A máscara que esconde a realidade, na visão de Raimundo Correia

Resultado de imagem para raimundo correiaO magistrado, professor, diplomata e poeta maranhense Raimundo da Mota de Azevedo Correia (1859-1911), no soneto “Mal Secreto”, procura mostrar uma visão da hipocrisia humana, pois muitos usam uma máscara que esconde a realidade.

MAL SECRETO
Raimundo Correia

Se a cólera que espuma, a dor que mora
N’alma, e destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;

Se se pudesse o espírito que chora,
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!

Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa!

Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!

4 thoughts on “A máscara que esconde a realidade, na visão de Raimundo Correia

  1. Há uma necessidade do ser humano de usar máscaras, de dissimular, de ocultar o que estamos sentido, ou somos verdadeiramente, para ser aceito pela comunidade. Sobretudo nos dias de hoje, onde as verdadeiras amizades são raras, as pessoas não toleram os amargurados.

  2. Conhecessemos as questões íntimas
    dos que são, por nós,
    invejados,
    pela riqueza e o poder triunfantes,
    e deles nos sentiriamos
    apiedados …
    Por seus dramas angustiantes,
    por suas lágrimas secretas,
    choradas a sós
    em aflição e delírio,
    pela ignorada tragédia
    de um longo martírio!
    Viriato F.da Silva

  3. Gosto do parnasiano Raimundo Correia. E esse poema dele é bem conhecido.
    Não gosto dele, do poema.

    ‘Cólera que espuma’ e ‘chaga cancerosa’ me afastam da poesia.

    Acho de muito mau gosto. Apesar do Raimundo.

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