A piada do ano: Cabral vai cancelar contratos com empresas denunciadas pelo “Fantástico”.

Carlos Newton

Certas notícias são impagáveis, em todos os sentidos. É totalmente humorística, por exemplo, a informação de que o governo de Sergio Cabral determinou que sejam cancelados os contratos com as empresas Toesa Service, Locanty Soluções, Bella Vista Refeições Industriais e Rufolo Serviços Técnicos e Construções. As empresas aparecem em uma denúncia feita pelo “Fantástico”, da TV Globo.

Mais engraçado ainda foi ver o secretário estadual de Saúde, Sergio Cortês, aparecer no Jornal Nacional falando sobre corrupção. Realmente, nesse assunto ele é um craque. Como se sabe, comprou um apartamento de cobertura, duplex, no sofisticado bairro da Lagoa, no Rio, com cinco vagas na garage, e pagou com dinheiro vivo. Ontem, no Jornal Nacional, Cortês era o homem certo no local certo.

A própria TV Globo já o crivou de gravíssimas denúncias, que jamais foram respondidas. Mas, ao que parece, os jornalistas têm mesmo memória curta. Esquecem essas coisas com uma facilidade que causa espécie, como se dizia antigamente. Tanta espécie quanto o fato de pagar 1,3 milhão em espécie, por um imóvel que na época já valia mais de R$ 3 milhões.

Podemos até imaginar a cena, com o secretário de Saúde comparecendo ao cartório carregando a grande mala da grana, depositando-a (a expressão é esta) sobre a mesa. E o corretor a contar as 13 mil notas (se o pagamento foi em cédulas de R$ 100,00) ou 26 mil notas (se foi em cédulas de R$ 50,00), fico tonto só de pensar, e o secretário e o vendedor jogando damas, esperando até acabar a contagem…

Como todos sabem, a reportagem do “Fantástico” mostrou a contratação de empresas para prestação de diversos tipos de serviços para um hospital infantil do Rio. Todas as flagradas negociavam abertamente o pagamento de propina.

A partir da reportagem, o governador Sérgio Cabral (PMDB) enviou uma nota em que afirma que determinou a todos os secretários que verifiquem se existem contratos em execução com as empresas citadas. “Todos os eventuais contratos de órgãos do Estado com essas empresas serão cancelados”, diz em nota, que não menciona se o governador consultou ou não o Código de Conduta Ética que mandou redigir depois que foi flagrado em relacionamentos íntimos com empresários que recebem fortunas dos cofres estaduais.

Segundo a reportagem, o processo de licitação aconteceria em regime emergencial, com convite às empresas. Elas prestariam serviços de limpeza, alimentação, transporte, entre outros, e para ganharem a licitação pagavam percentual sobre o valor do contrato. “É a ética do mercado”, afirmou a representante de uma das empresas flagradas.

Em uma das negociações, o representante de uma outra empresa disse que fornece esse tipo de serviço a outros órgãos públicos, como Polícia Civil, Guarda Municipal, zoológico, além de presídios. Um outra representante aponta ao menos mais quatro hospitais para os quais prestaria serviço.

Ontem, a Polícia Federal e o Ministério Público informaram que vão investigar as denúncias de fraude em licitação para diversos serviços prestados em hospitais públicos do Rio de Janeiro.

Mas não vai dar em nada. A corrupção no Brasil é invencível. Cabral até já avisou que a forma de continuidade dos serviços essenciais será decidida caso a caso. E estamos conversados.

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