A prisão de Nem pode unir facções rivais

Paulo Peres

Os acordos entre o governador e os traficantes para “pacificação” das favelas denunciados pelo Hélio Fernandes, agora, devido a prisão do “Nem” deverão acarretar novos tipos de entendimentos entre o corrupto governador Sérgio Cabral e a união da facções rivais e, sem dúvida, ainda mais rentáveis para o “cofrinho” do Cabral e sua trupe.

O coronel da reserva da Polícia Militar e ex-secretário nacional de Segurança Pública, José Vicente Filho, lembra que na Rocinha, a instalação de uma unidade de Polícia Pacificadora (UPP) é essencial, por possuir um “fator simbólico importante”, pois o local é um grande reduto eleitoral, razão pela qual, pelo menos até as próximas eleições, o governo não vai abrir mão de uma ocupação efetiva da Rocinha.

Por outro lado, a prisão de Antonio Francisco Bonfim Lopes, o “Nem”, que comandava o comércio de drogas na maior favela do Rio de Janeiro, a Rocinha, deve levar o tráfico no Estado a adotar um novo perfil, afirma o coronel da reserva. Ele aposta numa atuação mais discreta dos criminosos e considera a possibilidade de união entre facções rivais.

Segundo José Vicente Filho, “vai haver uma adaptação do trabalho do tráfico. Toda vez em que se mexe, incomoda, provoca-se essas adaptações, você acaba reduzindo a quantidade de drogas, criando dificuldade. Isso já vinha sendo detectado desde a entrada no Complexo do Alemão, que era outro grande centro de distribuição. O tráfico vai adotar um outro perfil, menos violento e mais discreto, sem a exibição de armas ou controle extremamente rígido dos territórios”.

Entretanto, não se descarta a hipótese de esses grupos rivais se concentrarem num esforço cooperativo, ao invés da rivalidade brutal que existe hoje, explica José Vicente, “porque a Rocinha é o principal centro distribuição de drogas hoje, no Brasil. Movimenta mais de R$ 1 milhão por semana. E estava intocado. O que se pode perceber é que, com a prisão do Nem, isto vai ser enfraquecido”.

José Vicente adverte que “você não acaba com uma facção tirando a liderança. Mas ela é importante não só porque agrega pessoas, mantém a disciplina do principal contingente de traficantes. As fontes de suprimento de drogas, armas e outros participantes do esquema acabam abaladas quando se mexe com uma liderança como essa”.

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