A pedra, como inspiração de Manoel de Barros

O advogado, fazendeiro e poeta matogrossense Manoel Wenceslau Leite de Barros, no poema “A Pedra”, revela como um poeta pode ser inspirar até na parte rochosa da natureza.

A PEDRA
Manoel de Barros

Pedra sendo
Eu tenho gosto de jazer no chão.
Só privo com lagarto e borboletas.
Certas conchas se abrigam em mim.
De meus interstícios crescem musgos.
Passarinhos me usam para afiar seus bicos.
Às vezes uma garça me ocupa de dia.
Fico louvoso.
Há outros privilégios de ser pedra:
a – Eu irrito o silêncio dos insetos.
b – Sou batido de luar nas solitudes.
c – Tomo banho de orvalho de manhã.
d – E o sol me cumprimenta por primeiro

                          (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)
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