A política como dever

Mauro Santayana
Em seu discurso no Theatro Municipal, o papa Francisco defendeu o primado da política. Ele não disse, nem lhe era necessário dizer, que só a política assegura a sobrevivência da sociedade humana. Política, entendamos, significa a participação de todos, sob a liderança de homens capazes, na escolha de representantes para elaborar as leis e dirigir o Estado. O pontífice (e pontífice é aquele que projeta e edifica pontes) volta ao princípio basilar da ação política, que é a realização do bem-estar comum da sociedade nacional. Desde que o homem criou a linguagem, e passou a conviver em grupos maiores, ele exerce os atos políticos, porque política é, ao mesmo tempo, a organização do convívio e a administração dos conflitos.
Os atos políticos estão inseridos na esfera do cotidiano. Eles são um esforço permanente, nunca concluso, para que a Humanidade não pereça. Não é por acaso que o Papa citou o profeta Amós e sua objurgatória contra os opressores. Ele, com o exemplo bíblico, mostra que Deus não aceita a injustiça, não compactua com a glorificação do lucro, obtido com a desalmada exploração do trabalho daqueles que alugam seus braços em troca de salários aviltantes. Ele poderia valer-se de inumeráveis advertências semelhantes, encontráveis em Isaias, na única epístola de Tiago e, praticadas, nos Atos dos Apóstolos.
Deus, em nossa visão temporal e amarrada ao silêncio da matéria, é a palavra que encontramos para identificar o Absoluto, onde se escondem as imperscrutáveis razões da vida. Só a Fé, que obedece à lógica, mas não à ciência, é que dispensa a filosofia pedestre, e dá ao homem a força da esperança.
RATZINGER ESVAZIATeólogos atentos encontraram, nos últimos escritos de Ratzinger, os sinais de  debilidade diante das exigências de sua missão. Ele tenta esvaziar a mensagem política da vida de Cristo e nega a história de sua própria Igreja que, para o bem e para o mal, foi, e continua a ser, uma presença política.
Coube à Igreja, na Alta Idade Média, conservar a racionalidade greco-romana, nos territórios do Império invadidos pelos bárbaros, e aos muçulmanos manter o saber antigo em seus livros e nos grupos de sábios – os da famosa Escola de Bagdá.
Ora, essa evidência tão clara é negada pelo papa Bento 16. Em sua interpretação, não foram políticos pervertidos pela luxúria e pela simonia, por exemplo, homens como Rodrigo Bórgia, Giuliano della Rovere e Giovanni de Médici, que sob os nomes de Alexandre VI, Júlio II e Leão X, governaram a Igreja de 1492 a 1513: os anos mais escuros de toda a História do Papado.
Não há outra explicação: o discernimento do Cardeal Ratzinger não era o de um homem em pleno domínio da razão, e a sua escolha para ocupar o trono de Pedro pode ser vista como vitória política do Cardeal Bertone que, associado a Wojtyla, vinha dividindo com o polonês o governo da Igreja.

Há, mesmo na hierarquia brasileira, uma tentativa de reduzir a visita do Papa, de esvaziar a  mensagem evangélica, que reclama dos jovens a responsabilidade da reabilitação da política. Embora cauteloso em alguns momentos, Bergóglio deixou muito claro o seu pensamento – ele se encontra ao lado de Leão XIII, de Pio XI e de João XXIII – e bem distante de Pio X, de Pio XII e de João Paulo II.

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5 thoughts on “A política como dever

  1. Cada pessoa é única. A genética hoje prova.
    Quando a pessoa é democrata aceita a diversidade de pensamento, pois ninguém é igual a ninguém e tem o direito de se expressar á sua maneira.
    No entanto, como sempre, santayana, um emperdenido fascistinha vermelho não aceita isso. E aqui está ele criticando Ratzinger por ele não pensar da maneira que ele, santayana, quer.
    E a partir disso, ele escreve suas baboseiras com o fim estabelecero certo e o errado á luz de sua ideologia obscura. Como todas.
    Enfim, enquanto tiver cavalo santayana não anda a pé.

  2. Jornalista Santayana,

    Desejo explicar a mudança do canal 20 da Rede Vida para 162. É uma intenção de apagar a vitória do Santo PAPA e da Igreja Católica.
    Abrindo o canal 20 na tela aparece a Legião da Boa Vontade. Uma grande organização filantrópica que eu assistia na era de Alziro Zarur. Muitos não sabiam ou não sabem da mudança, portanto, ficam sem saber o que havia acontecido com a troca de canais. E assim tentam apagar a visita vitoriosa do Santo PAPA ao nosso querido Brasil.
    Apesar dos acontecimentos Ela nada tem com a mudança.
    Mas, vou expressar meu repúdio cancelando o contrato com a provedora SKY.

  3. Agora então entendi o primeiro comentarista. Apregoa contra a religião, ataca comentaristas que discordam de seus chavões em vinil, taxando-os de religiosos e fanáticos, mas é um tremendo religioso ratzinguista por servir aos seus interesses ideológicos. Agora, o mineiro anseia até por derrubar do cavalo o septuagenário gaúcho que lhe incomoda.

  4. Que septuagenário coisa nenhuma. Acabo de investigar que o articulista já é octogenário. Consta em seu vasto currículo que andou até a pé pelo Uruguai e outros lados para sobreviver, após trabalhar com o escritor, grande educador uberabense e membro da ABL Mário Palmério nos anos 60. Então já tem experiência em queda de cavalo, ao contrário desse inexpressivo crítico mineiro que certamente nunca enfrentou o batente no estrangeiro em condições adversas e indocumentado.

  5. Mauro Santayana é uma laranja podre.
    Tenta de maneira sorrateira colocar a missão do papa Francisco no mesmo nível das baboseiras de Leonardo Boff que nada mais é que outra laranja podre.
    Demente militante comunista, propagador do mal e da destruição Santayana quer enganar os menos atentos com essa conversa de que socialismo-comunismo é Jesus Cristo.
    Aborda assuntos históricos como se fosse grande estudioso, mas quer apenas confundir.
    Esse decrepito militante, repito, não passa de uma laranja podre. Tenta de maneira descarada apodrecer os desavisados com lero lero – como bem já avisou o filosofo Olavo de Carvalho – de lobo de sabonete.
    Mas o que ainda surpreende, é encontrar idiotas para defende-los e espaços para divulgar suas ideias e mensagens com o único proposito de sempre confundir ao descrever coisas que só existem em sua deplorável cabeça.

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