A loucura e a traição de vender terras da Amazônia para estrangeiros

Amanhã se completam 63 anos da Constituição de 1946, a primeira da República. (Que apesar de ser a primeira e verdadeira, não chegou a completar 18 anos, foi assassinada antes da maioridade).

A de 1891 não chegou a ser testada, apesar de ter sido projetada por Rui Barbosa, que como senador, foi seu relator na constituinte.

Tinha pontos razoáveis para a época, tudo aproveitado da Constituição dos EUA. Mas o sistema político que dominou a chamada “república velha”, não deixou que ela fosse testada.

Durou precariamente durante 41 anos, até 1930, quando desaguou na “revolução” de 1930, uma das maiores farsas de nossa História. Daí à ditadura total e absoluta, lá se foram outros 15 anos.

A Constituinte de 1946 só pôde funcionar depois da derrubada da ditadura, mas com o ditador e todos os seus Ministros, interventores e assessores, “eleitos” por um povo enganado e sem saber de nada.

A Constituinte de 1946 foi feita pela Comissão dos 37, presidida por Nereu Ramos, PSD, e tendo como vice, Prado Kelly, da UDN, os dois maiores partidos de então. (Tão fortes, que 10 anos depois, Prado Kelly e Nereu foram Ministros da Justiça, um substituindo o outro).

Enquanto fabricavam a Constituição naquele belo e acanhado Palácio Tiradentes, às vezes da tribuna, mas sempre nos bastidores, se discutiam três assuntos. 1- Minérios. 2- Amazônia. 3- Petróleo. Podem ficar surpreendidos, a prioridade era exatamente essa.

O petróleo não tinha a menor importância, o que vigorava era a palavra do engenheiro dos EUA, Mister Link, que cunhou a frase famosa: “Não há petróleo no Brasil”. E isso ficou anos como verdade absoluta, apesar do grande Monteiro Lobato insistir no contrário. Por isso foi perseguido, preso e teve que se exilar por causa de Vargas, senador dessa Constituinte, mas que jamais apareceu.

O minério estava em primeiro lugar por causa da presença de Artur Bernardes. Aos 77 anos, deputado para que o filho, também Artur Bernardes, fosse senador. Presidente de 1922 a 1926, fez tremenda campanha contra a poderosa Hanna Mining, trust, depois multinacional, e hoje certamente seria “empresa globalizada”.

Por causa disso em 10 de novembro de 1937, quando Vargas escancarou a ditadura que já exercia, Artur Bernardes foi asilado, só voltou em 29 de outubro de 1945, disputando uma vaga na Constituinte. Este repórter, jovenzíssimo, ficou amicíssimo do ex-presidente, que vinha à bancada da imprensa e me contava histórias maravilhosas.

(Morreria aos 77 anos, logo depois de promulgada a Constituição. Devia ser destino. Como o de Lincoln, que levando dois tiros na nuca, deveria ter morrido na hora. Mas só morreu 36 horas depois. Por recomendação médica estava estendido no chão da Casa Branca, repetindo baixinho, “Sam Wood, onde está Sam Wood?”. Era o presidente da Corte Suprema, que devia dar posse ao vice. Quando ele chegou e Andrew Johnson tomou posse, Lincoln virou para o lado e morreu).

Apesar de todas as lutas pelos minérios, pela admiração a Monteiro Lobato, (que não conheci pessoalmente), e a tudo que fosse preservação da riqueza nacional, a preocupação principal da nossa geração era a Amazônia. E nessa preocupação, antevíamos o Brasil invadido por tropas estrangeiras, (principalmente dos EUA) tomando a Amazônia com a força de suas armas.

Com fronteiras quilométricas, não podíamos defender a nossa maior riqueza territorial.

Isso dominou e pavimentou os caminhos e a trajetória de convicções do repórter, que escreveu intensamente sobre o assunto. Até os anos 80 e 90, quando a preocupação com a invasão se deslocou. Foi quando o Brasil passou a vender partes da Amazônia, recebendo dinheiro e passando recibo das TERRAS QUE VENDERA. Compreendi então, (e produzi na Tribuna inúmeros libelos contra isso) que não haveria mais invasão por TROPAS MULTINACIONAIS.

Tentei de todas as maneiras, sem o menor sucesso, convencer a todos, que só TRAIDORES, IMPRUDENTES E INSENSATOS venderiam partes do país. E compreendi que dentro de alguns anos, iríamos (ou iremos) responder diante de tribunais internacionais por não querer entregar as partes da Amazônia que vendemos.

* * *

PS- Ontem, vendo que querem aprovar projeto diminuindo o limite de terras para estrangeiros de 25 para 10 por cento, contestei: isso só vale para alguns territórios.

PS2- Os 25 por cento que PODEM SER VENDIDOS, incluem a Amazônia. Não queria acreditar, fui me informar, É RIGOROSAMENTE VERDADEIRO.

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