A propósito de premonições, é preciso entender nossa “segunda memória”

Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Ednei Freitas

Embora eu não seja místico, não tenho dúvidas de que a premonição é uma antevisão do futuro, e se espelha na memória sócio-cultural-intergeracional que guardamos em nosso inconsciente (e, portanto, se está no inconsciente, não temos conhecimento dela) e que em certos momentos, ou em sonhos, o indivíduo sente um “hunch” (palavra inglesa que não é tradutível perfeitamente para o português, porque é mais do que intuição) e temos uma premonição sobre algo que vai acontecer, e esta capacidade de “hunch” nos aparece instantaneamente.

O Dr. Jorge Béja tem um histórico de premonição maior do que o meu e conhece porque estudou a fundo as premonições de Dom Bosco, no século XIX que num “hunch” previu que a Capital do Brasil iria ser no Planalto Central, embora nunca tenha vindo a este país. Mas a localização que ele previu foi exatamente onde está edificada a cidade-capital Brasília, levada para lá por Juscelino Kubitschek, outro visionário.O próprio Dr. Jorge Béja já experimentou as mais inesperadas premonições, que talvez ele venha contar algumas aqui.

A premonição não é um fato inexplicável, mas para compreendê-la é preciso ir a fundo no estudo da Psicanálise. Freud dedica um capítulo sobre Psicanálise e Telepatia, mas como o assunto não foi esgotado por ele, os psicanalistas preferem ficar afastados deste capítulo. Digamos que há uma telepatia iintergeracional, que adquirimos inconscientemente de nossos ancestrais sem passar por nossas consciências. Estas transmissões intergeracionais normalmente nos põem em contato inconsciente com antepassados longínquos, consanguíneos ou não, que nem chegamos a conhecer em vida.

TIVE UM SONHO – No meu caso, tive um sonho premonitório no dia 8 de abril de 1989, que constava de uma viagem que eu estava fazendo com minha ex-esposa e meus filhos, quando avistamos uma Igreja assustadora, e um prenúncio de tempestade demoníaca. Escondemo-nos para que não nos acontecesse a tragédia, mas algo demoníaco entrou num alojamento onde nos abrigávamos para dizer que meu casamento seria destruído.Eu gritava para minha ex-mulher: “Proteja-se, esconda-se, este demônio nos vai separar e vai prejudicar nossa família!”

Não havia motivos no relacionamento com minha ex-esposa, fora do sonho, que pudesse explicar uma sentença dessas. Íamos bem, estávamos criando juntos nossos dois filhos, vivendo bem e eu e ela trabalhávamos no mesmo lugar. Tudo certo. Mas chegou o dia da passagem de ano, de 1989 para 1990. Fomos convidados e então rumamos para uma recepção na casa de um amigo juiz de direito, muito rico.

Quando bateu meia noite, eu e minha ex-esposa estávamos de mãos dadas, e ela rispidamente tirou a mão que estava junto à minha e me disse: “Deste momento em diante o casamento acabou, e você não é mais o meu marido”!

SEM MEUS FILHOS – Meu filho menor tinha três anos, morávamos no Nordeste. Ela, a ex-esposa, voltou com eles para o Rio de Janeiro e não pude mais acompanhar o dia a dia de meus filhos. Apenas nas férias e alguns feriados, mas criança não conta tudo.

Minha ex-mulher, mesmo recebendo pensão alimentícia alta, tendo um bom salário, maltratou meus dois filhos durante anos, sem que eu soubesse. Saía para namorar e ia a restaurantes, mas deixava as crianças com fome. Nunca foi ao colégio dos filhos e não os orientou. Não lhes comprava roupas e minha filha não possuía sequer um biquini para ir à praia. Fato aparentemente, mas só aparentemente inexplicável para a conduta de minha ex-mulher, que é psicóloga.

Só vim a saber das barbaridades que ela fez, e saber desses maus tratos aos poucos, contados por meus filhos, quando voltei para o Rio, 10 anos depois.

DE NOVO COM ELES – Passei então a viver e conviver com meus filhos, dei-lhes todo apoio, atenção, conselhos e carinhos que um pai pode dar, e minha filha hoje está feliz, já é pós-doutora em Biologia Molecular pela UERJ, e meu filho é um dedicado professor de Inglês na Cultura Inglesa. Aos dois, logo dei um automóvel e o conforto que me tem sido possível prover para eles.

O sonho de 08/04/1999 já havia dito tudo. Ao chegarmos a uma cidade de interior, onde moravam meus avós, no sonho, deparei-me com uma Igreja gigantesca, hermética, assustadora, que era a significação da Igreja do demônio, o primeiro aviso que o sonho deu. Iria irromper, como irrompeu, uma tempestade com ventania que iria destruir tudo o que estava por perto de nós, o que de fato aconteceu no sonho.

Mas isso estava em contato com a memória adquirida inconscientemente de meu avô paterno, que também maltratava os filhos, e com a memória inconsciente pela minha ex-esposa tanto do pai, que era um tirano egoísta, mas também de seu avô, que sempre maltratou os filhos, até que um deles suicidou.

MEMÓRIAS – Esta transmissão inconsciente de memórias, que trazem as premonições de benesses ou de catástrofes, é adquirida de forma muito parecida com as comunicações telepáticas, com a diferença que são guardadas pelos descendentes e, sem saber, as repassam a seus demais descendentes.

O indivíduo age compulsivamente de acordo com o recado da memória inconsciente traçada para ele, sem saber que está executando uma repetição aprendida do passado, imposta ao seu comportamento, e minha esposa não poderia fazer diferente do que fez. A psicoterapia comum não alcança esta memória e, algumas vezes, nem a psicanálise chega a elucidá-la.

Sei que estou introduzindo um assunto difícil de entender e assimilar, mas apenas dou um depoimento sobre as premonições e as memórias inconscientes intergeracionais que nos são tirânicas ou, para os de mais sorte, benignas.

SEGUNDA MEMÓRIA – Para o leitor que quiser compreender mais a fundo esta memória, que chamamos de “Segundo Registro de Memória”, recomendo que leiam o meu artigo, publicado no jornal “Pravda” da Rússia e em várias revistas nacionais e internacionais. O artigo é intitulado “O Duplo Registro de Memória”.

Para quem quiser entender melhor o assunto, coloco aqui o link do artigo.:

http://port.pravda.ru/news/sociedade/cultura/08-11-2004/6449-0/

25 thoughts on “A propósito de premonições, é preciso entender nossa “segunda memória”

  1. O verdadeiro amor , os espíritos, a justiça, e o futuro foram tratados e estudados por Papas, bispos, pais de santo, mulahs, Karl Marx, Fidel, Stalin, et caterva, todos falharam. Até o passado é imprevisível. Depende da guerra de narrativas, rs,rs,..
    O verdadeiro amor quem ousa dizer que o encontrou? Quem tem medo de mandinga não carrega patuá, rs, rs,…

  2. UMA HISTÓRIA DE AMOR INFELIZ

    Iniciava o ano de 1967, de meus 19 anos de idade, e iniciando no primeiro ano de medicina, conheci em uma festa para estudantes acadêmicos a jovem mais bela que eu até então havia visto, a Emília.

    Como estas festas são para isso mesmo, aproximei-me dela, comecei a conversar e daí marcamos o primeiro encontro para ir ao cinema. Eu, encantado, e ela começamos a namorar. Namoro nos anos 60 era com vigilância do pai da namorada, mas nós sempre dávamos um jeito de burlar a vigilância para empreender uma aproximação física libidinosa. A cada vez, eu ficava mais encantado.

    Namoramos alguns meses, o que eu queria que fosse eterno. Mas a uma certa altura do namoro, sem motivo aparente, Emília me deu um fora.

    Achava eu, e só muito depois a vida me mostrou que eu estava enganado, que Emília era a única mulher por quem eu poderia me apaixonar, e nenhuma outra iria despertar tanto o amor como a libido quanto ela. Fiquei tremendamente desgostoso, e a cada rua que eu caminhava em Belo Horizonte (Beagá) inevitavelmente eu me lembrava que passara ali com a Emília, e minha tristeza por ser rejeitado aumentava.

    Apesar de eu estar preso ainda a Beagá por seis anos, tempo de duração do curso de medicina, eu firmei convicção de que lá, apesar de estar toda a minha família residindo na cidade, eu lá não iria morar, tão logo recebesse o diploma. A ideia foi a de vir para o Rio de Janeiro, onde os bairros, ruas e praças em nada lembravam os meus passeios com a Emília. E foi o que fiz, mesmo seis anos após a rejeição de Emília.

    Logo no alvorecer de minha depressão pela perda da Emília, ainda em 1967, em “hunch” , surgiu em minha imaginação compor uma música e para a melodia criar um poema – o que reforça a minha crença, que não é consensual entre os psicanalistas, que a pulsão de morte – Tanatos (os impulsos depressivos e destrutivos) pode ser sublimada em Arte. Freud e a maioria dos psicanalistas acham que só a pulsão de vida -Eros era passível de sublimar-se em obra de Arte. Mas o que estou narrando mostra que não: Tanatos pode ser sublimado em arte, também !

    Assim, ainda no começo do ano de 1967 eu fui para o piano e compus uma melodia para o seguinte poema, que tinha como tema a Emília:

    FUGA

    Vou deixar Beagá,
    Vou pra longe daqui
    Pra me esquecer
    Do amor, da vida e de ti.

    Não vou sofrer rejeição
    Nem vou pedir mais, não,
    Tua mão, pois já chega
    O que sofri !

    Mas antes que tu possas rir,
    Quero pagar-te a ingratidão
    De amar, sem que o amor
    Seja teu !

    Vou apresentar abaixo o vídeo onde toco esta música ao piano, que foi feito para comemorar o aniversário de um médico amigo meu que queria uma gravação de cada um, em vídeo, para apresentar em sua cerimônia comemorativa de aniversário. Faço um pequeno discurso para o Filipe, declamo os versos de meu poema, e a seguir sento-me no piano e executo a melodia.

    https://www.youtube.com/watch?v=fJaYFBez3HA

    Não vou sofrer rejeição

    • Queridíssimo Ednei. Ontem e hoje você proporcionou a todos nós, leitores da Tribuna da Internet, momentos encantadores. Aquela passagem da sua vida lá no Nordeste, a composição para Emília, a própria história com Emilia, e agora você mesmo se apresentando ao piano, com bela composição e um perfeito dedilhado. Mas você deixou de revelar a todos nós que sua filha (tão linda, tão linda) além de ser pós-doutora em Biologia Molecular pela UERJ, com formação também em Londres, ela brilha nos palcos nas peças que atua. É uma atriz e tanto.
      Éh! este blog é muito rico de sabedoria e cultura. Nele tudo é harmônico e sintonizado. Nosso editor Carlos Newton também tem suas riquezas que prosseguem nos dois talentosos filhos: a também lindíssima e jovem filha, se aperfeiçoando na Inglaterra. O filho, agora pertinho de Deus e a interceder por todos nós, aqui deixou um legado musical completo, inspirado, e de rara beleza.

  3. Escrevi a poesia incorretamente, faltando versos:

    FUGA

    Vou deixar Beagá,
    Vou pra longe daqui
    Pra me esquecer
    Do amor, da vida e de ti

    Não vou sofrer rejeição
    Nem vou pedir mais não,
    Tua mão, pois já chega
    O que sofri !

    Mas antes que tu possas rir,
    Quero pagar-te a ingratidão
    E desejar para ti
    O infortúnio meu,
    De amar, sem que o amor
    Seja teu.

  4. Rogério Rosso SERIA eleito presidente da Câmara.
    A notícia/fato que IA acontecer não aconteceu.
    O INIMAGINÁVEL (Rodrigo Maia assumindo a Presidência da República na ausência de Temer) passou a ser ao menos imaginável ou possível.
    Ainda citando o saudoso Garrincha: “Alguém se lembrou de combinar com os FATOS??”

  5. Dr. Ednei,

    ontem comentei sobre o que o Sr. escreveu, o mesmo texto de hoje em um comentário. E fui ao Pravda ler suas considerações sobre a segunda memória, lá publicadas.
    .
    Hoje, gostaria de perguntar o que ficou martelando na minha cabeça:

    – Embarcar nessa ‘segunda memória’ o ajudou a aceitar a separação?

    – Como é hoje a sua relação com a ex, Emília?

    – O Sr. refez a sua vida amorosa?

    Desculpa a minha curiosidade, mas cheguei a pensar que essa tal ‘segunda memória’ foi uma forma que o Sr. encontrou para dar uma resposta ao inexplicável doloroso.

    Conheço pelo menos um homem cuja mulher escolheu data marcante para dar fim ao casamento. E deixou o marido atônito, no chão.

    A Emília também escolheu uma ‘data’ marcante, a virada do ano. Isso, sim, pra mim é inexplicável. Ela queria fazê-lo sofrer mais que demais. Não bastava a separação comum.

    Quem agiu assim antes na família dela?

    Obrigada.

    • Prezada Ofélia,

      Eu não fiquei apenas guardando o sonho, que na verdade foi um pesadelo, e logo percebi que ele era, para mim, uma premonição de que algo muito ruim para minha família e para mim estava para acontecer.

      Assim que acordei, desenhei o momento que eu, no automóvel, com minha ex-mulher e meus dois filhos pequenos viramos a estrada e demos de cara com uma Igreja toda de um cinza escuro, portas e janelas lacradas, onde não se poderia entrar, mas seu tamanho era descomunal e assustador. Desenhei tudo, a Igreja, o céu prenunciando tempestade, a praça da cidade, e um jardim que a circundava e caminhos que me eram familiares, embora as casas parecessem ser do Século XVIII. Fiz um desenho fiel do primeiro momento de aviso que o sonho me deu.

      Meu pai era um excelente pintor de quadros clássicos, e eu enviei a ele o desenho, enviei um papel com o exato matiz da cor da Igreja, a própria Igreja e tudo mais que descrevi, como as nuvens densas prenunciando tempestade.

      Tempos depois, e é aí que entra a memória transgeracional inconsciente, quando reparei profundamente no desenho de meu pai,que não tinha informação nenhuma sobre isso, nem eu, vi que meu pai desenhou uma montanha da cidade de Carmo de Minas de tal ângulo que só poderia ser vista como tal na hermética janela de meu avô paterno.

      Meu avô paterno tratava mal aos filhos, não os matriculou em escolas, as três filhas, uma fugiu para casar-se só sendo tolerada pela família muitos anos depois, e outras duas, assim como minha avó paterna eram inteiramente analfabetas. Meu avô as queria só para a criadagem, cozinhar, passar, lavar, arrumar a casa, mas nunca deixou que estudassem.

      Era proibido aos membros da família entrarem no escritório dele, que, ironicamente era escritor e professor de português. O escritório era um escritório-tabu, e não deixava os filhos lerem o que ele escrevia nos jornais da cidade. Todavia, ensinava português e datilografia para conhecidos da família, até que minha avó protestou.

      Meus tios eram todos artistas, grandes pintores, escultores, mas a família Freitas, especialmente o meu avô , jamais reconheceu a beleza do trabalho que eles fizeram e quando podia criticava para pior. Pois bem, um dos tios artistas, desenhista a crayon, certo dia de extremo desgosto pelo seu não reconhecimento, chamou operários para cavar um buraco fundo no porão e enterrou a cimento todas as suas obras de arte.

      Eu pressenti, nisso, que os irmãos de meu pai e meu próprio pai , sem motivo aparente, provocavam rupturas com seus amigos, algo que tem a ver com a baixa da autoestima imposta inconscientemente por meu avô, o Sr. Freitas, e por isso dei à memória desses acontecimentos compulsivos e involuntários, não como uma homenagem, mas sim por uma ironia ao meu avô, o Sr. Freitas, que certamente já trazia isso do inconsciente de seu antepassado. Chamei-a “Memória dos Freitas”.

      Não descarto que alguma manifestação minha, como uma baixa auto-estima, herança da MF, tenha contribuído para a atitude que minha ex-mulher tomou na virada de ano 1989/1990. Ela também tinha uma história familiar de rupturas: por exemplo, seu pai saiu de casa vária vezes para morar com prostitutas, até mesmo em São Paulo, e depois de anos voltava para casa e sua mulher, passiva, o recebia como se nada tivesse acontecido. Houve, sem dúvida, uma conjunção de fatores e, ao que me parece, todos ligados à MF tanto minha quanto de minha ex-mulher.

      Foi assim que entendi, e ainda é o meu entendimento atual sobre o que aconteceu. O mau trato aos filhos foi a repetição que minha ex-esposa teve de maus tratos de seu pai tirano, e de sua mãe que, por ordem do tirano, fazia com ela o mesmo.

      Então eu respondi à sua primeira pergunta: o conhecimento do que era a MF me fez ver que tudo aquilo era inevitável e estava programado, bem antes de eu me casar, para acontecer um dia. Só sofri muito quando soube que houve maus tratos a meus filhos.

      Quanto à sua segunda pergunta, eu fugi de Beagá, entre outras razões para não ter perigo de reencontrar a Emília, o que para mim seria doloroso. Nunca mais a vi nem tive notícias dela.

      Se eu refiz a minha vida amorosa ? – Sim, inúmeras vezes, já estou no terceiro casamento e dele divorciado. Amor agora, quero sim, mas só para uns dias.

      Saudações.

      • Dr. Ednei,

        com todo o respeito que o sr. me merece, e o psiquiatra aqui é o sr., eu arriscaria a dizer que não é qualquer pessoa que se recupera de uma violência como o sr. sofreu da Emília. De repente, sem aviso prévio, na passagem de ano.

        Basta ver como o sr. descreveu o início do namoro e depois a crueldade com que ela desfez o casamento, sem mais aquela. Crueldade máxima.

        O sr. não suportou o que aconteceu e até hoje seu intelecto fabrica uma razão para o que houve.

        A ‘segunda memória’ o autoriza a voltar ao assunto tanto tempo depois, assim como a tocar piano para a mulher que tanto mal lhe fez.

        Sepulta a Emília de vez. Ou o sr. vai continuar a render homenagens a uma mulher para quem o sr. e seus filhos nada representaram.

        A cabeça inventa coisas. Foi o que me disse um médico quando eu estava muito deprimida lá no passado e passei a achar que estava com dor no braço esquerdo.

        Um dia a gente se livra de tudo e vê que o tal médico tinha razão.

        Jogue essa música fora, abandone essa ideia de ‘segunda memória’.

        Vá à vida. Ou vai envelhecer sozinho. Nenhuma mulher quer ficar ao lado de um homem que cultua, em forma de ‘segunda memória’, a companheira que o abandonou.

        Como diria minha tia, mineira do interior: “Larga de ser bobo, doutor.”

        Melhor é viver que cultuar um passado tão infeliz.

        E falo sério, não há ironia no que digo.

        Se fui rude não era minha intenção. Achei que o sr. precisava de um choque de realidade.
        Boa sorte.
        Ofelia

        • Prezada Ofélia,

          Você fez uma confusão. Quando você diz “que não é qualquer pessoa que se recupera de uma violência como o sr. sofreu da Emília. De repente, sem aviso prévio, na passagem de ano.” A Emília foi minha namorada quando eu tinha 19 anos, e me deixou sim, mas não numa confraternização de fim de ano.

          Na música e letra, eu só transformo em arte a minha frustração. Mas a Emília não me fez mal nenhum e eu não fiz a música para ela, mas sobre ela, Isto foi há cinquenta anos atrás.

          Outra pessoa, que nada tem a ver com a Emília, uma carioca, casou-se comigo em 1978 e é mãe de dois filhos meus. Concordo com você que esta, sim, usou ” a crueldade com que ela desfez o casamento, sem mais aquela. Crueldade máxima.”. Mas para essa eu nunca me interessei em fazer uma música. Nunca a tratei mal, mas após o que ela fez tenho por ela desprezo.

          A Emília era apenas minha namorada e nunca me fez qualquer maldade. Continuar um namoro ou não era o direito dela, o que nunca questionei. Apenas fiz um desabafo ao compor a música e escrever a letra, mas não enviei para ela. Guardei comigo.

          Quem tem uma MF negativa é minha ex-mulher, o que lamento, mas não identifiquei este problema na Emília. São coisas completamente diferentes.

          A segunda memória é uma descoberta minha de que muito me orgulho, porque há vários psicanalistas fazem uso do conhecimento dela para tratar pessoas que adoecem com este tipo de memória, e já consta até em tese de doutoramento aprovada com nota A por um psicólogo português, na Universidade de Lisboa.

          • Dr. Ednei,

            então não consigo entender por que motivo o sr. gravou um vídeo com música feita para essa tal namorada. Não tem segunda memória aí.

            E que história da carochinha: psicólogo português(!), na Universidade de Lisboa, nota A.

            Sou crédula, segundo meu ex-analista. E não tenho maldade, como diz uma amiga de infância. Mas tudo tem limite.

            Saudações

  6. Dr. Ednei.
    Lerei com calma, assim que puder, teu artigo.
    Me tranquiliza, por ser uma espécie de “guia” ou fonte de alguns eventos que não conseguia entender .. com relação a família e tudo o mais.
    Só sei de uma coisa: aquilo que denominamos MAL não supera o BEM. Só tem “vitórias” momentâneas, que só nos fazem perder tempo (SEM aspas mesmo).
    Obrigado por ter postado.
    :-))))

  7. ARTIGO DE VLADIMIR SAFATLE, NA fOLHA DE SÃO PAULO, HOJE, 15/O7/2016

    “É coisa de quando não tínhamos condição de fazer testes, ver o que acontecia no cérebro. Hoje a pessoa vai me falar de inconsciente? Onde fica?”. As colocações do neurocientista Ivan Izquierdo, publicadas nesta Folha há algumas semanas, têm ao menos o mérito da clareza, além de expressar certa ironia, o que sempre acaba por produzir condescendência. Ela partilha, no entanto, um conjunto de dogmas que, para um setor da comunidade científica, parece valer como evidência natural.

    Essa discussão poderia se restringir aos muros das universidades e laboratórios se não colocasse em questão algo que diz respeito a todos, mesmo que nem todos o saibam. Pois, ao fim e ao cabo, trata-se de saber como nós falamos de nós mesmos. Afirmar que o inconsciente é uma hipótese vazia não implica apenas tirar o emprego de centenas de psicanalistas. Significa também modificar de forma decisiva a maneira com que nós nos descrevemos, a maneira com que compreendemos a estrutura de nossas ações e a dinâmica de nossos sofrimentos e desejos.

    Poucas foram as teses que influenciaram tanto a maneira como nós definimos a nós mesmos quanto a de que somos sujeitos atravessados por algo que nos causa e que não se submete à estrutura representacional de nossa consciência, algo que coloca continuamente questões sobre nossa identidade, a autonomia de nossas ações e a unidade de nossa personalidade. Nesse sentido, dizer que o inconsciente não existe equivaleria a dizer que não precisamos mais nos ver dessa forma descentrada.

    Mas vejamos o que dizer das afirmações sobre a inexistência do inconsciente presente na referida entrevista. Dos dogmas pressupostos pelas colocações do neurocientista, um é deveras interessante, a saber, se não é localizável, então não existe. Se não posso responder à pergunta “onde fica?”, então não há sentido algum em falar de inconsciente. Isso pode passar por rigor científico em certas hostes, mas há razões para duvidar de tal materialismo sensualista e seu afã localizacionista.

    Pois talvez estejamos aqui diante do que o filósofo inglês Gilbert Ryle um dia chamou de “erro de categoria”. Trata-se de um erro similar àquele do estudante que vai à USP pela primeira vez, é apresentado à biblioteca, à praça do Relógio, às salas de aula e, ao final, pergunta: “Bem, vim aqui, vi a biblioteca, a praça, o bunker da reitoria mas, afinal, onde está a USP?”. Sim, onde está o inconsciente se não posso localizá-lo como posso, por exemplo, localizar a região cerebral responsável pela empatia? Bem, talvez não seja possível localizá-lo porque ele não está lá à maneira que a mielinização dos axônios no sistema nervoso central está.

    Alguns estão acostumados a pensar que o inconsciente seria algo como uma caixa de Pandora para onde iriam conteúdos mentais recalcados, desejos censurados e motivações reprimidas. Mas notem que o lado forte da hipótese de Freud não estava nessa cisão entre a consciência e certos conteúdos mentais. Por exemplo, ao falar sobre os sonhos, Freud insistia que deveríamos perceber como eles eram compostos de três níveis distintos: conteúdos manifestos (aquilo que me vem imediatamente à memória quando narro o sonho que tive), conteúdos latentes (aquilo que é revelado quando os sonhos são interpretados) e o “trabalho do sonhos”, ou seja, a maneira com que o sonho distorce, compõe, condensa e desloca seus materiais.

    Esse último nível era, na verdade, o que permitia falar em inconsciente e foi por esse caminho que boa parte da psicanálise pós-freudiana trilhou.. Pois “inconsciente” eram as leis que determinam da estrutura do pensamento, o modo de pensar, seus caminhos, suas associações e repetições. Como se houvesse leis que agem em nós, que determinam a forma de nossos pensamentos e nossas relações à nossa revelia. Leis construídas a partir da incidência subjetiva das experiências sociais e que acabavam por se organizar como uma linguagem privada.

    Foi pensando em algo semelhante que um antropólogo como Claude Lévi-Strauss, para quem o inconsciente era uma hipótese extremamente profícua, podia lembrar que essa noção era socialmente trivial. Por exemplo, quando estabelecemos escolhas matrimoniais, não temos consciência das leis do incesto. No entanto, elas agem em nós definindo, de forma muda, a configuração de nossas escolhas. Em dimensões fundamentais da vida, não agimos, mas somos “agidos” por desejos que nos atravessam e isso é o que nos faz, como dizia T.S. Elliot, diferentes de homens ocos.

  8. Ofélia,

    Você, ao escrever “E que história da carochinha : psicólogo portugês ( ! ) na Universidade de Lisboa, nota A ” mostrou que duvida de minha idoneidade, de meu caráter e me chamou de mentiroso. Vou lhe mostrar que não .

    Apresento a você e a todos a dissertação de doutoramento do Professor Doutor Luís Miguel Jesus Lopes Barreiros – que está até na internet, documento bem trabalhado e de 358 páginas , e que após sua apresentação obteve a nota A com louvor.

    Embora o Professor Doutor Luís tenha tido um orientador oficial em Lisboa, fui eu, através do computador e da leitura de minhas obras que orientou o fecho da dissertação, com a minha Teoria da Memória dos Freitas, sem a qual ele jamais conseguiria concluir o trabalho.

    O Professor Doutor Luís ora me chama de Dutra de Freitas, ora me chama de Freitas, ao me citar em seu trabalho.

    Comece lendo a página 6 , dedicada aos agradecimentos do autor e lá você verá o agradecimento que ele fez a mim.

    O fecho e Norte da dissertação foi com o uso de minha teoria, que dela ele começa a falar na página 358 e nela prossegue até o fim da dissertação de 496 páginas.

    Dê uma olhada, por exemplo, o que ele fala de minha teoria à página 361 , ou então e especialmente, leia a página 397 , que é um marco na Psicanálise onde faço a diagramação da Terceira Tópica Freudiana, está lá o diagrama e nas linhas que se seguem a explicação e o aproveitamento da Terceira Tópica no desenvolvimento da dissertação. Até então, os psicanalistas, desde Freud ainda vivo, só conheciam a Primeira Tópica Freudiana e a Segunda Tópica Freudiana. Eu edifiquei, com base na MF a Terceira Tópica Freudiana , que foi a base das conclusões da dissertação de doutoramento do Prof.Dr. Luís.

    Leia a Bibliografia da dissertação, que começa na página 496 , onde o Prof. Dr. Luís dispõe sobre as obras dos reputados autores que ele precisou ler e compreender para fazer o seu trabalho, e note quantas citações ele faz a diversos trabalhos meus.

    Vou deixar aqui o link da dissertação de doutoramento do Prof. Dr. Luís Miguel Jesus Lopes Barreiros para que todos possam conferir. Você me ofendeu, Ofélia, ao duvidar de minha idoneidade, isto é, me chamou de mentiroso. Sou obrigado a exigir de você que volte a esta página de comentários para me pedir perdão – e que desaprenda a duvidar de quem quer que seja, até prova em contrário. Não se pode chamar alguém de mentiroso a priori. Você errou.

    Ednei José Dutra de Freitas

    http://repositorio.ispa.pt/bitstream/10400.12/41/1/TES%20BARR%201.pdf

    • Engraçado, Dr. Ednei. Em momento algum me veio à cabeça chamá-lo de mentiroso. Achei mais que o sr.usava de alguma manobra da sua profissão para ‘mexer’ comigo.

      Quis dizer ao sr. que sou indefesa para me defender, não do sr., mas de quantos trocam comigo, pessoalmente ou em texto.

      Acredito em tudo, se me for dito por alguém que não me fez duvidar da INTENÇÃO. Porque há, o sr. sabe, uma intenção, explícita ou não, nas coisas que fazemos.

      Acreditei no sr. Depois a história da Emília ser a sua namorada me deixou confusa. Esse vai lá vem cá dos dias atuais, onde se diz e se desdiz tudo, embaraça ainda mais meu pensamento.

      Já disse ao Newton que não acredito em mais nada, dada a informação e contrainformação de nossos dias. Newton sabe que digo a verdade.

      Eu acreditei no sr. Postei o que achava sobre seu comportamento, o de um psiquiatra, em relação à sua ex-mulher.
      Veio tudo abaixo com a informação de que Emília tinha sido sua namorada, não sua ex-mulher.

      Não sou analfabeta funcional, mas, por alguma razão não sabida, foi como sua namorada entrou no meu consciente (ou inconsciente?).

      Achei que sua resposta tinha a ver com o que postei sobre sua antiga relação conjugal. Para ver o que eu diria, sei lá.
      Analistas trabalham assim, o sr, também é psicanalista.

      E há uma possível deformação profissional em tudo que fazemos. De repente foi sua vontade ver a reação da Ofelia.

      O sr. viu. Mas não o chamei de mentiroso.

      De qualquer modo, se dei a entender assim, peço desculpa, não tive a intenção.

  9. Obrigado, Ofélia, pela compreensão e aceito o seu pedido de desculpas. Continue sempre conosco e comente tanto os artigos como os comentários. Talvez eu recomendasse que você fizesse um esforço maior para a compreensão dos textos, para evitar intervenções equivocadas.

    Abraços,

    Ednei.

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