A importância das creches e o desenvolvimento social do país


Pedro do Coutto
 

Duas reportagens voltadas para temas sociais, nas edições de segunda-feira 27, uma no O Globo, assinada por Marcelle Ribeiro, outra na Folha de São Paulo, de João Carlos Magalhães e Bruno Costa, focalizaram respectivamente a importância fundamental de boas creches para crianças até 6 anos de idade e do Índice de Desenvolvimento da Família, ambos convergindo para o desenvolvimento social do país. Este índice, inclusive, foi criado pelo próprio governo federal para analisar a pobreza no país.

 

A rede de creches, da qual o Brasil é carente, é essencial para a educação. Há alguns anos, no tempo da extinta LBA, uma pesquisa revelou que a taxa de reprovação de alunos na rede pública na primeira e segunda série do ensino básico atingia nada menos que 47%. Naquele período eram 8 milhões de alunos que ocupavam vagas por transitarem por essas escalas mais de uma vez. Significava um tempo perdido para acentuada parte da infância e compressão de vagas na rede de ensino. Um problema.

 

Entretanto, quando as crianças, antes dos sete anos haviam sido atendidas em creches, os índices de reprovação naquelas mesmas séries caiam para 20%. Menos da metade. Resultado da alimentação que recebiam e, como ressaltava o renomado pediatra Rinaldo Delamare, resultado também do acesso aos brinquedos, estimulação e da sociabilização existente. Estes fatores, destacava, contribuíam para reduzir a agressividade e bloquear seu crescimento para níveis bastante negativos. A Legião Brasileira de Assistência possuia uma rede que chegou a abrigar 1 milhão e 900 mil crianças. Uma parcela considerável, 25% da rede existente e que assim contribuía para reduzir o desafio de um déficit difícil de compensar para a população mais pobre. Era comum que crianças perdessem peso nos finais de semana. A explicação era simples: a alimentação fornecida pelas creches era melhor (e maior) do que a que recebiam em suas casas.

A RENDA MELHOROU

O Índice de Desenvolvimento Familiar era baixo. Continua sendo, revela a reportagem da Folha de São Paulo. O nível de renda melhorou, 79 reais por capita, mas sua interdistribuição não causou avanço proporcional. Os pobres brasileiros têm acesso apenas a 61% dos patamares onde se encontram seus direitos, acrescentam João Carlos Magalhães e Bruno Costa, incluindo habitação, educação, acesso à saúde e ao mercado de trabalho. Um exemplo: a proporção de famílias pobres com ao menos um analfabeto supera 80%. E atinge 70% a percentagem de famílias nas quais existem pessoas desocupadas. Como o desemprego recuou para 5,8%, a explicação para a distância do emprego encontra-se na baixa qualificação das pessoas dificultando seu ingresso na mão de obra ativa. O processo econômico social é complicado.

Começa pela educação em tempo integral para as crianças, como sempre assinala Elena, minha mulher. E segue pelo caminho do ensino técnico capaz de criar profissionais melhor qualificados fora do universo agrícola. Nos meios rurais, dadas as dimensões do país, a tarefa de se alcançar um grau positivo de IDF são ainda mais difíceis. O trabalho semiescravo inclusive resiste ao tempo e desafia os fatores de modernização. O pai e a mãe em muitos casos trabalham com vínculo de emprego, mas seus filhos ajudam apenas pela moradia e pela comida. Esta situação representa a presença do início do século 20 no alvorecer do século 21. A roda do progresso não gira com firmeza nas áreas rurais. E elas são enormes no Brasil.

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