A mulher por trás do escândalo da vigilância do governo americano

Laura
Kiko Nogueira (Diário do Centro do Mundo)

Que Edward Snowden, o homem que vazou os dados sobre o esquema de vigilância do governo americano, tinha falado com Glenn Greenwald, do Guardian, você já sabia. Greenwald, no entanto, não estava sozinho. Nos créditos do vídeo preparado pelo jornal, aparece uma mulher como “cineasta”. Seu nome é Laura Poitras e ela recebeu um email de Snowden em janeiro. Foi a primeira pessoa com quem Snowden entrou em contato.

Poitras foi descoberta agora pelo site Salon. É documentarista e ainda está em Hong Kong fazendo um filme sobre o caso. Foi indicada ao Oscar em 2006 por My Country, My Country, um relato do impacto da guerra do Iraque sobre a população iraquiana. Foi o primeiro de uma trilogia de documentários sobre as políticas americanas pós 11 de setembro. O segundo, The Oath, fala de Salim Hamdan, ex-motorista de Osama bin Laden e seu cunhado, e o terceiro é a respeito de pessoas que passam informações confidenciais. Está sendo finalizado (o encontro com Snowden é parte disso).

Laura colaborou com Julian Assange no próximo filme do Wikileaks. Ela é membro do conselho da Fundação Pela Liberdade de Imprensa, entidade dedicada a promover e financiar o jornalismo que expõe a má gestão, a corrupção e a violação de leis pelo governo dos EUA.

Ela diz que foi presa mais de 40 vezes em fronteiras desde o lançamento de My Country, My Country. Foi incluída numa lista de elementos perigosos. “No momento, é melhor para mim que eu fique fora do país, o que é uma coisa triste de admitir”, ela diz. No ano passado, foi curadora de um grande ato, num museu, cujo tema era espionagem. Visitantes foram presos ao tentar entrar no museu.

ETERNAMENTE VIGIADO

Laura deu uma entrevista para o Salon em que explica como chegou a Snowden – e também, sinal dos tempos, por que não deu o material para o New York Times. Alguns trechos:

Por que você acha que Snowden entrou em contato com você? Você foi a primeira pessoa com quem ele falou?

Eu não posso falar por ele. Ele me disse que me contatou porque minha prisão na fronteira significava que eu havia sido selecionada. Ser selecionada – e ele entrou numa longa litania – quer dizer que tudo o que você faz, todos os amigos que tem, tudo o que você adquire, cada rua que você cruza, você está sendo vigiado. “Você provavelmente não gosta de como o sistema funciona, e eu acho que posso te contar a história…” Claro que eu estava desconfiada, eu achava que era uma armadilha. Eu posso dizer que, através das conversas que tivemos, ele suspeitava da mídia tradicional. E principalmente com o que aconteceu com a matéria dos grampos (no governo Bush), que, como sabemos, ficou na gaveta (do Times) por um ano. Eu não sabia que ele estava contatando Glenn àquela altura.

Você ainda tem contato com ele?

Eu não vou comentar sobre isso.

Você sabe onde ele está?

Não vou comentar.

Você vai ficar em Hong Kong e arredores por um tempo ou acha que dá para ir aos EUA?

Ainda não decidi. Estou tentando descobrir isso agora. Mas eu estou realmente baseada agora fora dos Estados Unidos.

Você está preocupada com a retaliação em qualquer investigação que faça daqui para a frente?

Eu tenho sido espionada há um longo tempo e não ficaria surpresa se isso continuar. Que tipo de democracia é essa? Eu senti que essa era uma luta que vale a pena. Qualquer coisa que eu possa fazer para ajudar é um serviço. Pessoas assumem riscos. E eu não sou a única que está correndo mais risco nesse caso.

Ele sempre planejou revelar a sua identidade?

Eu não sei. É uma situação complicada porque temos uma fonte que decidiu se revelar. Eu ainda sinto que tenho obrigações jornalísticas com a fonte, apesar de ela ter feito essa escolha… Glenn disse que começou a “trabalhar” com ele. Não houve trabalho. Nós fomos contatados. Eu não sabia onde ele trabalhava, eu não sabia que ele era da Agência de Segurança Nacional, eu não sabia nada. Fomos contatados, eu não sabia o que ele estava fazendo e em algum momento ele apresentou os documentos.

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4 thoughts on “A mulher por trás do escândalo da vigilância do governo americano

  1. E pensar que o presidente Richard M Nixon renunciou por causa do caso Watergate …
    Watergate foi uma escutazinha meio sem vergonha … nada demais … (diante do que estamos vendo)
    O que me deixa assim … sem saber exatamente o que dizer, é o fato de que praticamente a metade dos norte-americanos (uma comentarista nossa citou o percentual certo) apoia as escutas, as invasões em correspondências, monitoramentos diversos, etc
    A individualidade nos Estados Unidos acabou faz tempo. A “CIA” é hoje uma fábrica de Agentes 007: tem licença (concedida pelo presidente e pelo Congresso) para torturar e matar. Antes, é claro, invadem computadores e telefones para escolher as vítimas. Invadi o computador de Stalin, e estava lá um e-mail para Lênin; “Estamos sendo copiados. Nossos métodos caíram em mãos ianques”.

  2. o mundo está sendo preparado, para uma ditadura mundial.
    em que todos viverão em um “verdadeiro Big-brother”.em que tudo será controlado pelo grande ditador universal.vemos a cada dia que passa, essa realidade, ás liberdades individuais sendo suprimidas,os que pensão ser teoria da conspiração ou uma visão apocalítica, ao meu ver devem ficar atentos;pois o mundo está sendo preparado e ele caminha a passos lagos para futuro previsto na bíblia!
    ao qual todos os governos mundias entregarão suas soberanias. ao messias da nova era, espero não está por aqui quando esse dia chegar.!

  3. O grande problema é que esse tipo de atividade ( espionagem, escuta clandestina ), não serve só para a politica de segurança.
    O problema é que o material existe e está a disposição de vários personagens, aos quais não poderemos saber quais são suas reais intenções.
    Esse material serve, também, para espionagem industrial, perseguições particulares e para qualquer outro fim que possa se imaginar.
    Será que alguém já ouviu falar do projeto “Echalon”, relacionado ao qual existiram comentários sobre espionagem, que reverteu o resultado do Projeto Sivam, de vigilância da Amazônia, que retirou a concorrência de uma grande empresa francesa, caindo nas mãos dos americanos.
    Em resumo, quando eu prestei serviço militar, meus instrutores sempre disseram que não existiam meios de comunicação seguros, e que deveríamos contar que o Inimigo estava sempre na escuta.
    O que poderia até ser vantajoso, caso o emissor de informações tivesse conhecimento disso, e usasse esse fato para praticar contrainformação.
    Isso talvez explique, que mesmo com todo esse aparato de vigilância, não haver sucesso no abortamento de muitos atos de grande impacto, que todos nós conhecemos.
    Isso agrava o situação, pois remete a eficácia de todo esse arsenal de vigilância para outros fins que não o de segurança.

  4. O país lá hoje não é mais o mesmo da época de Nixon. Após o 11 de setembro a constituição deles foi rasgada na parte relativa ãs garantias individuais. Lembro que tais restrições só ocorreram no passado durante a guerra civil do século XIX e na 2a guerra, particularmente contra nipo norte americanos que foram arbitrariamente confinados. Estão em crise econômica e social e os donos do poder muito temerosos com problemas internos, porque nenhum país do mundo tem condições de atacá-los. A situação está tão grave que o presidente diz constantemente que pretende fechar a base de Guantánamo e não consegue. Que forças o impedem? As policias de cidades grandes e medias estão atualmente com armamentos de guerra, segundo já denunciou o site Veteran Today. No momento atual, quem afrontar corre sérios riscos e não há invocação de direitos, American Civil Liberty Union ou congêneres que salve. Esse rapaz que está em Hong Kong que se cuide, porque se for agarrado vai penar tanto ou mais que o Bradley Manning. A propósito, tem um negro lá preso chamado Robert Hillary King, acusado de Pantera Negra e de um crime discutível, que já cumpre 32 anos de reclusão, 29 dos quais só em confinamento solitário. Aviso aos viajantes. Nada de declarações políticas lá ou desafios, limitem-se as comprinhas, passeios, teatros da Broadway, Disneylandia ou visitas a amigos ou parentes, para não correrem o risco de entrarem de gaiato, como um otário brasileiro que foi gozar um guarda da alfândega e saiu do aeroporto algemado nos pés e com uniforme laranja não faz muito.

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