A internet causa uma irrefreável divisão do Poder, através do conhecimento

Resultado de imagem para internet e poder charges

Charge do Nani (nanihumor.com)

Hildeberto Aleluia
Blog Aleluia e Cia

No livro chamado “Ou César ou Nada” (Editora Ediouro- 2005), o escritor espanhol Manuel Vasquez Montalban reproduz um diálogo, imaginário provavelmente, ocorrido entre Maquiavel e Cesar Bórgia, em quem o primeiro se inspirou para escrever sua obra magistral chamada “O Príncipe” (escrita no Século XVI, em Firenze, na Itália). Com o tempo e as conveniências, a obra acabou dedicada a Lorenzo de Médici.  Muito interessante para pontuar o desenvolvimento, a massificação e a tentativa de controle da informação por parte do Poder. Na página 291, ele pontua uma fala significativa para todos os tempos, inclusive e principalmente os atuais. Diria Maquiavel:

– É preciso sonhar acordado. É uma época para sonhadores, mas acordados. Imitamos os modelos antigos, mas nada é igual à antiguidade. Copérnico se protege afirmando que suas teorias planetárias se baseiam no saber antigo, mas não é assim. Elas se justificam no saber antigo. A cada dia aparecem novas máquinas, novas descobertas, inclusive talvez a Terra seja redonda e gire em torno do sol, como sustenta Copérnico. As patentes de invenção enchem os gabinetes de maços de papel, e nenhuma como a imprensa, que permite a libertinagem de reproduzir livros nem sempre convenientes. E a mecânica? Aplica-se a arte militar e, depois, as descobertas passam à indústria civil e ao comércio. Logicamente, os costumes se ressentem. Virtudes antes sagradas se revelam obsoletas ao lado do papel do dinheiro, por exemplo. Quando já se havia visto tanto poder nas mãos dos banqueiros e comerciantes?

UM PRIMOR – Verdadeira ou não, essa afirmação e descoberta é um primor para os tempos atuais e a primeira constatação de que a tecnologia molda a economia e a economia, pela informação, molda a sociedade. Era assim na Idade Média e continua assim nos tempos atuais. O provável diálogo do Maquiavel com César Bórgia se dá no final do Século XIV, no papado do ainda hoje incompreendido cardeal espanhol Rodrigo Bórgia, Papa Alexandre VI, que pontificou numa época de conquistas e descobertas importantes para a humanidade. Eram também os tempos de Leonardo Da Vinci, Michelangelo, Fillipo Lippi e de Savonarola, o frade dominicano que contestava o poder e a modernidade. Acabou na fogueira.

Por essa época a informação era um bem intangível, difícil de valorar para a massa. Era uma propriedade quase exclusiva da Igreja, do Estado, e de seus apaniguados, dependendo sempre do contexto, claro.

Tanto é verdade que o Meio (ou veículo) era o confessionário ou os mensageiros e os arautos.

MÍDIAS DO PASSADO – O mensageiro, muitas vezes era morto logo após a entrega da mensagem. Era para que não revelasse a mais ninguém o teor, além do destinatário. E o arauto era aquele designado pelos donos do Poder para anunciar as novas à massa. Eram as mídias da época. O livro era um privilégio restrito aos conventos e acessível apenas aos eleitos pela elite dona do Poder e somente em latim. Escrever era possível, mas daí a tornar seus escritos difundidos era uma tarefa quase impossível.

O próprio Maquiavel só teve sua obra difundida muitos e muitos anos depois. Mesmo implorando aos poderosos da época, em vida jamais encontrou quem lhe desse ouvidos e guarida. Ninguém buscou mais a atenção e os favores do Papa Leão X, um Médici, para seus escritos do que ele. E nunca conseguiu nada. Isso durou até o invento da prensa por Gutenberg, no ano de 1449, em Londres, quando, um século mais tarde, as ideias, definitivamente, abandonaram o curral das elites para circular livremente no meio de quem sabia ler.

MASSIFICAÇÃO – Em meados do século XV, a principal mídia, além da Igreja, era a pintura de adoração. A partir daí a educação passou a ser uma necessidade da massa com o advento da burguesia. Deixou de ser privilégio da Igreja, das cortes e dos abastados financeiramente. Alguns séculos depois a Revolução Industrial, com o aparecimento do motor a vapor, nascida também a partir de Londres, completou o resto, com a imperiosa necessidade de estudar para trabalhar.

É aqui que os ingleses viram um marco definitivo na história da evolução da humanidade, como os romanos foram um dia. E nessa trilha o mundo vai girando mais ou menos do mesmo jeito até o final do Século XVIII, quando novas formas de governo se estabelecem e as ideias passam a circular cada vez mais nas mãos e cabeças de mais pessoas através dos meios impressos. Em seguida veio o iluminismo e com ele as revoluções que mudaram a cara do velho mundo.

NA VANGUARDA – As tecnologias da informação sempre estiveram na vanguarda. Até que no começo do Século XX o homem pode comprar o aparelho de rádio e entrar definitivamente na era da informação de massa. Mais tarde, algumas décadas depois o aparelho de TV o colocou num mundo onde ele agregou informação e entretenimento, com imagem e consumo. Mas nenhum deles lhe deu interação. Todos os meios, inclusive o padre no confessionário, solapou ao homem o direito de interagir. Essa possibilidade chegou aos tempos atuais com a Internet. O computador colocou a todos, indiscriminadamente, com o mesmo poder do Padre, do Rei, do Presidente, de Maquiavel, de César Bórgia e do Papa em termo de ideias, pensamentos e interação.

5 thoughts on “A internet causa uma irrefreável divisão do Poder, através do conhecimento

  1. A verdade é que A INTERNET livrou o cidadão do FILTRO DOS ATRAVESSADORES DE INFORMAÇÃO travestidos de JORNALISTAS, além das pessoas agora poderem se comunicar e dividir informações diretamente uma com as outras.

    Sem a internet, com certeza a Lava Jato nem teria saído das gavetas dos gabinetes…

  2. Nosso Colega Sr. FRANCISCO VIEIRA, Brasília-DF disse tudo. A Internet causa uma irrefreável divisão do Poder, através do Pensamento, via interação Fonte/Leitor.
    Só que a extrema divisão do Poder pode causar Imobilidade Política.
    Nós agora, via Internet, estamos cientes de uma série de Defeitos em nossa Democracia Representativa, mas não sabemos COMO fazer o conserto do que está errado.

    PS.
    Lendo ontem a relação das Mensalidades pagas para ajudar a manter esse bom Jornal Virtual ” Tribuna da Internet onLine” , +- R$ 1.500/mês, não entendo como ele sobrevive.

    Para um Homem da Direita como eu, Nacionalista-Desenvolvimentista- Liberal Keynesiano Intervencionista, pró-Mercado, é incompreensível tal coisa, o T I onLine continuar operando.

    O milagre é explicado pelo IDEALISMO/HUMANISMO de um Homem de Esquerda, nosso incansável Editor/Moderador-Proprietário Jornalista Sr. CARLOS NEWTON.
    Mas que é uma TREMENDA Injustiça, isso é.

    Conclamo a TODOS(AS) a pagar uma Mensalidade de R$ 20. Se a maioria pagasse, faríamos JUSTIÇA aos que TRABALHAM pelo T I onLine. Ele vale bem mais que isso.

    CEF – Lotéricas
    Ag. 0211………………..CC 323-4

    Banco ITAÚ
    Ag.6136……………CC 12318-6

    Muito Obrigado.

  3. denuncia do blog garotinho (inegavelmente bem informado e sabedor e principal denunciante das podridoes do estado na gestao cabral/ pezao)

    Querem entregar o maracana a rede globo de mao beijada
    Esta tudo armado

    ”  disse hoje no meu bate-papo pelo Facebook, a obra do Maracanã teve um gigantesco superfaturamento, que gerou propina a Sérgio Cabral e outros políticos. A Odebrecht, que assumiu a liderança do consórcio, quando estourou o escândalo da Delta, ficou responsável também pela gestão do estádio. Deu no que já se esperava. O estádio foi abandonado, sete mil cadeiras roubadas, a grama do campo deteriorada e milhões de reais jogados na lata do lixo. 

    A Odebrecht, obrigada pela Justiça do Rio a cumprir o contrato e assumir a gestão do estádio procurou uma parceria internacional e encontrou na Lagardére, uma empresa francesa, que administra 60 arenas no mundo, que faturou no ano passado 10 bilhões de euros, um parceiro interessado em assumir o Maracanã e cumprir todo o edital. Pois bem, ao Estado só cabe dar o “de acordo” no negócio privado entre a Odebrecht e a Lagardére. Depois de tudo acertado com os franceses, que receberam de Pezão a palavra empenhada, ele agora quer voltar atrás. 

    Por que será? 

    Por que o Estado, que não tem dinheiro para manter as suas escolas, hospitais, nem mesmo pagar os salários de seus funcionários, não quer dar o aval para o acordo entre duas empresas? O que quer Pezão? Deixar o Maracanã apodrecer no tempo?  ”

    ” empresa francesa enviou por escrito ao governador cópia do seu acordo com a Odebrecht. Entre outras coisas, a Lagardére assumirá o valor da outorga ao Estado, no valor de R$ 600 mil / mês, investirá R$ 300 milhões em obras durante o tempo da concessão, e transformará o Maracanã na maior arena de eventos esportivos e culturais do país. Ainda utilizará os espaços internos do estádio para a implantação de uma universidade. 

    Um mistério: por que Pezão não quer que o acordo seja fechado? A Odebrecht não quer, o Estado não tem dinheiro, R$ 600 mil por mês de outorga é melhor do que nada, R$ 300 milhões em obras, dinheiro novo, vindo do exterior, sem custo para o governo, e Pezão não quer. Muito estranho… 

    Acho que nesta altura o governador ou dá o “de acordo”, ou municipaliza o estádio, porque os franceses também têm interesse no Parque Olímpico, que daqui a pouco também estará destruído sem não tiver uma manutenção adequada. Pezão diz que o Flamengo tem interesse. Todo mundo sabe que sou um flamenguista apaixonado, mas o estádio não pode pertencer a um clube, tem que ser de todos os clubes que quiserem jogar ali. É o templo do futebol brasileiro, e além do mais, o Flamengo não tem dinheiro para fazer as obras complementares do Maracanã. 

    A triste realidade é que Pezão, além de fraco e comandar um governo corrupto, tem uma equipe incompetente, despreparada, e que está espantando investidores, além de enterrar cada vez mais o estado. Vocês vão descobrir depois, se não houver uma pressão imediata da sociedade para que a Lagardére assuma o Maracanã, quem de fato está por trás dessa jogada que tem Pezão à frente. Como já sei o final da história anotem aí: Flávio Godinho, preso recentemente na Lava Jato, com US$ 52 milhões em contas no exterior, Eike Batista, Sérgio Cabral, e uma empresa de eventos esportivos ligada à Globo que quer melar o acordo com os franceses para ficar com o negócio.  ”

    Link:

    http://blogdogarotinho.com.br/lartigo.aspx?id=23837

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *