A primavera árabe se transforma em outono e o Egito está à beira de um retrocesso político.

Carlos Newton

Conforme previmos aqui, os islamitas estão vencendo as eleições no Egito, o que comprova a importância e o envolvimento da religião na política local. Lá a eleição é em três turnos. Se a tendência do eleitorado se confirmar, as duas maiores forças no Parlamento serão a Irmandade Muçulmana e o Al Nour, um partido islamista ultraconvervador, que não aceita práticas ocidentais e submete as mulheres a costumes medievais.

E isso acontece exatamente no Egito, que é o pais árabe mais ocidentalizado e pode sofrer um surpreendente retrocesso político, desmoralizando a tão propagada “primavera árabe”.

As estimativas são de que o Al Nour, de orientação salafista, tenha obtido 25% dos votos nas primeiras eleições da era pós-Hosni Mubarak. Em primeiro lugar, com 40%, deve estar o braço político da Irmandade Muçulmana, representado por islamistas moderados. O resultado definitivo, inicialmente programado para quinta-feira, deve ficar apenas para sábado.

Nas complicadas eleições egípcias, os eleitores votam em três etapas, de acordo com a região em que moram. Em disputa, estão as cadeiras da Assembleia do Povo, a câmara baixa do Parlamento. Para a câmara alta, chamada Conselho da Shura, a votação começa apenas em janeiro.

Em comunicado, a Irmandade Muçulmana negou qualquer movimentação para formar uma aliança com os salafistas que possa levar a um governo islamista. A nota mostra que o partido tenta se equilibrar para conquistar a confiança do Ocidente e acalmar suas alas mais conservadoras. Mas logo chegará a hora da verdade, quando tiver de ser montado o novo governo.

A situação é preocupante. Sabe-se que muitos cristãos coptas, que formam 25% da população egípcia total, que é de 80 milhões de pessoas, já estão procurando abrigo no exterior.

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