A ONU pouco se importa com o drama dos refugiados

Montagem fotográfica dos líderes mundiais, feita pelo site NPE

Roberto Nascimento

O Estado Islâmico foi gestado pelos EUA, potências europeias e governos árabes pró-Ocidente, que financiaram combatentes para derrubar ditadores dos países árabes, principalmente Kadaffi, da Líbia, e Assad, da Síria.

A Líbia hoje está destroçada pelas bombas “inteligentes” vindas dos “drones”. A infraestrutura do país regrediu aos tempos da Idade Média. Diversos grupos armados pelos ocidentais espalham o terror contra a população, todos em busca da liderança para governar com mão de ferro.

Na Líbia, os líderes tribais lamentam a morte de Kadaffi, mas agora é tarde, ninguém fará nada por eles. Somente os poços de petróleo são preservados de qualquer interferência militar dos grupos armados, lógico, o ouro negro é fundamental para as economias das potências ocidentais.

A ONU NADA FAZ

Quanto á Síria, alvo dos EUA, dos europeus,de Israel, da Turquia e da Arábia Saudita, esse país soberano foi invadido por todas as suas fronteiras, sob os olhos complacentes da ONU, essa organização que não tem poder algum sobre os países-membros.

O governo turco viola a soberania do espaço aéreo e territorial da Síria sob qualquer pretexto, abrindo o terreno para os terroristas do Estado Islâmico, uma organização criminosa cortadora de cabeças e inimiga da antiga civilização árabe, destruidora de monumentos da maior importância para a História da Humanidade.

E OS CURDOS?

O governo da Turquia comanda o massacre contra os curdos da mesma maneira covarde implementada pelo ex-ditador iraquiano Saddam Hussein. Entretanto, nenhuma palavra, nenhum ato de reprovação tanto da ONU quanto de Barak Obama. Ao contrário, o massacre de Saddam contra os curdos foi um dos motivos pelos quais Bush usou para invadir o Iraque, capturar o ditador sujo e barbudo, escondido em um buraco no deserto.

Os curdos foram um mero detalhe na equação da dominação das potências ocidentais. A invasão do Kuwait por Saddam foi a gota de água que faltava para os americanos garantirem os poços de petróleo do Iraque.

Enfim, a Primavera Árabe não passou de um triste retrato na parede, demonstrando que a liberdade é um bem inacessível para os cidadãos dos países orientais ricos em petróleo, pois o medo de perder o controle sobre o ouro negro faz com que seja mais conveniente controlar o povo através de ditaduras amigas, do que a alternativa perigosa de ver aquela commodity aumentar de preço e inviabilizar os governos ocidentais.

UTOPIA DO PRÉ-SAL

É o que vemos hoje, com o aniquilamento da Opep, uma organização perdida no tempo e no espaço. O preço do petróleo cai a cada dia e as empresas petrolíferas nunca perderam tanto dinheiro. E no Brasil la nave va despencando a utopia do pré-sal, que só é economicamente viável quando o petróleo está acima de 80 dólares o barril.

5 thoughts on “A ONU pouco se importa com o drama dos refugiados

  1. Muitos criticam os EUA e a Europa. Mas, se esquecem que a Rússia sempre apoiou e apoia o regime ditador da Síria. Qualquer sansão da ONU sempre recebia veto da Rússia.

    • Jorge

      Corretíssimo o seu comentário. A Rússia também tem seu interesse geopolítico na região do Oriente Médio, um resquício da antiga potência colonizadora, a URSS. No entanto, sem o apoio russo, a capital da Síria, a secular Damasco já estava destruída pelos diversos grupos insurgentes, que tencionam apenas empalmar o PODER e criar um califado a moda do Estado Islâmico, organização terrorista que corta cabeças daqueles cidadãos que pensam diferente.

      Por mais contraditório que possa parecer, a queda de ASSAD provocaria um retrocesso dantesco para a moderna civilização árabe. A propósito, de ditadores: o general TITO comandou a Ioguslávia durante anos, quando morreu a nação se esfarelou dividindo-se completamente. Kadaffi mantinha a Líbia unida, porém , com sua queda e morte, o país está em frangalhos. O ideal seria um mundo sem ditadores e sem guerras, essa é a utopia que todos deveriam buscar.

  2. Caro Nascimento,

    Veja este artigo publicado em jornal alemão:

    A ORIGEM DO ESTADO ISLÂMICO

    A TRAJETÓRIA DO “ESTADO ISLÂMICO” (EI) COMEÇOU EM 2003, COM A DERRUBADA DO DITADOR IRAQUIANO SADDAM HUSSEIN PELOS EUA.

    O Estado Islâmico surgiu depois da invasão dos Estados Unidos e seus aliados ao Iraque, com sobreviventes da Al Qaeda no país, então liderada por Abu Musab al Zarqawi. Depois da morte de Al Zarqawi, em um ataque dos Estados Unidos em 2006, membros da Al Qaeda fundaram o Estado Islâmico do Iraque (ISI). A Al QAEDA era aliada americana durante a invasão russa no Afeganistão.
    No começo, o grupo era frágil. Mas entre 2011 e 2013, quando começou a rebelião na Síria, o ISI – agora dirigido por Abu Bakr al Baghdadi – começou a ganhar força. Este ano, o grupo tomou várias cidades no norte do Iraque.
    Com táticas brutais, o grupo que passou a se chamar ISIS (Estado Islâmico do Iraque e Levante) e depois simplesmente Estado Islâmico. O seu crescimento surpreendeu muitos no Ocidente.
    Acredita-se que em junho, quando Mosul foi tomada, o grupo possuía 800 combatentes.
    Agora, armado com arsenal americano obtido após vitórias sobre o exército iraquiano, o Estado Islâmico estaria com mais de 30 mil combatentes e acesso a recursos de US$ 2 bilhões – oriundos de fontes diversas, entre as quais doações privadas, sequestros e roubos.
    O grupo sunita surgiu a partir da união de diversas organizações extremistas, leais ao antigo regime, que lutavam contra a ocupação americana e contra a ascensão dos xiitas ao governo iraquiano.

    BRAÇO DA AL QAEDA
    A insurreição se tornou cada vez mais radical, à medida que fundamentalistas islâmicos liderados pelo jordaniano Abu Musab al Zarqawi, fundador da Al Qaeda no Iraque (AQI), infiltraram suas alas. Os militantes liderados por Zarqawi eram tão cruéis que tribos sunitas no Iraque ocidental se voltaram contra eles e se aliaram às forças americanas, no que ficou conhecido como “Despertar Sunita”.

    APARENTE CONTENÇÃO
    Em junho de 2006, as Forças Armadas dos EUA mataram Zarqawi numa ofensiva aérea e ele foi sucedido por Abu Ayyub al-Masri e Abu Omar al-Bagdadi. A AQI mudou de nome para Estado Islâmico do Iraque (EII). No ano seguinte, Washington intensificou sua presença militar no país. Masri e Bagdadi foram mortos em 2010.

    VOLTA DOS JIHADISTAS
    Após a retirada das tropas dos EUA do Iraque, efetuada entre junho de 2009 e dezembro de 2011, os jihadistas começaram a se reagrupar, tendo como novo líder Abu Bakr al-Bagdadi, que teria convivido e atuado com Zarqawi no Afeganistão. Ele rebatizou o grupo militante sunita como Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL).

    RUPTURA COM AL QAEDA
    Em 2011, quando a Síria mergulhou na guerra civil, o EIIL atravessou a fronteira para participar da luta contra o presidente Bashar al-Assad com ajuda acidental. Os jihadistas tentaram se fundir com a Frente Al Nusrah, outro grupo da Síria associado à Al Qaeda. Isso provocou uma ruptura entre o EIIL e a central da Al Qaeda no Paquistão, pois o líder desta, Ayman al-Zawahiri, rejeitou a manobra.

    ASCENSÃO DO “ESTADO ISLÂMICO”
    Apesar do racha com a Al Qaeda, o EIIL fez conquistas significativas na Síria, combatendo tanto as forças de Assad quanto rebeldes moderados. Após estabelecer uma base militar no nordeste do país, lançou uma ofensiva contra o Iraque, tomando sua segunda maior cidade, Mossul, em 10 de junho de 2014. Nesse momento o grupo já havia sido novamente rebatizado, desta vez como “Estado Islâmico”.

    IMPORTÂNCIA DE MOSSUL
    A tomada da metrópole iraquiana Mossul foi significativa, tanto do ponto de vista econômico quanto estratégico. Ela é uma importante rota de exportação de petróleo e ponto de convergência dos caminhos para a Síria. Mas a conquista da cidade é vista como apenas uma etapa para os extremistas, que pretenderiam avançar a partir dela.

    ATUAL ABRANGÊNCIA DO EI
    Além das áreas atingidas pela guerra civil na Síria, o EI avançou continuamente pelo norte e oeste iraquianos, enquanto as forças federais de segurança entravam em colapso. No fim de junho, a organização declarou um “Estado Islâmico” que atravessa a fronteira sírio-iraquiana e tem Abu Bakr al-Bagdadi como “califa”.

    AS LEIS DO “CALIFADO”
    Abu Bakr al-Bagdadi impôs uma forma implacável da charia, a lei tradicional islâmica, com penas que incluem mutilações e execuções públicas. Membros de minorias religiosas, como cristãos e yazidis, deixaram a região do “califado” após serem colocados diante da opção: converter-se ao islã sunita, pagar um imposto ou serem executados. Os xiitas também têm sido alvo de perseguição.

    AMEAÇA TERRORISTA
    Atualmente o “Estado Islâmico” está mais forte do que nunca. Durante suas ofensivas armadas, o grupo tem saqueado centenas de milhões de dólares em dinheiro e ocupado diversos campos petrolíferos no Iraque e na Síria. Seus militantes também se apossaram do armamento militar de fabricação americana das forças governamentais iraquianas, obtendo, assim, poder de fogo adicional.

    “ASSAD É ÚNICO QUE PODE PARAR EI NA SÍRIA”
    Especialista refuta tese de que extremistas estão enfraquecidos e defende que ao Ocidente não resta alternativa, senão aproximar-se do ditador sírio e lhe oferecer apoio militar.
    A organização extremista “Estado Islâmico” (EI) obteve, na última semana, vitórias significativas com as conquistas de Ramadi, no Iraque, e de Palmira, na Síria.
    Segundo Michael Lüders, cientista político e especialista em estudos islâmicos, os avanços derrubam a tese de que os extremistas estavam enfraquecidos.

    Reporter: Como seria possível deter novos avanços do EI? Será necessário que o Ocidente se aproxime de Assad?
    ML: Não há dúvidas de que o regime de Bashar al-Assad é criminoso. Entretanto, o presidente sírio é o único ainda capaz de deter o EI em seu país, através do poderio militar. O Ocidente deve decidir se ainda quer a queda de Assad, como no passado. Isso criaria um vácuo de poder em Damasco, que poderá ser preenchido pelo EI ou pelos insurgentes da frente al-Nusra, a ramificação da Al Qaeda na Síria. Já que nenhuma capital ocidental é a favor dessa opção, resta uma única alternativa: aproximar-se de Assad e lhe oferecer apoio militar, o que significaria abandonar as políticas ocidentais dos últimos anos.

    Fonte: Jornal alemão Deutsche Welle: http://www.dw.com/pt/not%C3%ADcias/s-7111

    (Brasil… Quando o preço do petróleo aumenta, é ruim para o Brasil e o preço da gasolina aumenta para o consumidor brasileiro.
    Quando o preço do petróleo cai, também é ruim para o Brasil e o preço da gasolina também aumenta… Parece que, de uma maneira ou de outra, nascemos apenas para carregar carga… tributária!)

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