A morte do menino boliviano e a desorganização do futebol sul-americano

Tostão (O Tempo)

A absurda morte de um jovem boliviano, por causa de um sinalizador jogado por um torcedor do Corinthians, retrata bem a falta de civilidade, a desorganização e a violência (na arquibancada, no gramado e fora do estádio) no futebol sul-americano. Não foi uma fatalidade, foi um assassinato, mesmo sem intenção de matar. Poderia ter acontecido com torcedores de todos os clubes e em todos os estádios, o que não exime o Corinthians de culpa. A punição dada é provisória, até o julgamento pela Conmebol.

Torcendo na cadeia…

Se pessoas equilibradas fazem besteiras quando estão em grupo, por se sentirem poderosas, audaciosas, liberarem suas agressividades e por não se sentirem culpadas, como se a responsabilidade fosse do grupo, imagine um marginal, desequilibrado, com um sinalizador, no meio de uma multidão.

Além da violência, falta organização ao futebol sul-americano. Isso é essencial, até para armar uma retranca, como fez o Milan. O Barcelona tem algumas deficiências e, por isso, perde, como todas as outras grandes equipes. Acho até que, pelo risco que corre, por causa da maneira de jogar, poderia perder mais vezes.

O Milan colocou dez jogadores perto da área, sem espaço entre eles, e ainda contra-atacou. O Barcelona não criou chances de gol, o que é raríssimo, mesmo contra adversários que usam a mesma estratégia. Faltou também desarmar mais à frente, uma de suas virtudes.

Os times europeus são mais organizados que os brasileiros. Há muitas equipes e jogadores fracos na Europa, mesmo na fase de grupos da Liga dos Campeões, mas é raro ver uma equipe desorganizada. Na derrota para a Inglaterra, Neymar não sabia se era segundo atacante ou se era um jogador pela esquerda, com a obrigação de marcar o lateral. Oscar correu todo o campo, atuou bem individualmente, mas ninguém soube qual foi sua posição e função.

Organizar não significa compartimentar e repetir sempre a mesma movimentação e as jogadas, mas as equipes precisam ter uma estratégia muito bem-definida e exigir que os atletas, craques ou não, a cumpram.

Por outro lado, os treinadores europeus erram muito mais do que os brasileiros nas escalações, substituições e posicionamento dos jogadores. Sir Alex Fergusson adora colocar o atacante Rooney pelos lados, para marcar o lateral, como fez contra o Real Madrid e em muitos outros jogos. Na vitória recente do Bayern sobre o Arsenal, Arsene Wenger escalou o velocista Walcott, que joga pela direita, de centroavante. O time ficou sem sua melhor jogada e sem centroavante.

Um ótimo técnico precisa organizar bem um time e escalar os jogadores nos lugares certos, além de saber formar e comandar um grupo, ter gana por vitórias e compromisso com a qualidade do jogo. O restante é conversa fiada, exibicionismo.

 

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