A Polícia, insubordinada, sem comando autêntico e visível, violentou e reprimiu manifestação que era um protesto pacífico e democrático. Agora, totalmente incontrolável. Os marqueteiros trouxeram Camões para a comparação entre OTIMISTAS e PESSIMISTAS. Pelo menos, cultura no debate eleitoral.

Helio Fernandes

Quatro opiniões, interpretações, conclusões, rigorosamente majoritárias sobre os acontecimentos de São Paulo e do Rio, que já repercutem no exterior, incluindo críticas duras e preocupadas da Anistia Internacional. E que ninguém sabe como vai terminar.

1 – As manifestações começaram de forma rigorosamente pacíficas, eram protestos não só quanto ao aumento inesperado dos preços. Muitas pessoas, em praça pública, diziam: “Até aceito o aumento das passagens, mas é preciso melhorar, e muito, a qualidade dos serviços”. Escorchados nos preços e negligenciados nos serviços.

Era vivível a boa vontade, mas o poder público não cobra das empresas pelo menos a prestação de um serviço razoável. Os trens, ônibus e metrôs, todos encarecem juntos, mas continua a superlotação, horas e horas a esperar um transporte, que não serve a ninguém, ou “serve” de forma inacreditável de tão precária.

2 – Podia ter começado um diálogo a partir daquela constatação, não havia ninguém para cuidar do assunto, governador e prefeito em Paris, ninguém para fazer uma intervenção não hostil. Manifestações, protestos, reivindicações são próprios da democracia.

O EXAGERO AUTORITÁRIO DA POLÍCIA

3 – Estabanada, sem comando superior, a Polícia entrou logo com violência, agredindo, exorbitando, praticando um dos piores crimes, que é o “abuso do Poder”. Alguns dizem, “estavam desarmados”. A Polícia nunca está desarmada, sempre leva vantagem, usam e abusam do que chamam de “armas não letais”. Mas essas armas devem ser usadas contra partes inferiores do corpo, os policiais atiravam prazerosamente contra o rosto e a cabeça dos manifestantes.

A maioria dos feridos, no rosto e até nos olhos. E pasmem, existem testemunhos e imagens das câmeras flagrando policiais derrubando simples cidadãos e anulando-os implacavelmente. Era o mais forte, pelo físico, treinamento e armas, massacrando os cidadãos que pagam impostos, só não queriam pagar esses aumentos indiscriminados de preços.

4 – Os manifestantes cometeram então provavelmente o único erro: a depredação, chamada de vandalismo. Nisso eles perdem em qualquer avaliação. Foi exagero, patrimônio público e privado não pode ser destruído. Mas queriam o quê? Que a multidão continuasse sendo agredida, violentada e espancada, e “desse a outra face”? Nesse item, não há justificativa, mas atenuante para os manifestantes.

E agora, como terminará o episódio provocado lamentavelmente pelas Polícias de São Paulo e do Rio? E que já se espalham por 6 ou 7 capitais.

ALCKMIN E CABRAL:
“O PROTESTO É POLÍTICO”  

Os dois governadores tentaram levar a manifestação para outro plano, mais alto, como se tudo tivesse sido planejado e executado com “alguém” comandando. Alckmin e Serginho gaguejavam, não conseguiam chegar ao final da frase, mesmo porque era tudo inconsistente, incoerente, imprudente. Alckmin, Haddad, Sergio Cabral não responderão pela ausência, a inércia, a cumplicidade? (Não cito o prefeito do Rio, ele não apareceu, simplesmente não participou).

PARTIDOS CONTRADITÓRIOS, SE
JUNTARIAM PARA O TUMULTO?

O governador de São Paulo, do PSDB. O prefeito, do PT. O governador do Rio, do PMDB. Não conseguem se reunir a não ser num almoço ou jantar em Paris. Então, como se reuniriam para comandar a repressão às manifestações que começaram rigorosamente pacíficas?

PS – Como se vê, tudo mistificação, farsa, violência praticada com as autoridades (?) olhando para o alto. Não sei como isso pode acabar, a não ser com diálogo. Mas sem polícia participando, nem mesmo fazendo a segurança desse encontro pacífico, sem houver.

EIKE BATISTA, TUDO QUE RECEBEU
EM MAPAS DA MINA E DESPERDIÇOU

O Globo de ontem, em página inteira, mostra como estão as empresas do homem que só falava em dinheiro e dimensão: “Em um ano serei o mais rico do Brasil, em três, o mais rico do mundo”. Agora tem patrimônio de 81 bilhões e dividas de 81 bilhões.

Tenta desesperadamente encontrar sócios para o Hotel Glória, parte mínima do seu ex-império. Não responde ao Santander, que publicou: “Em 2014, Eike não terá mais caixa”. E o BNDES, quando receberá? Sua principal empresa valia uma fábula na Bolsa, agora é apenas lixo.

OPOSIÇÃO TAMBÉM É CULTURA

Como o governo se vangloria de estar cada vez realizando mais e melhor, a oposição respondia contestando tudo isso. Estabeleceu-se, então, uma espécie de diálogo entre otimistas, governo, e pessimistas, oposição. Aí, numa jogada espetacular, os governistas trouxeram Camões para o debate.

Lembraram então do “velho do Restelo”, símbolo do pessimista que o escritor de Portugal (e do mundo) usava muito quando queria um personagem sempre pessimista. Sensacional, ganharam chamadas em televisões abertas e por assinatura, além de manchetes e notas de Primeiras páginas.

Mas nada a ver com Dona Dilma, que jamais se aproximou de Camões (de seus livros, é claro). Fica evidente que foi trabalho de marqueteiros, uma lembrança muito bem sucedida. E Dona Dilma pelo menos fugiu dos discursos “enroladores”, recitados como poemetos de escola primária.

Quando ao mérito, não acrescentou coisa alguma. Sempre, mas sempre mesmo, os governantes de todos os países ficarão divididos entre os dois grupos. Os governistas têm que ser otimistas, com medo de perderem o Poder. Os oposicionistas, na obrigação de identificar e rotular de incapazes os que estão no poder, mesmo sabendo que ficarão como pessimistas.

É do jogo, com exclusão única e total das ditaduras, quando não existem pessimistas e otimistas. Os arbitrários, autoritários e atrabiliários dominam. Os outros ficam na condição de servos, submissos e subservientes, com os raros que resistem e não se entregam.

De qualquer maneira, a citação de Camões valorizou o debate, justificou os altos salários dos marqueteiros da vez.

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PS – José Martins, tua ideia-sugestão sobre a Tribuna, interessantíssima, mas só uma teoria. Na prática, naufraga nos obstáculos. Desde dezembro de 2008, quase 5 anos, os prédios estão fechados, a máquina que rodava a Tribuna desmantelada. Embora o extraordinário arquivo do jornal, “lá de cima”, tenha sido preservado do furor da vingança da ditadura.

PS2 – O que foi totalmente destruído. Meu arquivo pessoal, que ficava na sala da frente, onde eu trabalhava. Esse arquivo (choro sempre por ele, irrecuperável), foi organizado com o maior carinho por minha mulher. Centenas de cartas, anotações pessoais, tudo perdido.

PS3 – Zagallo fez declarações visivelmente procurando ou tentando dar animo aos jogadores da seleção. Um mito do futebol brasileiro e um dos raros que não pode ser contestado, é também o único com direito de representar “a pátria de chuteiras”.

PS4 – Em Paris, irmanados (?), conciliados (?), preocupados (?), o prefeito Fernando Haddad e o governador Alckmin, deram entrevista a duas vozes. O assunto? Lógico, o que chamaram de vandalismo dos protestos contra o aumento dos ônibus.

PS5 – Vandalismo é o lugar comum usado nesses momentos, bravamente não fugiram dele. Inocentaram os policiais de culpa, condenaram os mais frágeis, que não têm dinheiro para nada, nem para irem para o emprego, ameaçados de perder ou ainda nem arranjaram.

PS6 – Depois foram jantar (“É Paris”, como gosta de dizer Sergio Cabral, e “o corpo também não é de ferro”, ensinava Ascenso Ferreira). Os dois já estão no Brasil, toda viagem acaba, mesmo em Paris. Aqui não acabarão nunca com os protestos, não admitem, mas os desgastes, enormes.   

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23 thoughts on “A Polícia, insubordinada, sem comando autêntico e visível, violentou e reprimiu manifestação que era um protesto pacífico e democrático. Agora, totalmente incontrolável. Os marqueteiros trouxeram Camões para a comparação entre OTIMISTAS e PESSIMISTAS. Pelo menos, cultura no debate eleitoral.

  1. Ainda sobre VÂNDALOS e BADERNEIROS!
    .
    FAÇO MINHA PARTE, VOCÊ a SUA; ELE a DELE; JUNTOS, A SOCIEDADE QUE NÃO NECESSARIAMENTE É A QUE CADA UM DE NÓS DESEJA; e, o RESPEITO como fonte inesgotável da liberdade e igualdade.
    .
    É de muito longe que reflito sobre Liberdade e Igualdade. A Liberdade de Expressão, contudo, tem se posicionado bem mais de perto por alimentar a utopia desta barata velha cansada de guerra, ou seja, que, deseja, ainda, e insiste em ser útil.
    .
    Mais recentemente, observando com o máximo de isenção possível, a minha intransigência no sentido de que a Liberdade de Expressão seja sempre integral e intocável, fez uma concessão, bem mais uma exigência.
    Embora permaneça intocável no sentido de integral passou a fazer uma exigência também intocável:
    ‘A DE QUE NÃO MAIS FOSSE ADMITIDA QUALQUER EXPRESSÃO DE OPINIÃO NA QUAL O EMITENTE DELA NÃO ESTIVESSE PÚBLICA E COMPLETAMENTE IDENTIFICADO COM NOME E CPF’
    .
    Que cada um que dê o que possui e gosta. Contudo, mostrando a própria face com seus verdadeiros contornos, cores, odores, luzes, sombras e penumbras. A irresponsabilidade não cabe em um Estado que se diz de Direito.
    .
    Creio que esta sugestão se justifica por si. O Pseudônimo é o insuperável paradigma da covardia de covardes natos porque inviabiliza o indispensável contraditório e mesmo a defesa. Aí não há, então, liberdade. Há única e tão-somente autoridade; há a força torpe da escuridão de mentes doentias. É incompatível, portanto, com a LIBERDADE DE EXPRESSÃO.
    A expressão somente é livre quando quem a exprime também o é. O vício e o crime sejam eles morais, religiosos ou legais, marginalizam, escravizam, bestializam, elidem o agente da sociedade.
    .
    Por fim, quanto a reação policial que toma conta do noticiário e se alastra provocando desordem pelo fenômeno da mediocridade majoritária.
    Um policial exerce seu especial dever de ofício pelo uso da VIOLÊNCIA em nome do Estado que assim chama para si a legitimidade e legalidade dela. A violência ataca o primeiro e mais precioso bem humano a resguardar, a vida que inclui a do próprio policial. Temeroso, sem a garantia institucional necessária e suficiente de que seus possíveis erros efetivamente NÃO DOLOSOS (sempre possíveis), serão presumidos condutas profissionais inerentes ao seu dia-a-dia, dificilmente prestará o serviço que lhe incumbe, isto é, de defender a sociedade que lhe paga, no caso, pessimamente. Lembro a insuperável sabedoria popular: no, dos outros é refresco; no, da gente arde. Para se exigir cumprimento de dever; urge que em antes se cumpra o próprio.
    .
    A violência é fruto da raiva, sentimento humano. O homem não é uma pedra de gelo. Porém a raiva não surge do nada, precisa ser provocada, motivada. Normalmente é uma reação que nada impede decorra de um erro de fato ou de Direito. Já o erro, embora possa ser minimizado com o aprendizado e treinamento, deriva da imanente imperfeição humana.
    Portanto, quem tem a violência tornada legal por profissão, o policial, transita e convive diuturnamente pela tênue e pendular linha ética que separa o bem e do mal. Para o profissional da política, todavia, é sempre fácil discursar que “não compactua com o erro” ainda que na maior parte das vezes a política que pratica empurre o policial, a parte frágil do processo, para o erro.
    Sempre repito que estamos atravessando uma quadra de MITOS, HIPOCRISIAS, CINISMOS E INVERDADES, e nela, o médico, o professor e o policial, instrumentos da única igualdade social possível, são postos como mariscos.
    O privilégio de ter visitado quase vinte Estados me autoriza afirmar que os mais civilizados preservam o que de mais intrínseco e exigível existe para que se encontre o verdadeiro caminho da liberdade e igualdade: respeito.
    Respeito que é uma via de mão dupla. É, como proclama a conhecida oração de São Francisco: é, repito, dando que se recebe. Respeito não se exige, dá.
    Ninguém, nenhum de nós, por mais fraco ou poderoso que seja, será respeitado se, antes, não respeitar.
    O Estado que temos é equivalente ao respeito que a sociedade tem por ele.
    E o que é o Estado que não seus agentes primeiros? Os médicos, os educadores e os policiais?
    Qual é o Estado que você deseja?
    O deles, o dos vândalos e baderneiros?
    O Estado é igual ao velho cônjuge: ruim com ele, pior sem ele.

    .
    Perdão, mas é o que penso.

  2. Brincando com fogo em barril de pólvora

    Por detrás das atuais manifestações e quebra- quebra de rua, aparentemente por conta do irrisório aumento nas passagens de ônibus, estão as conhecidas poderosas forças ocultas, oriundas da ditadura militar. As mesmas que tiveram forças suficientes para realizar o impensável julgamento, chamado mensalão, com truculentas sentenças. Caso único e solitário na história do Brasil, que infelizmente jamais será repetido. Seria a consagração da tão esperada e desejada virada de nossa Justiça na busca, julgamento e fulminantes sentenças, sobre todos os demais, incontáveis conhecidos poderosos corruptos, livre, impunes, ricos, vários deles ainda vivos, eleitos e reeleitos.

    Essa turma mafiosa não deve ter parado para refletir um pouco sobre as consequências de semelhantes ações estarem abrindo as portas para um novo desmonte geral da economia do Brasil, justo numa hora de gigante crise mundial. Não pararam para pensar, que semelhante rota, é tornar viável o retorno da turma entreguista FHC/PSDB, com Aécio. Se dessa vez estão focando unicamente ônibus e trens vazios, durante toda a semana, a rota de ação é correta. Com a presidência da República entregue a turma FHC/PSDB, em pouco tempo, todo o transporte público voltará a circular vazio, como nos tempos da privatização FHC/PSDB, de gigante desemprego. Novamente, teremos milhares de desempregados em casa, dormindo ou vendo TV, decorrente de novas devastadoras privatizações, que por certo virão. Acorda, Brasil.

  3. Prezado Hélio, a história de Portugal, do século XVII em diante, mostra que as profecias pessimistas (ou lúcidas?) do Velho do Restelo estavam certíssimas. A “vã glória de mandar” e a barbárie representadas pelo projeto imperial lusitano conduziram Portugal à condição miserável na qual o país se encontra. Será que a citação da presidenta não se revelará, mais adiante, com um fulminante auto-agouro?

  4. Por trás deste quebra-quebra existe um povo cansado da corrupção a que a presidente passa a mão na cabeça do menino levado e coloca o termo para roubo de “maus-feitos”; existe o dragão da inflação que economistas e ministros mentem estar dominado mas o povo que ganha salário mínimo sabe que não está e faz o lar pegar fogo quando a criança chora de fome; existe a falta de atitude e punição para os que lesam a pátria; existe a repressão e a informação errada e dirigida dos jornalões coberto de dinheiro do povo que deveria ter sido para infra estrutura do Brasil e está nas mãos dos Marinhos ladrões. Por fim existe todo o absurdo que diariamente lemos, vemos e que os 20 centavos de aumento das passagens seria ridículo senão fosse no nosso querido país que políticos estão transformando nesta podridão!

  5. Incompetência, truculência, falta de vergonha.
    Policia corrupta, ineficiente.
    É o povo que paga por tudo isso. Paga para apanhar da “polícia”, paga por governantes miseráveis, que não se preocupam com seu povo, só com obras superfaturadas e mal construídas.
    Demissão já para os “comandantes” dessa tropa imbecil. Prisão para os policiais que descarregam sua frustração em cima de pessoas desarmadas.
    Demissão via urnas para esses “políticos” que se perpetuam na mesmice da corrupção e da falta de imaginação!
    Necessitamos de renovação já!

  6. ANISTIA INTERNACIONAL e nada é a mesma coisa. Eu duvido ela entrar nas janelas
    cubanas ou nos corredores chineses!

    Agora, aqui no Brasil, um País sem comando, todo o mundo mete o fedelho, inclusive, vejam, os índios paraguaios que dizem: “DAQUI NÃO SAIO, DAQUI NINGUÉM ME
    TIRA”.,

    QUANTO ao caso de São Paulo é mesmo uma piada. Os ANARQUISTAS que alí é a menoria,(tem gente boa ali), deitam e rolam. E ainda, reclamam da polícia, dando suas cassetadas no vento.

    ENQUANTO o Gov. não colocar a ROTA nas ruas, não tem saída, a não ser que alguém
    diga: ‘ME CHAMEM O CORONEL ERASMO DIAS”.

  7. De repente, o vilão é a polícia e os manifestantes são transformados em mocinhos! Voltam-se todos contra a polícia e afirmam que os manifestantes só aderiram ao vandalismo após levarem cacetadas. Será? Acaso esses movimentos são espontâneos, não têm comando? Por que se alastram pelas capitais e logo poderão tomar as ruas das principais cidades brasileiras.De onde surgiram aquelas bandeiras, qual o comando que as leva a várias regiões do país? Nada justifica os excessos de ambas as partes (polícia e manifestantes), todavia me parece que as análises dos acontecimentos permanecem na “superfície”. Aprofundemo-las e talvez tenhamos surpresas.

  8. É isso , depois da leitura do Bravo Jornalista Helio Fernandes , nada a comentar somente concordar com tudo que foi escrito. Felizmente ainda nos restou a Tribuna da Imprensa On Line onde podemos constastar a seriedade e o profissionalismo, na grande midia somente cachorrinhos que se dizem “jornalistas” são profissionais com letrtas minusculas mesmo. Deveriam pesquizar e aprender com a Imprensa Internacional o que é Jornalismo. Agora com a internet fica bem facil, mas quem nasceu pra cachorrinho nunca vai chegar a Helio Fernandes, Carlos Chagas Millor , Janio de Freit5as, e outros muitos outros que honram o Jornalismo.

  9. Não acredito que de sã consciência alguém tenha a petulância de escrever o que o sr. Naveira deixou como comentário!
    Não pode ser opinião pessoal, mas um ranço de quase trinta anos que ainda tenta ligar fatos do presente com o passado de forma doentia, obsessiva.
    o PT está no governo há dez anos, tempo de sobra para implementar a política que desejou e achou por bem que era a ideal para o país. No entanto, para este senhor, a ditadura militar que se evaporou com o tempo e FHC ainda são os culpados pelos percalços que o Brasil vive, menos a incapacidade e incompetência petista em resolver nossos problemas conhecidos de todos.
    Esta de manifestantes contrários aos reajustes nas passagens de ônibus pertencerem a grupos ligados à ditadura foi digna de constar nos anais do absurdo, pois os “rebeldes” deveriam ter mais de cinquenta anos, e não jovens como a maioria daqueles que participaram dos protestos com relação ao custo das passagens.
    Quanto à sua definição sobre o mensalão e seu julgamento, o sr. Naveira mostra escancaradamente o seu lulo/petismo exacerbado, contrário ao Brasil, que roubou o povo brasileiro deslavadamente a título de se manter no poder para sempre, subvertendo as instituições e inaugurando um período onde instituiu a corrupção em todos os níveis do governo.
    Então tais crimes não são considerados pelo sr. Naveira, mas somente os cometidos pela ditadura e FHC?
    Deploro este comentário tendencioso, prejudicial ao Brasil e seu povo, sectarista, típico de gente de má fé, que se esforça de todas as maneiras para transferir a governos passados a desonestidade petista, a sua ideologia ultrapassada, a sua partidarização acima dos ideias brasileiros.
    Impressionante como existem pessoas cuja intenção precípua é alterar a verdade dos fatos, mentir, enganar, deturpar, contrários ao esclarecimento, à elucidação, à transparência.
    Pensamentos como os do sr. Naveira demonstram inquestionavelmente as razões pelas quais o Brasil dificilmente alcançará o desenvolvimento necessário, o progresso que tanto esperamos, pois ainda presos atavicamente a períodos que se vão longe, e que resgatá-los neste momento não preencherão as falhas existentes na Educação, Saúde e Segurança e, agora, também na Economia estagnada.
    O sr. Naveira é exemplo da falta de patriotismo, mas um modelo condenável de irresponsabilidade civil!

  10. Hélio Fernandes:

    Muito oportuno seus comentários sobre a manifestação contra o aumento das passagens de ônibus. Reclamavam muito da truculência das polícias no regime autoritário, no entanto, na “democracia” está sendo muito pior. Jamais poderíamos imaginar tanta violência contra jovens, em sua maioria nas ruas de São Paulo. Balas de borracha sendo disparadas a esmo contra cidadãos desarmados, jornalistas presos, um fotógrafo atingido no olho (em vias de perder a prisão), prisões arbitrárias e ninguém do poder público faz nada para conter a barbárie do poder armado e pago com nossos impostos. Sem dúvida, o fato será explorado na época das eleições gerais em 2014. O povo não esquecerá a violência da polícia do governador Geraldo, que pode estar dando adeus a sua sonhada reeleição. Perderá o bonde da história, como perdeu no segundo turno para LULA, quando se acovardou na defesa do governo FHC, ao ser emparedado pelo ex-metalúrgico que afirmou o viés do tucanato a favor da privatização desenfreada inclusive da Petrobrás.

    Quanto ao prefeito da maior cidade do Brasil, que se recusou a negociar e só agora após a repercussão internacional quer falar com os supostos líderes. Não será reeleito com certeza daqui a quatro anos. Perdeu-se na omissão aos fatos. Um líder deve antes de tudo se antecipar a onda que se aproxima com velocidade.

    Uma enorme diferença das atuais manifestações de rua em comparação ao período da marcha dos 100 mil de 1968 é o fato da espontaneidade e a falta de lideranças políticas, por isso as forças de segurança estão em polvorosa, pois não sabem como combater o foco na sua origem e assim estão completamente perdidos.

    Quanto à menção ao “velho do restelo”, o pessimista crônico personagem de Camões, não alcança o povão na dimensão desejada pelos marqueteiros, trata-se de um recado para os formadores de opinião. Na verdade, o “velho do restelo” é uma característica das oposições a todos os governos constituídos na democracia ou nos regimes autoritários. Nenhum governo gosta de críticas, pois acham sempre que suas políticas são as mais corretas possíveis e os opositores não elogiam por motivos óbvios. Nesse diapasão, os petistas rechaçaram o Plano Real afirmando que não daria certo, nesse caso agiram como o velho do poema de Camões. Quando foram contra a abertura da economia de Collor, quando proibiram seus parlamentares de votarem em Tancredo no Colégio Eleitoral e criticaram as privatizações de FHC agiram também como o “velho do restelo”. Logo, tudo existe dependendo do ângulo de visão do observador. Na oposição é uma análise no governo é outra completamente diferente.

    Alea jacta est.

  11. Certa vez assisti um programa do PSDB que tinha o refrão “se fosse fácil, alguém já tinha feito”.
    É muito cômodo para o articulista de forma contumaz e perene (como se fosse um vício insaciável) “meter o pau” em tudo que é assunto de governo. Parece o lema uruguaio: Hay gobierno, soy contra!!.Então, acho que seus comentários, de tão ácidos, foi o que causou a incurável azia no LULLA, embora ache que as petralhadas tenham colaborado bastante. Mas voltando à vaca fria, recordo-me quando o J Edgar Hoover foi questionado por um congressista sobre quantas prisões havia feito, ele teve que dizer nenhuma, embora estivesse na cúpula do FBI. Fazendo um paralelo, não acredito que esse articulista tenha sentado praça ou mesmo tenha ido para a linha de frente para sentir o gosto amargo da pólvora e o barulho ensurdecedor de bombas, sejam elas de qualquer natureza. Assim, “baixar a lenha” sem estar presente fisicamente nos acontecimentos, ou mesmo ter a mínima ideia de como as coisas acontecem, tornam sua opinião odienta e tendenciosa irremediavelmente despojada de credibilidade, é mais uma porcaria de opinião que só serve aos seus interesses frustrados, talvez.
    Quem conhece o mínimo dessa situação crítica, sabe que até se dar o início das hostilidades tudo ainda poder ser comandado e obedecido fielmente. No fragor do embate, as coisas saem de controle e nada pose ser corrigido com precisão os excessos que fatalmente serão cometidos. Somente uma tropa pequena, tipo COMANDOS, bem treinada e preparada exclusivamente para tais afazeres poderia ter algum sucesso quando “toca-se o foda-se”.
    Espero que esse TEMÍVEL E DIDÁTICO articulista, que tem na mão um porrete em vez de uma caneta, tenha juízo e moderação para emitir opinião sobre algo que desconhece.
    Gostaria de dizer-lhe ainda: Ainda é cedo para V. Exa. se candidatar ao Executivo e Administrar segundo seus dogmas e entendimentos, mas primeiro é preciso o sufrágio das urnas.
    Resumindo, sua opinião raivosa é realmente desprezível.

  12. Prezado repórter, parabéns mais uma vez, brilhantes análises. Mais cedo ou mais tarde a “Primavera Brasileira” vai chegar… não vai adiantar muito não… como as outras, pode terminar em pizza ou samba… os preços dos transportes coletivos não são irrisórios, são abusivos. Imaginem quem tem que pegar de casa ao trabalho e volta 6 ônibus diários? Os partidos de esquerda, de direita e de centro acomodam-se e afastam-se do povo. Em Portugal , quado fizeram a Revolução dos Cravos, o tal bilhete único era válido para o mês inteiro, em quase todos os transportes. Eu vi, eu estive lá… logo depois, trataram de murchar os cravos… na antiga União Soviética,li alhures, o preço dos transportes coletivos ficaram congelados durante 40 (quarenta)anos. Sugiro um meio termo, congelar ad eternum o preço em 1 (hum) real, sendo: 0,25 centavos para o Governdo Federal, 0,25 para o governo estadual, 0,25 para o empresário e 0,25 para a manutenção dos veículos. Os passageiros ganham no congelamento. Meu camarada, já falecido, exilado na Argélia e especialista no setor, no governo Brizola dizia que transporte público não é para dar lucro e o governador Leonel que sabia das coisas, estatizou várias empresas de ônibus, quando Moreira Franco chegou com o PMDB,reprivatizou. PPP = Povo perde perpetuamente.

  13. Segunda Feira … EU, familiares e amigos estaremos na rua, nos protestos!!! Vizinhos!!! Vem gente dos subúrbios!!! Levarei comigo a minha garganta, para gritar contra os bandidos e ladrões que submetem o povo a esta situação humilhante!!!
    A Hora É Esta !!!!! Ei, vocês, cheios de teorias e blablablas acadêmicos, repletos de números falaciosos!!! Insensíveis!!! Desumanos!!! Gente que se cala diante da covardia dos governantes para com o povo!!! Poderemos ser derrotados, mas não deixaremos de lutar!!!
    Os serviços públicos brasileiros são uma excrescência!!! Lutemos contra isto!!!

  14. Tudo indica que os terroristas, nas manifestações de rua em São Paulo, foram os próprios policiais. Soldado é pau-mandado: cumpre ordens de comandantes que cumprem ordens dos maiorais. A pergunta é a seguinte: por que os índios, MST e outros picaretas protegidos podem invadir e depredar o patrimônio público sem qualquer ação por parte das autoridades? Por que o cidadão, em sua manifestação pacífica, não pode “encher” a Av. Paulista sem que seja massacrado? Afinal, a rua não é do povo? O que veio depois parece que foi, fatalmente, uma repulsa pela ação da polícia, articulada, lamentavelmente, por esses partidinhos merrecas. Energúmenos na administração pública, políticos hipócritas e desonestos governando… Mas, cá prá nós, o povo tem sua culpa ao eleger esses imbecis. Mas, como muitos governantes são rechaçados pela população, fica a desconfiança da existência de fraude nas urnas eletrônicas. Alguém duvida?

  15. Senhores,

    Geralmente evito tecer comentários que possam ofender as pessoas mas, nesse caso, não encontro outra frase:

    -COMO PM É BICHO BURRO! Parece que a farda embota a visão, impede de ver um palmo além do nariz e atrapalha a percepção da diferença existente entre o CIDADÃO e o BANDIDO! O resultado é que ele quer tratar os dois da mesma forma! Quer tratar uma manifestação de cidadãos como se fosse composta por pessoas ligadas ao PCC ou ao CV Seria uma falha no ADESTRAMENTO ou seria um efeito colateral intencional?

    O senhores já se esqueceram dos quase trezentos bandidos que saíram da favela Rocinha em novembro de 2011, ARMADOS COM FUZIS e sob proteção do Estado, na véspera da “pacificação”? Pois é! Ali os bandidos seguiram em paz, com a bênçao das autoridades!

    Abraços.

  16. Não sendo algumas editoras seculares e, hoje também virtuais (acesso dependendo da área de especialização à bagatela de 2000 a 8000 dolares/ano), especializadas e consolidadas no Mercado do Saber, ou iniciativas pessoais de solitárias, abnegadas, quixotescas e generosas almas, o universo midiático (bem como os centros de ensinamentos do jardim-de-infância até aos 4 ou 5 primeiros anos em nível universitário), não oferece material que possa servir de padrão para um debate em fórum científico, muito pelo contrário, tornou-se instrumento das logísticas mais funestas de obscurantismo e perpetuação da barbárie/miserê em versão de bala-jujaba, goma-de-mascar e fraldão aos arredores de consultórios virtuais de pediatria, geriatria e psiquiatria.
    O que dá alento nesta vadiagem de 6 meses por cá, não fosse a beleza das mués e temporária aquisição em torno de 60 palavras no Português-BB (um grande feito, vez que o vocabulário de Lulla não alcança as 80 em marcha-ré e embriagada), diga-se, sem mágoa, seria inócua e sem lastro no mercado das ideias…acabei engulindo muito sapo e dragão cuspindo fogo. Saindo dia 22/06 de cá, para poupar minha maloca lá, passo em Angola para descarregar os diabos e rogações-de-pragas.

    No Aeroporto Internacional Tom Jobim (Bem feito, quem mandou ser bossa-novista!), ainda no setor de embarque, como de práxis e poupar o pânico no convívio a bordo, uma voz de doçura angelical, anuncia:
    – Entre vocês uma figura de nossa mais especial confiança, Vite Sandeu e Muar…não fala a nossa língua, mais também não late nem morde.

  17. Hélio, desde que Lula foi eleito, o PT não se conformou, partiu para o esmagamento do PSDB: Transformou São Paulo em uma terra perigosa. Primeiro foram os incêndios antes das eleições de 2006(diziam que era obra do PCC). Depois o “rosário” de crimes os mais cruéis e assombrosos; continuando os incêndios de ônibus , sempre na proximidade das eleições. Agora esse tumulto provocado pelos petistas. Você comenta e nós respeitamos. Mas, em qualquer lugar do mundo a polícia nunca tem razão. Quando digo que é o PT é verdade. Veja o ministro da Justiça José Cardozo(do PT)condenando a polícia. Veja Haddad(do PT) que combinou com Alckmin o aumento, tirou o corpo fora dizendo que a polícia usou de violência. Se a polícia cruza os braços é condenada; se usa de força houve abuso. Certo é que O VANDALISMO EM TOM MAIOR É FLAGRANTE; MILHÕES TEM QUE SEREM GASTOS PARA REPARAR OS PREJUIZOS. Tudo isso recae sobre quem? Sobre o governo de São Paulo. É o governo quem comanda a PM. O PT aperfeiçoou-se em corrupção, com mensaleiros, aloprados, dizem assassinos, rouba e corrompe. Lula já implantou a “república sindicalista” que Getúlio e Jango queriam implantar em 1954/64 segundo a eleite estrábica e burra. Teoricamente a “república sindicalista” viria pela esquerda com Getulio e Jango. Hoje ela veio pela direita com o PT. Se o PT ganhar a presidência em 2014 e o governo de São Paulo,a república estará consolidada; teremos um novo PRI igual ao México.

  18. “Quem não reagiu está vivo”

    A ignorância de quem não consegue associar os protestos em SP a séculos de agressões à vida pública é tão violenta quanto as balas e as bombas de gás lacrimogêneo

    por Matheus Pichonelli — publicado 14/06/2013 16:10, última modificação 14/06/2013 17:40

    56 comentários e Nenhum comentário

    Mídia NINJA

    pm ninja
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    Daqui a alguns anos, quando a história dos confrontos entre a população e a Polícia Militar de São Paulo for contada, poucos vão dizer que “tudo começou” com uma reação (proporcional ou não) ao reajuste das tarifas de ônibus na maior cidade do País. Da mesma forma como a Primavera Árabe não é lembrada hoje como um movimento de comerciantes em solidariedade a Tarek bin Tayeb Bouazizi, o vendedor de verduras que, cansado de ser subornado e agredido por fiscais de impostos do governo, se imolou em dezembro de 2010 e deu início à revolta que derrubou o ditador da Tunísia e se espalhou pelo Egito, Líbia e Síria, os protestos em São Paulo não podem, não devem nem serão reduzidos a um conflito provocado por “baderneiros que aviltaram o Estado democrático de Direito e causaram transtorno ao trânsito da metrópole”. Isso apesar dos esforços de editorialistas, apresentadores de tevê e usuários de redes sociais (não necessariamente de transporte público) para resumir o conflito como um episódio raso passível, como quase tudo, de ser narrado em 140 caracteres.

    A redução, típica de uma cultura que nomeia vilões e mocinhos até em jogos de futebol, escancarou ignorâncias ancestrais que agride olhos, bocas, narinas e orelhas mais violentamente do que as bombas de gás lacrimogêneo espalhadas pela capital. O festival de bobagens, reduções e elogios à truculência produzidas do episódio é só a vitrine de um período estranho.

    Quem aprendeu a procurar os comos, ondes e porquês das coisas sabe que o estopim das manifestações vale mais do que vinte centavos. Tem origem na história recente e só quem é incapaz de ligar os pontos e identificar a sincronia de eventos complexos pode reproduzir, em discursos ou bombas de gás, o argumento de que 20 centavos não valem uma bandeira.

    O movimento que aglutinou a revolta está ligado à demanda do transporte público coletivo. Ponto. Mas a revolta tem origem diversa. Uniu quem está cansado de ser empurrado em ônibus e metrô. De ser tratado como cavalo para seguir a rotina. De tomar cotovelada para subir degrau. De pagar cada vez mais por cada vez menos. De se segurar nas alças do ônibus ou vagão para não se arrebentar na primeira esquina. Mas uniu também quem está cansado de ser tratado como inimigo por um Estado constituído, por lei, a partir do princípio da justiça, da igualdade e da liberdade de ir, vir e se manifestar. E está cansado de não se sentir protegido nem representado. Que cansou de fingir viver em uma democracia plena por apertar alguns números (quase aleatoriamente) em uma urna eletrônica a cada dois anos.

    Para funcionar de fato, uma democracia deve ser fundada em instituições sólidas, transparentes, capazes de dialogar e prestar contas. Tudo isso ainda é ralo e raro por aqui. Tanto a Justiça como a cúpula do Legislativo e Executivo – quem define, afinal, as políticas públicas de segurança e transporte – é composta por quem toma decisão se gabando de se lixar a quem contesta, a quem pergunta, a quem, num átimo de infelicidade civil, resolve se questionar sobre a vigência das normas. Normas que, inconscientemente, te pedem para sentar, calar, obedecer, bater palma e participar da vida pública somente a cada dois anos, para eleger um novo poste cercado por decisões arbitrárias, e não consultadas, por todos os lados.

    Quando um grupo sai às ruas dizendo “queremos algo mais que isso”, não são 20 centavos que estão em jogo. Os métodos podem ser questionados: os exageros, quando pontuais, podem ser execrados, investigados e punidos. Se a polícia tivesse interesse em evitar a depredação de patrimônio ou garantir o trânsito nas vias arteriais da cidade, acompanharia a manifestação, identificaria os exageros e responderia de acordo com a lei. Seria uma carga de inteligência a uma polícia estruturada para obedecer e fazer com que se obedeça. Mas quem, em tese, deveria colocar ordem ao caos foi treinado para baixar a cabeça ao superior e tratar o cidadão, abaixo dele, como inimigo. Protege o patrimônio estourando os olhos de quem está protestando ou voltando do trabalho. Responde aos exageros com exagero – mas um exagero militarizado, armado e covarde de seus superiores sentados sobre o dito monopólio legítimo da violência.

    O resultado está aí: incapazes de identificar eventuais criminosos em um grupo de demanda específica, rasga-se anos de blablabla sobre garantia de direitos individuais e serviços à população distribuindo borrachas e bombas ao léu. A prisão do jornalista Piero Locatelli e a agressão aos cidadãos e profissionais de alguma forma envolvidos nos protestos é simbólica em vários sentidos. Todos foram punidos por terem questionado, ou se aproximado de quem questionou, o porquê das decisões – a princípio tomadas para protegê-los. No vídeo gravado pela equipe de CartaCapital, Locatelli pergunta insistentemente por que está sendo preso e onde a lei, que vale para ele tanto quanto para os soldados em serviço, explicita a proibição de vinagre na mochila – o vinagre, como se sabe, minimiza os efeitos do gás lacrimogêneo. Se procurava respostas, procurou no lugar errado: a tropa da PM não foi feita para responder nem perguntar; foi feita para a guerra. Em tempos de paz, sobrou para todo mundo.

    Se a cúpula da Segurança Pública de São Paulo tucana, com a vexatória posição de barricada da prefeitura petista, imaginava que a cidade teria paz a partir de bombas e cassetetes, a estratégia falhou feio. Quem na semana passada fez pouco caso para quem está cansado de ser maltratado em ônibus e metrôs (nas vias públicas, enfim), agora viu que o problema é também dele.

    Quem preferiu colocar para trabalhar dois, nãos mais que dois neurônios, em meio ao episódio, percebeu que a crise teve agora um estopim, mas estava adormecida há anos. Puxe o caso Alston pela memória e pergunte o quanto os desvios investigados na Europa e silenciados por aqui renderiam em quilômetros de linha viária em uma cidade de linhas enxutas.

    Memorize os casos de atropelamento, de agressão no trânsito, de incentivos e vistas grossas à sua individualidade a custa de espaço e quatro rodas.

    Recorde-se das mudanças de traçado para a Copa conforme as cartas privadas colocadas à mesa (alguém se lembra do veículo leve sobre os trilhos que ligaria o aeroporto de Congonhas ao Morumbi?).

    Mas lembre-se também do caso Aref e dos esquemas milionários para liberar empreendimentos tampouco milionários em uma cidade saturada.

    Capte na memória quantas armas foram apontadas no seu rosto em assalto sem que houvesse qualquer viatura por perto fora dos limites dos Jardins.

    Indague-se sobre as carteiradas. Sobre as certidões pra nascer e as concessões pra sorrir de que fala a música de Chico Buarque.

    Releia as reportagens sobre traficantes que colocam ordem na periferia, uma ordem compartilhada por milícias que dizem garantir sua segurança sentadas em um pacto de não-agressão com o crime alimentado pelos mesmos bairros chiques.

    Ou sobre o aumento do número de homicídios e latrocínio, das execuções sumárias registradas sob o lema “quem não reagiu está vivo”, sobre sistemas prisionais abarrotados de negros e pobres que cometeram os mesmos crimes (muitos de penas já cumpridas) de brancos e ricos (mas presos, como diz a música, são quase todos pretos, ou quase pretos, ou brancos quase pretos de tão pobres).

    Lembre-se do funil social que faz o shopping feito para a sua família – o mesmo autorizado a expandir as suas obras por vias escusas – que aos sábados parece reunir a população da Suécia num país de brancos, negros e mestiços.

    Se você é incapaz de ligar os pontos, não há o que fazer se não lamentar: você, como o soldado que não sabe dizer a relação entre o vinagre e a violência, foi treinado apenas para ver a realidade em partes não-conectadas. É o que se chama de alienação.

    Mas se você é capaz de caminhar só um pouco mais fundo, não vai precisar de muito esforço para saber por que estão todos cansados, por que os agora muitos estão gritando e por que é preciso matar agora (com bombas de gás e de desonestidade intelectual) um movimento até então pouco conhecido que tomou forma há menos de uma semana.

    Se um grupo relativamente pequeno conseguiu se organizar e mostrar tanto sobre tantos pontos até ontem desconexos, o que fariam os cidadãos tratados todos os dias aos pontapés se resolvessem sair às ruas para questionar o estado das coisas e a fragilidades dos seus direitos? As centenas que viraram milhares se tornariam milhões. No país das soluções negociadas, da troca de bastão que muda tudo para tudo permanecer como está (da monarquia para a república, da ditadura para a democracia, do escravismo formal para a escravidão não decretada, da lei formal para alguns para a lei para todos que só funciona para alguns), não sobraria um engravatado para contar a História, esta sim alavancada com H maiúsculo.

    registrado em: violência são paulo passeo

  19. Eu já havia comentado aqui sobre o crescente enfurecimento da classe média brasileira contra o estado em que esses petralhas deixaram o Brasil. A “filósofa” Marilena Chauí ainda veio a público, recentemente, agredir a classe média com a sua costumeira verborragia e baboseira esclerótica. E agora, quando apenas houve um esboço de reação, os petralhas se infiltraram nas justas e livres manifestações, para tentarem desviar o seu foco. Ainda tem comentarista aqui achando que isso é coisa de direitistas. Ora, esses esquerdopatas não enganam mais o povo. Quem está com a paciência esgotada somos nós, trabalhadores, gente honesta, que somos contra esse assalto monstruoso diário que estão praticando contra nós. Somos contra infiltrar ministro no STF para livrar a cara dos companheiros ladrões. Somos contra essa carga tributária totalmente desequilibrada em relação ao que recebemos em serviços públicos. Somos contra torrar essa fortuna extraída de nós para construir estádios caríssimos e totalmente desnecessários, enquanto não temos presídios, não temos escolas, não temos hospitais, não temos creches. Ora, protestar contra esse governo do crime organizado não é ser de direita. É NOSSO DIREITO. E saiam da frente, porque nós seguiremos até arrancar esses petralhas do governo.

  20. O comentário dos senhores Aquino e Chicão da Serra, trazem embutidos os mesmos recados que eu deixara acima com referência à mania petista em se esquivar de suas responsabilidades com o Brasil.
    Diante das eleições também aos governos estaduais no próximo ano, São Paulo e Rio são as princesas a ser conquistadas pelo PT, que se vale de qualquer expediente para enfraquecer os atuais governos.
    Em se tratando do Rio, onde resido, a mudança será feita naturalmente, conforme a trágica administração do sr. Cabral, entretanto, em São Paulo, a disputa será bem mais acirrada.
    Que tais manifestações “populares” onde muitos escondem o rosto através de máscaras que chegam a causar curiosidade a respeito de se manter anônimos diante de movimentos democráticos são pistas importantes à violência empregada contra os policiais e prédios, e estes devolvendo em grau maior, muitos dos manifestantes participam de maneira legítima, mas sendo usados pelos mais agressivos cuja intenção não é reclamar sobre o aumento da passagem de ônibus, mas a instabilidade social com vistas a culpar o governo que querem vencer ano que vem.
    O povo que não tem como interpretar corretamente certos movimentos e suas reais intenções, acredita que está colaborando em forçar os preços a se manterem nos mesmos patamares, quando, na realidade, está sendo massa de manobra pelos mais espertos comandados por dirigentes partidários que querem essas instabilidades como desgastes até às próximas eleições.
    Todo o cuidado é pouco!

  21. E lá se vão 20 longos anos sem comando de nada.
    Apenas está ‘preparado” para eleições, ao término delas, esquece tudo as promessas de campanhas
    Mais um mentiroso asqueroso desses que pululam por ai
    E vejam mais, geraldo/serra quer mais 4 anos de incompetencia sómente para ele.

  22. C.Ficher estás corretissímo no que escreves. Sintetizaste os tristes acontecimentos, colocando os pingos nos “is” de maneira admirável.

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