A hora do resto na sucessão

Carla Kreefft

A campanha presidencial para a eleição do ano que vem está lançada. Com muita antecedência, PT e PSDB se preparam para fazer um velho duelo. Eles vão disputar nas urnas qual projeto para o país é o desejado pela sociedade brasileira. Já para o eleitor, o processo de 2014 não deve ter muita novidade. Pelos discursos realizados pelos petistas, que comemoram 10 anos de governo federal, e pelo pronunciamento em plenário do senador mineiro Aécio Neves, é possível perceber que as campanhas devem ficar no “mais do mesmo”.

As comparações entre as administrações dos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva serão inevitáveis. Os ataques aos pontos fracassados de cada uma das gestões também deverão ser recorrentes. Mensalão e privatização ainda deverão ser alvos dos debates.

De um lado, o PSDB deve colocar a corrupção na pauta e se utilizar das condenações de petistas pelo Supremo Tribunal Federal para mostrar como o PT trata a ética na prática. Os tucanos ainda devem fazer o discurso do inchaço da máquina administrativa com o objetivo de abrigar os “companheiros” e, para fazer o contraponto, vão dizer que, no projeto deles, a diretriz é a meritocracia.

Os petistas vão falar da falta de sensibilidade social do PSDB, da entrega do patrimônio público à iniciativa privada e do apagão de energia e vão mostrar o Bolsa Família, o Programa de Aceleração do Crescimento e o Minha Casa Minha Vida.

NADA DE NOVO

Na verdade, nenhum dos dois lados conseguiu, até o momento, criar algo que possa ser um diferencial de campanha. Sem diferenças, a situação, no primeiro momento, fica mais favorável para quem já está no poder. Mas é bom levar em conta que o desgaste de quem já comanda o país e o cansaço e a preguiça do eleitor em relação ao que já é conhecido representam pontos negativos para quem tenta a reeleição. Diante dessa situação, o risco é a campanha tender para uma disputa personalista. Dilma Rousseff e Aécio Neves poderão ser levados a fazer um teste de credibilidade e de habilidade, o que não é bom para eles nem para o eleitor.

Uma guerra entre o que é certo e o que é errado, característica de uma eleição polarizada, deixa para trás todo o resto. Nada é tão bom que não possa melhorar, e, da mesma forma, nada é tão ruim que não possa piorar. Assim, as comparações dos desempenhos anteriores podem não ser suficientes para determinar o que será melhor no futuro.

O eleitor anseia por mais. Ele quer todo o resto que existe para além do certo e do errado, segundo as cartilhas tucana e petista. Se a vida anda boa, de forma geral, para o brasileiro, ela pode ser melhor ainda. E o cidadão quer saber quem será capaz de torná-la melhor.

(transcrito do jornal O Tempo)

 

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