A morte prematura de seis jovens sem o cinto de segurança

Milton Corrêa da Costa

Um gravíssimo acidente de trânsito apagou, definitivamente, a alegria e o sorriso de seis jovens, cinco moças e um rapaz, na madrugada de sábado, nos arredores de Brasília. As vítimas tinham entre 16 e 19 anos e voltavam de uma festa no Recanto das Emas. O carro capotou e caiu em um barranco na BR-070. Um ciclista encontrou os corpos, mutilados e sem vida, cerca das 6h30m da manhã. O motorista, um rapaz de 19 anos, e as passageiras, com idade entre 16 e 19 anos, foram arremessados do veículo, que caiu de um barranco e capotou diversas vezes.

As vítimas tinham saído da festa e passaram em um shopping de Taguatinga. De acordo com os bombeiros, todos os ocupantes do carro ESTAVAM SEM O CINTO DE SEGURANÇA. O delegado que investiga o acidente disse que, segundo informações do padrasto do motorista, o jovem que conduzia o veículo modelo Astra pegou o carro sem avisar. Segundo a polícia, ele não tinha carteira de habilitação.

Mais seis preciosas vidas perdidas, na violência do trânsito brasileiro e seis famílias destroçadas pelo resto de suas existências, onde a ilusão de vulnerabilidade dos jovens e o desafio ao perigo, ao volante de um carro, são as causas determinantes de tanta tragédia. Se o cinto de segurança iria salvá-los ou não em razão da altura – ainda não se tem tal detalhe – de que o veículo projetou-se em queda, não se pode determinar nesse momento.

O que se sabe é que caso tivessem fazendo uso do cinto talvez houvesse a possibilidade de alguns deles escapar da morte e não serem arremessados para fora do veículo. Uma verdadeira cena de filme de terror durante uma madrugada, com corpos arremessados violentamente, em queda livre, contra o solo. Sabe-se também que o cinto de segurança, é equipamento de uso obrigatório em todos os bancos do veículo.

Vale lembrar que durante uma colisão ou capotamento ou queda do veículo, ocorrem dois tipos sequenciais de impactos. O primeiro, do veículo contra o obstáculo, que pode ser um outro carro, um poste, uma árvore, uma mureta, o solo. O segundo é o dos corpos contra qualquer parte do veículo.

Dependendo do impacto, alguns corpos, quando não se faz o uso do cinto, são arremessados para fora do veículo. Quando se está usando o cinto de segurança, os ocupantes permanecem, em caso de acidente, na maioria dos casos, postados em seus bancos e as lesões são certamente reduzidas.

Tal equipamento evita, sobretudo, que os corpos, já com peso muito maior pela ação do movimento ou da queda, sejam arremessados violentamente contra o para-brisa ou painel, e contra o banco da frente para os que se encontram postados no banco de trás ou ainda para fora do veículo. Assim sendo, são evitadas graves contusões na cabeça, no tórax, abdômen, pernas, braços e também no globo ocular.

Mas a impulsividade natural da juventude – não se sabe ainda se consumiram bebida alcoólica -, a imprudência e a ilusão de invulnerabilidade muitas vezes falam mais alto. Mais uma chocante e pavorosa tragédia no violento trânsito brasileiro. O pior é que permanecemos em estado letárgico, impotentes para frear tão grave doença social, onde a incidência maior das 40 mil mortes/ano compreende-se na faixa etária de 18 a 34 anos.

Ou seja, o Brasil vem perdendo, a todo instante, preciosas vidas pela insensatez de seus próprios jovens, num cenário permanente de carros retorcidos, vítimas ensanguentadas, dor e sofrimento. Até quando a imaturidade dos motoristas e motociclistas brasileiros, jovens ou não, prosseguirá enlutando e entristecendo famílias?

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