A quem interessa a morte de Bin Laden?

Carlos Newton

Em adendo ao que já escrevi sobre a morte de Bin Laden, é bom lembrar que a briga entre muçulmanos e cristãos, ou melhor, entre povos árabes e ocidentais, é coisa muito antiga, que atravessa os tempos. E a tendência agora é de acirramento.

Com a execução de Bin Laden (ele foi realmente executado, as imagens são elucidadoras), encerra-se esse ciclo de perseguição implacável ao líder do grupo al-Qaeda, que incluiu a invasão e ocupação de um país inteiro, o Afeganistão, lá se vão dez anos.

Agora, o terrorismo continuará, mas com outros líderes e financiadores. Quanto a Bin Laden, seu espectro vai viver para sempre, como uma espécie de El Cid, (Dom Rodrigo Diaz de Bivar), a assustar eternamente o mundo ocidental, pois será invocando seu nome que os radicais islamistas passarão a procurar vingança.

Interessante notar que, quase mil anos atrás, o Bin Laden da época foi o espanhol Dom Rodrigo, que mesmo morto (amarrado à sela do cavalo) continuou liderando as tropas contra os muçulmanos. Depois de sua morte, a mulher Jimena conseguiu defender Valencia com a ajuda de seu genro Raimundo Berenguer, que assumiu o lugar de El Cid, e os mouros foram definitivamente derrotados.

Há uma grande diferença entre os muçulmanos daquela época e os de agora. Na Idade Média, eles dominaram a Europa, mas foram generosos e respeitaram a religião e os costumes dos povos subjugados. Agora, o que se vê é uma radicalização cega e insensata, uma cruzada ao contrário, em que o termo “guerra santa” mudou de lado e passou a ser lema dos islamitas, em pleno Terceiro Milênio.

Membros de fóruns do Jihad, que defendem a guerra santa, já sugeriram que haverá retaliação à morte de Bin Laden. O grupo palestino Hamas também já manifestou oficialmente sua solidariedade à al-Qaeda. O momento é delicado, e não somente os norte-americanos correm risco de um recrudescimento do terrorismo. Essa bomba pode explodir primeiro no colo de Israel, que está eternamente em guerra com os palestinos e é o país mais odiado pelos povos árabes. Todo cuidado agora é pouco. Especialmente porque, para os islamitas, a morte heróica representa o Paraíso, com virgens, viúvas e eunucos (homossexuais) para servir à vontade a que se entregou à guerra santa. E seus parentes não choram quando o herói morre. Pelo contrário, ficam orgulhosos.

Assim, a quem interessa a morte de Bin Laden? À primeira vista, só interessa mesmo ao presidente Barack Obama, que tentará a reeleição, e à indústria militar ocidental, que se alimenta vorazmente das crises.  E também aos radicais islâmicos, que ganharam um pretexto para lutar com ainda maior disposição.

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