A ignorância, violência e incompetência promoveram a blogueira cubana. Poderia ter passado sem tanta repercussão. A “lógica da reeleição” de Aécio e a estratégia de Lula.

Helio Fernandes

Yoani Sánchez deveria ter sido seguida apenas pelos que admiram a sua luta pela liberdade, a bravura de combater um regime inteiro. Mas não precisava ser perseguida e promovida idiotamente e oficialmente por representantes do próprio regime agonizante. Nem podem negar ou se arrepender da burrice que praticaram.

A participação do próprio embaixador de Cuba no Brasil é irrefutável. Seu país ficou em situação tão difícil que já anunciam que será substituído. E o caso não assumiu aspectos muito mais graves por causa da silenciosa cumplicidade do governo brasileiro.

Nem falo da ausência do chanceler Patriota, é público e notório que ele não tem nenhuma autonomia de voo. Se o jornalista Carlos Monforte (da GloboNews) não servisse diariamente de porta-voz, o Itamarati deixaria de existir. Monforte cumpre sua obrigação jornalística, ocupa o espaço que a diplomacia deixou inteiramente vazio.

Quanto à blogueira, aproveitou muito bem os palanques que montaram para ela. Não pelos admiradores e sim pelos perseguidores-ditadores. Ela mostrou que não é simplesmente uma redesenhadora de notas sem maior alcance. Quando pode debater e não apenas se defender, mostrou cultura, conhecimento, profundidade.

Entrevistada de forma não estática pelo sociólogo-historiador Demetrio Magnoli, foi uma surpresa completa para os que não a conheciam. O próprio entrevistador, que não é um convocado às pressas para mostrá-la, exibiu toda a sua satisfação em conhecê-la.

Sánchez colocou conhecimentos e posições com notável facilidade, e um desembaraço formidável. Ela fica devendo essa oportunidade aos idiotas que a perseguiam. Sem falar que, se não houvesse a perseguição oficial, não teria recebido a ampla cobertura que recebeu. De jornais, televisões, redes sociais. Raúl Castro disse, “está na hora de eu me aposentar”. Está mesmo, não estou aqui para desmentir ninguém.

A CRUELDADE ELEITORAL
DE LULA COM TEMER

Há quase um mês, o ex-presidente fez a proposta pública: Temer deixaria a vice-presidência e a possibilidade de tentar a reeleição, e disputaria o governo de São Paulo. Temer ficou revoltado, ou melhor, desesperado, e se queixou com Dona Dilma. O que não adiantou nada. Como Lula voltou ao assunto, parece estratégia e não obsessão.

A insistência de Lula mostra que ele tem um objetivo, explícito e implícito: quer trocar Temer por Eduardo Campos. Para qualquer um seria sedutor disputar o segundo cargo em importância na República. Menos para Temer, que não tem votos nem para deputado, quanto mais para governador. Prefere ficar no cargo atual, que, como se diz, “está a uma batida do coração da presidência”. E na República, vices que assumiram, quase tantos quanto os eleitos.

Pela inconsistência e incoerência do governador de Pernambuco, talvez Lula tenha montado essa estratégia. Para Campos, a contradição é seu mestrado na política. Disse publicamente: “Estou firme com a Dilma em 2014, mas depende de 2013”. Não é charada nem frase incompreensível, e sim ambição desenfreada. Mas que gostaria de ser vice em 2014, não pode sem esconder.

Lula tenta manobrar todos, partidos e candidatos, com a segurança de quem tem muito a oferecer. E a certeza de que está convivendo e se relacionando com personagens insaciáveis. Insaciáveis e inseguros, mas só em relação à transitória, mas principalmente à linha de chegada.

TIRANDO DILMA E LULA,
QUEM PODERÁ CHEGAR?

Ninguém. Também não podem brigar ou se conciliar, não conseguem jogar Lula contra Dilma. Já disse e é a coisa mais fácil de analisar, avaliar, acertar: o PT terá apenas um candidato, ele ou ela. O partido nunca esteve tão dividido. Mas mesmo que quisesse ou tentasse, não teria 2 candidatos.

A “LÓGICA DA REELEIÇÃO”

A frase é do candidato presidencial do PSDB, Aécio Neves. É atribuída, essa lógica, a Dona Dilma. Pode até estar certo, depois que a presidente mudou de orientação. Antes falou que “campanha só em 2014, agora é administração”. Como surgiram vários candidatos adversários, ela transitou pelo caminho contrário, “estamos em plena campanha”.

Mas Aécio Neves precisa, com urgência, responder a duas perguntas: 1 – Quem implantou a reeleição, pela primeira vez na História da República? E pagando não com o mensalão, e sim com uma parcela única, “recebeu, votou”.

2 – Aécio tem que explicar aos 130 milhões de eleitores: se for eleito (difícil mas possível) não disputará ou tentará a reeleição? A pergunta tem lógica. A reeleição é que não existia, antes que o patrono de sua candidatura resolvesse ficar mais tempo no Poder.

A “FATALIDADE” DO
PRESIDENTE DO CORINTHIANS

Quando um menino de 14 anos morre de forma lancinante num estádio de futebol, as pessoas deviam se recolher ao silêncio e à tristeza. Não há o que dizer, tudo será inútil. Existe o perigo da contradição superar o lamento, da impropriedade atingir ainda mais a família da vítima.

Mas ninguém foi tão impróprio quanto o presidente do Corinthians, Mario Cobbi. Antes de ser presidente, sua profissão era de delegado de Polícia. Nos inquéritos que presidiu, colocou a FATALIDADE como fator principal nos casos em que analisou? Deve responder e explicar essa “fatalidade criminosa”.

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PS – Pelé não consegue ficar calado. E sempre que fala, desmente o jogador. Duas frases condenando Neymar. 1 – “Precisa deixar de lado a vaidade”. 2 – “ Tem que praticar o interesse coletivo”.

PS2 – Existe alguém mais vaidoso do que o próprio Pelé? E ele praticava o interesse coletivo quando era amicíssimo de Ricardo Teixeira e submisso à CBF? Ou quando rompeu (e depois voltou a ser amigo) com ele?

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