A natureza dá saltos

Tostão (O Tempo) A natureza dá saltos

Os bem-vindos e emocionantes protestos e gritos das ruas por um Brasil melhor ecoaram dentro dos estádios e inflamaram os torcedores e os jogadores brasileiros. Felipão usou muito bem esses simbolismos a favor da equipe. Os adversários ficaram assustados, surpreendidos pela avalanche, pela blitz, especialmente nos primeiros minutos, quando ocorreram vários gols.

No domingo, foi um jogo especial, excepcional. Não digo que foi único, porque poderá ser repetido na Copa do Mundo. Se isso ocorrer, o Brasil terá grande chance de ser campeão. Receio apenas que a seleção tenha atingido o êxtase antes da hora. Certas coisas só acontecem uma vez na vida.

Lembrei-me da final de 1998. Estava no estádio, quando vi toda a torcida e os jogadores franceses, emocionados, cantarem o hino nacional, a Marselhesa. Tive a impressão, a mesma dita por Arnaldo Ribeiro, de que a França não perderia. Jogaram mais do que sabiam e ganharam do Brasil por 3 a 0. Foram o hino e o sentimento patriótico, e não o problema de Ronaldo, os fatores mais decisivos.

Mesmo depois da vitória sobre a Espanha, muitas pessoas ainda não perceberam a enorme importância de se jogar uma decisão em seu país.

Lembrei-me também da decisão da Taça Brasil, em 1966, com mais de 100 mil pessoas, no Mineirão, torcendo pelo Cruzeiro. O jovem time mineiro voava em campo, enquanto o Santos, a melhor equipe do mundo, não via a bola. O placar de 6 a 2 poderia ter sido o de domingo.

Como o Brasil atingiu um novo patamar, será mais cobrado. Nos próximos amistosos, o time e os jogadores, que estão sendo badalados, poderão ser criticados. Muitas coisas mudam em um ano. Equipes e atletas deveriam ser avaliados pela média de suas atuações, e não apenas por um grande momento.

Por causa de um excepcional jogo, não se pode tirar conclusões, mudar conceitos nem dizer que as críticas anteriores à seleção e ao futebol brasileiro eram incorretas e/ou severas. O que vimos contra a Espanha não tem nada a ver com o que a seleção jogava nem com a qualidade e a maneira de atuar das equipes brasileiras.

Mas o fato mostra que, se o futebol brasileiro, em médio prazo, trabalhar com eficiência e seriedade, dentro e fora de campo, estará, de rotina, e não apenas em um momento, entre os melhores do mundo.

Recentemente, Parreira citou a frase famosa – não sei quem foi o autor – que a natureza não dá saltos. Deu. O futebol, mais uma vez, contrariou o conceito lógico, operatório, de que uma equipe só fica pronta depois de um longo período de treinos e jogos. Em 30 dias, a seleção atingiu o máximo. A dúvida é sobre o que vem pela frente.

Esses momentos inesperados e apaixonados, que vimos nas arquibancadas e nos gramados, são os que engrandecem e embelezam o futebol e a vida.

JOGO DECISIVO

O Atlético, sem a dupla titular de zagueiros – Réver e Leonardo Silva fazem falta – e sem Leandro Donizete no meio-campo – Josué está no mesmo nível –, terá um jogo dificílimo, na Argentina, contra o Newell’s Old Boys. Mesmo se o Atlético perder, desde que faça gols e que seja apenas por um gol de diferença, terá ótimas chances de se classificar para a final, no Independência.

O Atlético terá a presença de seu excelente quarteto ofensivo (Ronaldinho, Tardelli, Bernard e Jô). Jô e Bernard estão em alta na seleção. Jô, pelos dois gols que fez, é o reserva de Fred. Bernard parece que está à frente de Lucas, por ter sido a opção e por ter jogado bem, no Mineirão, contra o Uruguai. Ele pode entrar no lugar dos três meias (Hulk, Oscar e Neymar).

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