorno efetivo para a população brasileira. A indústria automotiva, por exemplo, uma das mais beneficiadas, é a que mais demitiu nesse período, ao lado dos bancos.

    Os políticos só fazem o que fazem por que o povo que o elege deixa que eles não laborem para seu sustento e que ajam como políticos profissionais.
    Exemplo: Deputados e senadores que largaram a universidade para ser um político profissional (o Pixuleco rende muito mais do que ganhariam como formados e além disso teriam que trabalhar).

    Resumindo:

    “Cada povo tem o governo que merece!”
    Conde Joseph-Marie de Maistre (Savoia, 1 de Abril de 1753 — 26 de Fevereiro de 1821) escritor, filósofo, diplomata e advogado.

  4. Chagas, se formos aceitar sua teoria de que a desclassificação é para transferir os investimentos para outros países, e por isso tem gente ganhando milhões com ela, teríamos que aceitar também que quando o Brasil obteve a classificação as agências agiram contrariamente aos mesmos interesses que hoje estariam sendo beneficiados com a desclassificação.
    O capital internacional quer aplicar sempre onde tenha maiores retornos e mais segurança; somente para isso é que prestam atenção nas classificações das agências. E se as agências agissem para beneficiar deliberadamente um ou outro local, em pouco tempo seriam liquidadas pelos donos do dinheiro, que se sentiriam prejudicados.
    Deixe para lá as teorias de conspiração. O Brasil e suas empresas foram desclassificados pela interpretação (bem ou mal fundamentada) de que a sua situação econômica e política já é demasiado arriscada para que mereçam a preferência dos investidores. Quando consertarem isso, e somente quando o fizerem, a classificação tornará a subir.

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