A mixórdia reinante em cidades como Belo Horizonte

Sandra Starling

De maneira geral, a vida nas cidades brasileiras está longe de ser algo agradável. Às vezes penso – e já escrevi sobre isso – que a humanidade, longe de usar suas habilidades para poupar tempo e vencer distâncias, cria uma série de instrumentos que mais tiram sua alegria de viver do que ajudam a tornar suportáveis nossos inafastáveis problemas.

Por exemplo: de maneira geral, nem penso mais em enfrentar o trânsito ao volante. Prefiro ajudar pais ou mães de família que exercem o penoso trabalho de dirigir táxis e pago a eles para me conduzir aonde não consigo chegar a pé.

Em Brasília, embora o trânsito comece a se tornar idêntico ao de qualquer lugar no Brasil, foi feito algo que o prefeito Marcio Lacerda poderia muito bem copiar. Quando Cristovam Buarque foi governador do Distrito Federal, ele conseguiu a brilhante proeza de transformar em paraíso a vida dos pedestres, até mesmo na travessia das autopistas: durante uns três meses, o governador patrocinou campanha para educar motoristas a pararem diante das faixas de pedestres, a maioria das quais sem sinal, mas tão somente listras na pista. Basta que o cidadão estique os braços e estará a salvo de qualquer um motorizado, com auto, moto ou bicicleta. No primeiro mês, guardas reconduziam infratores de volta ao lugar onde deveriam ter parado. Depois, pesadas multas levaram todo mundo a se enquadrar.

CAOS TOMOU CONTA

Em BH, além de tudo, agora que a BHTrans não pode mais multar e, ao que parece, o número de guardas municipais não é suficiente, o caos tomou conta dos dois lados das calçadas, com estacionamentos a torto e a direito. Os fiscais só aparecem se a infração se der onde tem o rotativo. Por que não nos locais também proibidos? A prefeitura só se move quando há dinheiro a ser recolhido a seus cofres? Não dá para ser assim, prefeito!

O pior, porém, está acontecendo com a proliferação de mendigos de rua, sobretudo nos jardins não gradeados de casas da década de 60. Estas são permanentemente invadidas por grupos deles, que ali se amontoam para dormir, fazer sexo, usar crack, fazer suas necessidades físicas e depredar os jardins. Se o proprietário procura a prefeitura ou alguma regional, passa por verdadeiro calvário em que uns vão atribuindo a responsabilidade a outros, e o infeliz tem de se ver andando de lugar a lugar, ou telefonando para uma multidão de prováveis – nunca encontrados – responsáveis. A ouvidoria da prefeitura tem o desplante de pedir 15 dias para verificar a ocorrência.

A Polícia Militar, acionada, diz que o problema “é social”; a prefeitura, que o problema “é policial”. Em que lugar foram parar os albergues criados nos anos de 1990? E que ações cabem agora à Secretaria de Desenvolvimento Social? Ou ela sumiu do mapa?

Antes que se chegue a apelar a Deus – nosso último refúgio como cidadãos numa terra quase sem lei –, será que o prefeito não poderia ser mais eficiente?

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