A impunidade é tanta que um deputado chegou a dar entrevista se jactando de ter funcionários-fantasmas.

Carlos Newton

É impressionante a situação a que chegamos. O então deputado alagoano Dudu Albuquerque (PSDC) estava tão confiante na impunidade que em maio do ano passado deu uma inusitada entrevista, na qual afirmava que tinha cargos no governo e os funcionários recebiam sem trabalhar. Ele se orgulhava de desfrutar desse poder.

Mais de um ano depois, quando Dudu Albuquerque nem é mais deputado, é que o Ministério Público se lembrou de apresentar uma ação civil pública por improbidade administrativa contra o ex-parlamentar e os dez servidores fantasmas. A ação pede o ressarcimento dos valores pagos indevidamente.

Dudu é acusado de indicar dez servidores para cargos comissionados no Estado (entre eles, parentes e assessores), que recebiam sem trabalhar. No total, o grupo obteve R$ 380 mil dos cofres públicos durante cerca de três anos, através de cargos na Coordenadoria Regional de Ensino, em Arapiraca, ligada à Secretaria da Educação e Esporte.

A passos de cágado, a investigação do Ministério Público só aconteceu porque em maio passado, o então deputado reclamava que estava sofrendo retaliações do governo estadual por não apoiar projetos enviados ao Legislativo, e deu a tal entrevista, na qual dizia que tinha cargos no governo e que as pessoas recebiam sem trabalhar.

Duas servidoras da coordenadoria de ensino, que também foram indicadas por Dudu Albuquerque, são suspeitas de participação no esquema. Segundo a ação civil pública, elas não informaram a secretaria sobre a irregularidade. E o promotor Sidrack Nascimento, autor da ação, disse que em alguns casos a folha de ponto era levada na casa dos servidores-fantasmas para que fosse assinada. A Secretaria da Educação ainda não se manifestou.

Segundo o promotor, a investigação não localizou outros casos semelhantes de comissionados fantasmas indicados por deputados no governo estadual.

Dudu Albuquerque, que não foi candidato na eleição de 2010, já havia sido denunciado pelo Ministério Público em 2008 sob acusação de participar de um esquema de desvio de recursos da Assembleia Legislativa. O ex-deputado foi intimado três vezes para ser ouvido no Ministério Público, mas não compareceu. E na velocidade que as coisas acontecem por lá, vai demorar muito para acontecer alguma novidade. Ah, Brasil!

 

 

 

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