A Jornada Mundial da Juventude e o futuro a construir

João Batista Libânio

O Rio de Janeiro  sediou a 12ª JMJ. João Paulo II, altamente preocupado com a evasão da juventude da Igreja, forjou esses grandes encontros com a finalidade de os jovens se entusiasmarem pela fé a ser vivida no interior da Igreja Católica. E o papa fazia-se presente a eles. João Paulo II esteve nos encontros de Roma, Buenos Aires, Santiago de Compostela, Czestochowa (na Polônia), Denver (nos Estados Unidos), Manila (nas Filipinas) e Toronto (no Canadá). Bento XVI continuou a tradição com os encontros em Colônia (na Alemanha), Sidney (na Austrália) e Madrid, quando anunciou o encontro no Rio de Janeiro. Tocou ao sucessor papa Francisco vir ao Brasil.

O desafio maior cabe à Igreja do país hóspede. Anos de preparação espiritual e organizacional. Programa variado a conjugar aspectos estritamente religiosos e culturais. Naturalmente, para os jovens entram desejos turísticos. A finalidade principal se concentra no afervoramento dos jovens, atraindo-os para a Igreja e nela alimentando-os. Depois do macroevento, permanece o desafio de prosseguir com atividades religiosas e pastorais, a fim de manter o fervor despertado pela presença do papa.

No Brasil, aconteceu fato único. Dois movimentos internos no mundo juvenil se encontraram. O mês de junho assistiu à ampla mobilização inesperada de jovens, sobretudo de classe média, com reivindicações que variavam desde o preço do transporte público, passando pelo repúdio da corrupção nas esferas do poder, até a carregada plataforma de reforma política do país. Até agora, o acontecido e o que está ainda a acontecer desafiam os analistas sociais.

Ao lado, a Igreja Católica, antes mesmo da JMJ, organizou a Semana Missionária da Juventude, propiciando aos jovens estrangeiros conhecer o país na realidade social, nos aspectos culturais e na prática de atos religiosos. Jovens brasileiros e estrangeiros se solidarizaram na vivência juntos da fé católica. Os jesuítas, por sua vez, se reuniram em Salvador e, depois, distribuíram por diferentes lugares quase 2.000 jovens de 50 países, envolvidos na espiritualidade inaciana.

MOVIMENTOS DIVERSOS

No curto espaço de menos de dois meses, o mundo juvenil se viu agitado por movimentos diversos. O futuro mostrar-nos-á se eles correrão paralelos, sem alimentar-se mutuamente. Ou, pior ainda, se se enfrentarão como adversários. Triste sina. Ou aí reside a esperança de que junho e julho marquem momento importante no processo da juventude de unir as forças políticas e espirituais para modificar o cenário da cultura juvenil.

Em vez da acomodação mergulhada no consumismo, presa aos pequenos aparelhos eletrônicos e imersa na vulgaridade fragmentada da pós-modernidade sem valores absolutos, a juventude está a acordar para questionar, em processo sério de conscientização, a sutil manipulação que sofre da grande mídia e da imposição do sistema capitalista neoliberal.

Enquanto ela não sacudir dos ombros o jugo enganador da cultura da aparência para a verdade da história, da realidade pensada e analisada, não há futuro a ser construído. Continuará deslizando na superficialidade fácil da sociedade consumista sem conhecer o sentido profundo do existir humano que encontra o último fundamento no Absoluto. (transcrito de O Tempo)

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