A questão dos juros e a interferência do governo

Wilson Baptista Junior

Pedro do Coutto assinalou aqui no Blog da Tribuna que “os bancos privados não cumprem determinação do governo”, referindo-se à manutenção das taxas abusivas, especialmente no cartão de crédito e no cheque especial.

Acontece que o governo não pode determinar nível de juros em bancos privados, não tem como interferir tão facilmente na sua administração nem na rentabilidade que eles querem passar a seus acionistas, porque o nosso sistema é capitalista e os bancos não pertencem ao governo.

A única coisa que o governo pode fazer é reduzir os juros dos bancos oficiais para tentar, pela concorrência, levar os bancos privados a também reduzirem suas taxas. Mas isso não funciona de modo linear, porque o correntista não troca de banco com tanta facilidade assim. E os bancos públicos também não reduziram seus juros de maneira igual para qualquer tipo de correntista, privilegiaram principalmente os que têm contas-salário, onde a garantia de adimplência é maior do que para os outros.

O governo tem interferido diretamente, por exemplo, na Petrobrás, segurando artificialmente os preços dos derivados de petróleo, mas com isso ele vem prejudicando a empresa e seus demais acionistas, e daqui a pouco vai ser forçado a aumentar os preços para salvar a empresa, com um impacto provavelmente maior do que se tivesse vindo acompanhando mais de perto as oscilações do mercado internacional de petróleo.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *