A Primavera Árabe pode se transformar num Inverno islamita

Carlos Newton

É interessante o noticiário das TVs e até de alguns jornais e revistas sobre as eleições presidenciais no Egito. Os repórteres comportam-se como se o país subitamente tivesse se transformado numa democracia exemplar. As informações que passam são festivas e superficiais, não descem a detalhes sobre a gravíssima situação econômica e social do país, que está sob risco de retrocesso político-institucional.

Na verdade, a primeira eleição presidencial livre (?) no Egito está sendo disputada está entre dois candidatos islamistas e dois seculares com passado ligado ao ditador Hosni Mubarak.

Mas as pesquisas são consideradas pouco confiáveis e ninguém arrisca uma previsão. O repórter Marcelo Ninio, da Folha de S. Paulo, diz que a incerteza é tamanha que um analista do jornal estatal “Al Ahram” apelou para a astrologia, que tem uma longa tradição no Egito.

“Segundo ele, os astros indicam que os finalistas serão Amr Moussa, ex-chanceler de Mubarak (1991-2001), e Abdel Aboul Foutouh, islamita independente considerado moderado. Ambos são librianos. O futurólogo lembra, porém, que a balança também é o símbolo do partido Liberdade e Justiça, da Irmandade Muçulmana”, diz o repórter da Folha.

É aí que mora o perigo. Pela força das urnas, a tão proclamada Primavera Árabe pode se transformar num Inverno Islamita. Os partidos religiosos, que tentam subordinar a política ao misticismo, ganharam a eleição parlamentar no Egito. Portanto, o mais provável é que  ganhem a também a eleição presidencial. A situação não é diferente nos outros países árabes. Que Alá nos proteja dos muçulmanos radicais.

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