A oposição do Facebook

Luiz Tito

As manifestações que se originaram em São Paulo e se alastraram pelo país desencadearam respostas rápidas. Governadores e prefeitos de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte decretaram, ao final da tarde do último dia 19, a revogação dos aumentos anteriormente decididos no interior dos gabinetes, com a participação restrita dos concessionários do serviço de transporte coletivo e dos operadores de planilhas eletrônicas. Ninguém mais.

A resposta às ruas veio antes que se pudesse identificar e entender a extensão dos protestos, que se conhecessem os manifestantes, o conjunto de suas causas e onde estava o início de tanta indignação. Como nomear um movimento que atira para todos os lados, que inclui rostos de toda origem e vários sotaques? Que cada novo participante acrescenta a ele sua própria rebelião? Não há um rosto. O jovem atual que deu volume à manifestação não é um só em si mesmo e está, ao mesmo tempo, em todos os lugares.

Se pudéssemos ressaltar as nuances da presente geração, também denominada como “geração Y”, ressaltaríamos a descrença na forma atual de se fazer política, a busca de uma democracia participativa e a necessidade de sua intervenção no processo político para tomada de decisões. Ou seja, nem de longe uma juventude apolítica. A questão é também a forma, não apenas o conteúdo.

Uma das principais características dessa geração é o uso das redes sociais como meio de impulsionar seus ideais – ou a ausência deles. A falta de filtro nessa grande rede interativa é o que a diferencia das mídias mais tradicionais, como a das redes de TV. Todos se ligam, se veem, falam e são ouvidos. Mais ainda, o acesso às novas mídias sociais fortalece a individualidade. Então o que foi feito de diferente para que os jovens saíssem às ruas?

Sabemos que não foi apenas pelos R$ 0,20. Talvez uma vontade de fazer algo visto apenas na TV e no imaginário das estórias ouvidas, de compartilhar com os amigos esse momento histórico instigado e realizado por sua própria geração e de enxergar que os nossos problemas são tão dignos de indignação como os problemas do resto do mundo, onde esse formato de participação produziu mudanças históricas.

O futuro democrático do país ainda infantil em suas ações políticas é impreciso e tentar decifrar tudo que está acontecendo – ao mesmo tempo e hora – pode fazer qualquer conclusão soar-se prematura. O certo é que a tomada das ruas foi algo louvável, empolgante e excitante. Há a esperança de uma nova consciência nacional, a ser trabalhada pela juventude para assumir seu papel.

Nasceu no país uma possibilidade de termos uma oposição, fundada para fazer o contraponto essencial a toda construção política. A juventude acordou a nação com sua crítica. A voz das ruas se fez para repelir a prepotência e o descaso dos governos, para cobrar uma agenda de reformas, corajosa e includente. Essa é a hora de realinharmos o país e nossas instituições. Não podemos perdê-la. (transcrito de O Tempo)

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2 thoughts on “A oposição do Facebook

  1. Não entendo patavina de nada, mas uma coisa ficou bem claro.

    Político se borra com o povo nas ruas.

    A FAMIGERADA PEC37 SERIA APROVADA COM FOLGA, MAS OS VENTOS MUDARAM E ELES(PICARETAS) NÃO TIVERAM COLHÕES PARA APROVAR.

    O mais ridículo foram os discursos defendendo a sua rejeição. A maioria deles eram a favor e de repente não mais que de repente mudaram de idéia.

    COMO DIZ O SR HÉLIO, AHAHAHAHAHAH.

  2. Sr Luis Tito

    Pelo visto o senhor não é leitor asiduo da TRIBUNA DA IMPRENSA. Se fosse ja teria lido um comentario meu a respeito.E elegantemente o Sr Carlos Newton postou sem opinar a veracidade. Como ja foi escrito aqui na Tribuna de uma forma mais didatica ¨ Em janeiro de 2005 em Porto Alegre numa plenaria foi adotado o nome MOVIMENTO PASSE LIVRE embora 6 anos antes estas manifestações ja existiram em Florianopolis¨. O comentarista Percival Pugina tambem ja fez citação a respeito. Fora estes relatos didaticos. Não da para ignoramos que a primeira manifestação de rua em 2013 eclodiu na capital gaucha. Causando um efeito dominó nas demais cidades brasileiras.Para um leitor desapercebido posso dar ideia que estou debatendo algo sem importancia do tipo “quem veio primeiro o ovo ou a galinha”. Mas não é por ai. Minha indignação é contra este jornalismo bairrista local travestido de nacional. A manipulação repugnante do jornalismo televisivo. Não tem como deixar de me lembrar de Santos Dumont e seu invento não reconhecido pelos EUA. Para mim um pais democratico se começa na liberdade de EMPRESA e não d e IMPRENSA. Pouco importa uma imprensa livre se os seus jornalistas não tem liberdade de expresão dentro dela. Deu na Globo que começou em SP governada pelo PSDB? Aratacas então é verdade !!!

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