A questão indígena se agrava cada vez mais. E não foi por falta de aviso…

Carlos Newton

O governo do PT brincou com coisa séria. Tentou se apresentar como “politicamente correto” na Organização das Nações Unidos e agora está pagando o preço pela irresponsabilidade de aprovar a Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas.

Foi no início do segundo mandato do presidente Lula, o chanceler era o embaixador Celso Amorim. A Declaração da ONU foi discutida durante cerca de 20 anos e o Brasil sempre se manifestou contrário, ao lado dos Estados Unidos, da Rússia, da Argentina, do Canadá, da Austrália e de outros países que têm  populações de etnias consideradas “nativas”. Até que em 2007 chegou a hora da votação.

Surpreendentemente, por pressão da França e de outras nações influentes na ONU, a delegação brasileira mudou de ideia e decidiu apoiar a Declaração, apesar de o texto claramente prever a independência política, econômica, social, cultural e territorial de todas as chamadas “nações indígenas” do planeta.

SITUAÇÃO ABSURDA

Na época, escrevi uma série de artigos na Tribuna da Imprensa, mostrando o absurdo da situação. De repente, o Brasil se arriscava a perder cerca de 20% de seu território, caso a Declaração da ONU fosse realmente cumprida. Nenhum outro jornal ou revista se preocupou com o assunto. Era como se a Declaração não existisse ou não tivesse sido assinada pelo Brasil.

Felizmente, a ficha caiu, o governo Lula se arrependeu e jamais enviou o documento ao Congresso para a a necessária ratificação. Dilma Rousseff fez o mesmo, mantendo a Declaração da ONU na gaveta. Os índios estão em pé de guerra, mas não tocam no assunto, para não ficar clara sua expectativa de ganharem independência. Sabem que isso só ocorrerá se o Congresso ratificar o tratado, como determina a Constituição.

Enquanto isso não ocorre, organizam protestos seguidos, fecham estradas, interrompem hidrelétricas, invadem propriedades privadas, ocupam repartições públicas e sonham em recorrer à ONU e à Organização dos Estados Americanos (OEA).

Podem sonhar à vontade, o governo jamais encaminhará a Declaração de Independência dos Povos Indígenas para ratificação pelo Congresso Nacional.  O Brasil é e será um país unificado, sem divisões.

Já ia esquecendo: o autor desse crime de lesa pátria, Celso Amorim, não sofreu nenhuma crítica pública, foi promovido e hoje é ministro da Defesa. Ah, Brasil…

AMANHÃ: Terras indígenas já equivalem ao tamanho de 4 estados de São Paulo. Você sabia?

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11 thoughts on “A questão indígena se agrava cada vez mais. E não foi por falta de aviso…

  1. Desta vez, tenho que aplaudir o Carlos Newton. Esta, sim, é uma questão crucial, mais importante que as questões menores envolvendo a já tradicional corrupção e desmazelo dos nossos políticos (que não começaram em 2002, como se quer dar a impressão, mas MUITO antes). O nosso Mestre maior, Hélio Fernandes, que o recorde sempre…

  2. Para mim este foi um dos maiores crimes já cometidos no Brasil, assinar uma Convenção que prevê praticamente a entrega da Amazonia legal, um absurdo.

  3. …finalmente, sr, CN, parabens! Pelo texto. Apenas uma correçao, com certeza, essa decisao nao é culpa do PT. Se feita uma consulta, o percentual de petistas que apoiaria seria proxima de zero. O presidente Lula sim, talvez por ingenuidade, pois
    dá muita importancia a esse orgao, que considero, hoje, um simples instrumento do governo dos EUA para
    justificar seus interesses e todo tipo de arbitrariedade…

  4. Carlos Newton foi o precursor desta questão, ao publicar tempos atrás os problemas que teríamos neste particular quando as cobranças dos índios pelas suas independências iniciassem Brasil afora.
    Estamos diante de impasses graves, que redundarão em conflitos inevitáveis graças à imaturidade do governo Lula e sua costumeira demagogia.
    Nossos índios se fortaleceram. Dezenas de Ong’s os apoiam. Nossas tribos perderam suas características naturais, e hoje abordam temas politicos com desenvoltura e conhecimento.
    O índio passou a ser um cidadão como qualquer brasileiro, que usufrui do progresso, das comunicações, que sabe reclamar, impedir o ir e vir das pessoas, invadir prédios públicos, que reivindica com insistência e até mesmo com violência novas demarcações de terras, querendo expandi-las para se adonar de suas riquezas e negociá-las com grupos estrangeiros, que estão atentos a respeito de como o Brasil resolverá esta equação.
    O ministro da Defesa atual deveria vir a público e apresentar uma plataforma de como nos defenderemos do clamor dos índios que poderá ocasionar a nossa divisão territorial para alegria de oportunistas internacionais, ansiosamente à espera que o desfecho não seja pacífico, e surja um motivo humanitário para que forças estrangeiras invadam o nosso Brasil a título de intervenção para que seja evitado um genocídio!
    Nesse meio tempo, Lula e Amorim poderão estar compondo o governo mais uma vez pelo andar da carroça dirigida pela presidente Dilma, nada íntima com os arreios dos cavalos que não lhe obedecem à direção determinada, ora atrás ora para os lados ora em zigue zague, menos à frente!

  5. Aquele índio ideal, que os religiosos da “salvação” da humanidade desejam como seus brinquedinhos, seus sonhos de consumo, não existe, a não ser na cabeça egoísta deles de querer o mundo à sua imagem e semelhança.
    O índio hoje quer ser é consumidor como todo mundo e tem esse direito, mas aqui é o Brasil e os governos não lhe dão escolas e outros direitos que qualquer cidadão do planeta deve ter. Como fizeram o Canadá e os EUA, que já resolveram este problema a décadas.

  6. Prezado Carlos Newton, a assinatura desse contrato, foi por pura vaidade do Lula, o que
    lhe rendeu e rende elogios, tapetes vermelhos e esse é o cara, pelos países que têm interesses
    escusos no Brasil.
    Engavetar esse contrato, é perigoso, pelo fato de que não se sabe que tipo de presidente
    teremos no futuro. Se por acaso for eleito um vendilhão da pátria?
    Se há uma maneira de improbar e ser vetado pelo Congresso esse contrato, a Presidente
    Dilma deveria enviar ao Congresso para tornar nulo este contrato, que com certeza seria anulado
    considerando-se que a Presidente tem a maioria no Congresso.

  7. Quanta baboseira é dita! Não é nação, é propriedade indígena. A constituição garante e direito a qualquer um, porque não a eles?
    Basta uma parábola pra entender. Certa vez, Amauri Stedile disse que pra diminuir drasticamente o desmatamento, era só o governo (sempre ele) proibir a exportação de madeira.
    Do mesmo modo, para o simples exercício da soberania nacional sobre a propriedade indígena, bastaria o governo (sempre ele) restringir a entrada de estrangeiros em terras indígenas.
    É o nosso executivo federal que nos vende e perturba o avanço do país. Corretivo nessa excludente classe política. Mas, xô ditadura militar, já sabemos o que é isso.

    QUANTA MEDIOCIDADE DE NOSSOS PENSADORES! NESSE NÍVEL NÃO DÁ.

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