A percepção de Nery, que tem a ousadia de expor por escrito o óbvio

Magdala Domingues Costa

Apesar das paixões políticas que norteiam o jornalista Sebastião Nery, sua aguçada percepção nunca se embota e a ousadia de expor por escrito o óbvio, apenas “sugerido” por tantos outros, é muito útil para que, neste mar de prestidigitadores mequetrefes, não nos confundamos, a ponto de perder a referência sobre a realidade, tantas as “abstrações” sugeridas no debate levado a cabo na mais alta Corte do País, sobre o esquema criminoso mais ousado de todos os tempos para tungar a Nação, eufemismo delicado para roubo.

No mandamento “não roubar” – que figura no Decálogo respeitado (pelo menos em tese) nas religiões cristãs e no judaísmo – está implicado que se apossar do que não é nosso, seja “desviar” dinheiro público, “misturar os bolsos”, é pecado mortal, passível de punição severa pela divindade e pelas leis dos homens.

Continuo perseguindo a resposta para esta questão até agora irrespondível: Qual a fonte da dinheirama que circulou à vontade, em malas, carros forte, lingerie masculina, ante a cegueira das instituições encarregadas de controlar impostos e as finanças da nação?
A destinação bem sabemos, mas o cerne do imbróglio é a fonte. O resto é o resto.

Repetirei até a exaustão: dinheiro de impostos tem destinação pública, é do povo, para receber em serviços dignos que permitam educação e saúde, sobretudo.

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E AS PRIORIDADES?

Antes de se comprarem aviões de última geração, e helicópteros espetaculares, para rivalizar com os EUA, o básico precisa ser respeitado. Há uma ordem de prioridades que é cinicamente ignorada pelos donos do poder.

A Ministra Belchior não cora de vergonha com a exibição de seus ganhos, mas é pródiga em conselhos e teses sobre a “crise” que está para nos atingir e a “necessidade” de economizar… E a tal de “marolinha”???

Brasil grande é Brasil de um povo educado e alimentado, com oportunidade de trabalho para todos, respeitadas as capacidades individuais.

Políticos são funcionários públicos, regiamente pagos (no Brasil) para representar quem lhes financia os gordos salários, a manutenção dos palácios e privilégios que todos conhecemos, desde as toneladas de acepipes consumidos até a gasolina dos meios de transporte.

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NOME$ $AGRADO$

Não compreendo o “pisar em ovos” para ousar mencionar “nome$ sagrado$”, entronizados no inconsciente tupiniquim por arte$ que agora conhecemos o preço e me produzem náusea.

Tentei inúmeras vezes assistir a um trechinho das inspiradas defesas dos douto$$$$, inclusive a do “homem que ri”. Não consegui, sobretudo pelo ataque ao vernáculo, em alguns casos, e também pelo desrespeito aos juízes, com várias alegações pífias, de mau gosto e uso de termos vulgares. Por ato falho, imagino cá com minha sombra, houve uma alusão a “cafetina”.

Invocando a lógica cartesiana: para haver cafetinas, há necessidade de prostitutas. Aí desliguei a TV.

Estudava-se tanto em tempos idos para entrar numa Faculdade de Direito e era necessário conhecer latim e familiarizar-se com Cícero e Ovídio.

Um casamento precoce entrou em minha vida e segui rumos incompatíveis com a prática da profissão para a qual me preparava, mas me esforcei muito a vida inteira para não perder conhecimentos duramente adquiridos, com esforço, dedicação e gastos com livros e bons professores particulares.

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“TEATRALIDADE”

Não dá para desperdiçar tempo precioso desaprendendo, assistindo à “teatralidade” fajuta que faz os ministros cochilarem. As fotos indiscretas foram amplamente divulgadas na mídia.

Os dois tópicos da coluna de Nery – “Mensalão” e “José Dirceu” – expressam concisa e exemplarmente o que transcorreu nos idos de 2003.
Um amazônida conhece bem a diferença entre uma tartaruga e um tracajá. São bem parecidos, mas há sutilezas em sua conformação.

Nós, pobres assistentes deste circo de horrores, precisamos urgentissímamente aprender a conhecer as diferenças entre cafetinas e prostitutas, antes de votar.

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