A Prefeitura vale tanto?

Carlos Chagas

A pergunta que se faz é se a prefeitura de São Paulo vale tanto assim. Há vinte anos o PT suspendeu de suas fileiras, quer dizer, expulsou a deputada Luiza Erundina porque ela aceitou integrar o ministério de união nacional de Itamar Franco. Aliás, um dos governos mais honestos de que temos notícia. Agora, por coincidência com a mesma Erundina caindo fora da trapalhada, o PT celebra acordo com Paulo Maluf para ter direito a mais um minuto e meio de tempo de televisão na propaganda eleitoral gratuita. Tudo visando afastar de Fernando Haddad a sombra da derrota na disputa pela prefeitura paulistana.

Quer dizer, os companheiros perderam outra vez Erundina, ganharam Maluf e nem de leve alteraram as previsões sobre os resultados da eleição. Uma confusão dos diabos, com direito à humilhação fotográfica do Lula. A perda do passado sem nenhum voto de lucro, muito pelo contrário.

O quadro só não ficou pior, em matéria de desmoralização, porque os tucanos de José Serra tentaram o mesmo resultado, isto é, conquistar o apoio de Maluf, malogrando depois que o PT ofereceu mais.

Há quem suponha estar a prefeitura de São Paulo funcionando como tijolo de sustentação na disputa pelo palácio do Planalto, em 2014. Ninguém garante, pois eleições presidenciais não constituem fórmula matemática. Tanto PT quanto PSDB perderam espaço numa hipotética campanha pela sucessão de Dilma Rousseff, na verdade a maior prejudicada com a lambança praticada por seu antecessor. Afinal, a imagem da presidente da República começa a ganhar as telinhas, pedindo votos para Fernando Haddad. Quando ela anunciar que pretende a reeleição, aproveitará mensagens do candidato hoje condenado a nem chegar ao segundo turno?

Quem comemora estar o PMDB livre do vexame de seus concorrentes deve ter cautela. Por enquanto o candidato Gabriel Chalita parece imune a iniciativas celeradas como as do PT e PSDB, mas como o deputado não demarrou nas pesquisas, quem sabe tudo venha a ser permitido?

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QUANTOS FORAM?

Prestariam grande serviço ao Congresso os presidentes da Câmara e do Senado caso acompanhassem e divulgassem o nome dos deputados e senadores que compareceram à Rio+20. Mesmo aqueles que não demoraram mais de quinze minutos nos salões do Riocentro. Depois, seria fácil fazer a conta de diminuir para se ter o resultado de quantos, sem aparecer em Brasília, também não deram as caras na antiga capital.

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UM LIVRO IMPERDÍVEL

Para quem se decepciona com os lances primários da política nacional, torna-se imprescindível ler com atenção o recém-lançado livro do historiador Lira Neto, primeiro de uma trilogia sobre Getúlio Vargas. Um primor de reconstituição dos anos iniciais daquele que até hoje foi o maior dos presidentes brasileiros. Não apenas pela firmeza de ideais, como pela arte da dissimulação, Vargas deixa antecessores e sucessores nas profundezas.

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DESESPERO EXPLÍCITO

A cada dia que passa mais aumentam as agruras dos 38 mensaleiros que a partir de agosto estarão sendo julgados no Supremo Tribunal Federal. Há quem suponha que não escapará nenhum da condenação, mesmo vindo a ser parcimoniosas as penas de cadeia. Como se trata da mais alta corte nacional de justiça, não haverá recurso das decisões. Nomes famosos e nomes obscuros unem-se no desespero explícito pela chegada de agosto. Também, bem feito…

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