A mosca azul numa caixinha de fósforos

 “Se é para o bem de todos…”

Carlos Chagas

À socapa, como se dizia séculos atrás, hoje quer dizer  escondidinho, aumenta o número de companheiros empenhados em convencer o Lula a  candidatar-se em 2014.

Uns poucos paulistas querem vê-lo disputando o palácio dos Bandeirantes. Alegam ser a única forma de evitar a reeleição de Geraldo Alckmin, pois chances não terão  Luís Marinho,  Aloísio Mercadante, que já desistiu, Marta Suplicy e muito menos Alexandre Padilha.

A maioria dos enrustidos, porém, trabalha para logo  ver o chefe  outra vez  no palácio do Planalto. São os descontentes com Dilma, os que imaginaram vir a  ser o governo dela um vasto condomínio. Frustrados, sem ter atendidos seus objetivos fisiológicos e queixando-se de que nem prestígio a presidente lhes concede, lançam-se na tentativa de convencer o Lula. Alegam que Dilma entrou em plano descendente, que as dificuldades na economia vieram para ficar e até ampliar-se, abrindo-se o risco da perda do poder. Tentam sensibilizar o primeiro-companheiro inflando sua vaidade.

O mais recente argumento para impulsionar essa conspiração acaba de ser fornecido pelo próprio Lula: em conversa com  Eduardo Campos, pretendendo demovê-lo de disputar a chefia do governo, o ex-presidente utilizou argumento definitivo. Indagou do governador pernambucano se seria candidato contra ele, ouvindo  imediata negativa. Contra ele, de jeito nenhum. É claro que não falavam de 2018, já que o Lula chegou a acenar para Campos com a hipótese de o PT apoiá-lo na longínqua sucessão.

Ora, raciocinam muitos petistas, se o próprio objeto de seu desejo aventou  a possibilidade, por que deixar de incentivá-la?

A pergunta que se faz é sobre a reação que o Lula andará  tendo. Parece firme e lógica sua determinação de apoiar o segundo mandato para a sucessora. Chegou mesmo a lançá-la. Está preparado para chefiar a campanha da reeleição. Mas se tiver dúvidas a respeito dos resultados? Se a roda da fortuna der marcha  a ré? Não se espera que um disco voador desça na Praça dos Três Poderes e sequestre Dilma,  mesmo se for para dar um choque de gestão no governo de Marte. Mas outras opções existirão   para substituí-la,  nem precisando  a mosca azul pousar na testa do ex-presidente, porque faz muito ele a guarda numa caixinha de fósforos…

A PRÓXIMA ETAPA

Ainda que falte mais de um ano para o registro das candidaturas presidenciais, e já existindo pelo menos quatro candidatos, quando se abrirá a temporada de seleção dos seus companheiros de chapa? Não demoram muito as  especulações, mesmo se sabendo que a escolha dos indicados a   vice-presidente funciona como moeda de troca e envolve alianças partidárias.

Dos quatro candidatos, apenas Dilma Rousseff  fez sua opção. Será mesmo Michel Temer. O PMDB engole sapos mas manterá a aliança.

Marina Silva escolheria um empresário para contrabalançar ideologicamente a sua Rede? Ou marcaria posição aceitando Heloísa Helena?

Aécio Neves poderá compor uma chapa pura, com outro tucano, vacinado que está com o fracasso de concorrer com alguém do DEM? José Serra começou a se dar mal depois de  aceitar  um índio desconhecido como seu vice. Em matéria de composições, nada melhor do que encontrar um paulista para polir arestas.

Eduardo Campos talvez opte por uma seleção geográfica, ou seja, buscará seu parceiro nos estados do Sul ou Sudeste.

Em suma, muita gente pode achar precipitada a especulação, mas alguém duvida de que na cabeça dos quatro esse é um pensamento constante?

NADA A ESCONDER

Winston Churchill visitava pela primeira vez a Casa Branca, hóspede de  Franklin Roosevelt, com a Inglaterra na pior, depois das vitórias de Adolf Hitler na Europa. Durante vários dias,  conversavam horas, de dia e de noite. O presidente americano lembrou-se de um assunto inconcluso e empurrado na sua cadeira de rodas, foi aos aposentos do primeiro-ministro inglês. Este não dispensava um banho de banheira, de lá estava quando o anfitrião apareceu.

Churchill enrolou-se numa toalha,  mas tropeçou e ficou como tinha vindo ao mundo. Roosevelt ficou constrangido mas soltou sonora gargalhada quando ouviu: “O senhor está vendo que a Inglaterra não tem nada a esconder.”

O episódio se recorda mesmo quando Aécio Neves e José Serra não se encontrarem no banheiro, mas num gabinete refrigerado em São Paulo, esta semana. Nenhum dos dois tem algo a esconder, ambos desejam a mesma coisa. No caso, a candidatura tucana…

 

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8 thoughts on “A mosca azul numa caixinha de fósforos

  1. É como vocés quizessem a volta do LULA ao Planalto, pois falam muito nisso. Vai depender não do bom desempenho da economia, a que eu acredito, mas do cresciemnto dos candidatos de oposição. Tudo depende de como Edurdo, aliado falso, iria se sair nas pesquisa no Nordeste.

  2. O mundo da politica é cheio de mentiras, alimentadas por jornalistas abanam gravetos para fazer fogo.
    Querem criar um clima de “volta nos braços do povo” ou “a esperança é ele”. Quanta babaquice!
    Querer criar a expectativa de solução final é má fé ou falta de juizo!.
    Lula representa o atraso dos incautos e insensatos, sempre deixando o Brasil cada vez pior!

  3. Todos sabem que nos EUA o presidente ao deixar o cargo não se candidata a mais nada na política. Não é assim?
    Pois bem, o Bill Clinton explicou este detalhe ao Lula.
    Mas o Lula deve ter pensado: Ora bolas, o Sarney saiu da presidência e taí até hoje montado na máquina estatal e influenciando, porque eu não posso?
    Acho que com esta atitude ele mais atrapalha do que ajuda.

  4. Xadrez é um jogo aberto, para todos assistirem. O “Lula teria dito” não passa de um jogo de poker, ou seja, blefe, trapaça… mesmo sendo assim, essa jogada de Lula, tanto Eduardo Campos como o resto dos brasileiros estão pagando para ver. No xadrez, assim como faz Eduardo Campos, o jogo é aberto, ele mesmo está na mídia, junto com os jornalistas, exercendo seu poder de comunicação. Lula, pelo que se observa, manda recados, nem junto com a mídia e os jornalistas, ele (Lula), não é mais capaz de se apresentar. O xadrez político é caracterizado quando é ouvido da boca do competidor, o “dito”, o jogo de xadrez é característico das pessoas inteligentes. O “teria dito”, a especulação, a tendência, a distorção, a falácia, as inverdades… são características do jogo de poker… o jogo de poker é característico da malandragem e do poder do cacife. E nesse caso, como já disse, todos vão pagar para ver esse cacife que tanto Lula/PT/Dirceu/Mensalão/Dilma/Esmolão se dizem, ou dizem, possuir… já em 2014.

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