A Rede de Marina Silva e o que podem e fazem os partidos políticos

Sandra Starling

Fui, no domingo passado, ao encerramento do encontro que marcou o lançamento público do novo partido, a Rede. Não pude acompanhar os debates nem tive ainda acesso aos documentos. Tão pouco reuni-me com aqueles que, pelo país afora, participaram dessas primeiras formulações. Mal abracei Marina Silva e Heloisa Helena, duas das principais lideranças do que pretende ser uma “nova forma de fazer política”. Mas pretendo acompanhar de perto os passos que forem dando.

A ocasião é complexa: de um lado, reconhecem os próprios fundadores, há uma profunda descrença no que podem e fazem os partidos políticos. Pelo mundo afora, há essa descrença, e, aqui, não poderia ser de outra forma, possuindo como possuímos um dos mais frágeis, para não dizer caricaturais, sistemas de organização política.

Do que falo, dá hoje eloquente testemunho o 15-M na Espanha, fruto do Movimento dos Indignados, que se organizou e rejeitou de plano a possibilidade de, por hora, participar de qualquer eleição: daí porque se autointitulam “Partido do Futuro”, o que representa um passo mais além da expressão “sonháticos” com que Marina Silva se refere aos que compartilham as mesmas ideias.

De outro lado, porém, no caso brasileiro, paira no ar um desconforto com as possibilidades que se colocam: repeteco com Dilma Rousseff parece pesadelo. Volta de Lula? E como ele vai justificar seu erro ao apostar em Dilma?

Aécio Neves nem ousa assumir a coroa que Fernando Henrique graciosamente coloca em suas mãos; o mineirinho mais carioca do Brasil desapareceu da cena política, e ninguém sabe e ninguém vê o que ele faz ou pensa sobre os grandes temas da conjuntura (royalties, recondução do Renan Calheiros, Fundo de Participação, mensalão), que dirá de um possível modelo alternativo ao que aí está.

“CORONEL”

E, de minha parte, vivo assombrada pela possibilidade de termos, no trono federal (isso mesmo), um coronel como Eduardo Campos, matreiro, mas mandão que nem foi seu avô, e que pensa que todos nós nos esquecemos dos negócios dos precatórios. Deus nos livre desses todos aí! Aliás, como escrevi, seguindo Suplicy, que são Francisco nos socorra.

Lá no encontro, diante de meus olhos, esperançosos e atônitos, reconheci antigos rostos de militantes com quem compartilhei jornadas de utopia e voltei a ouvir propostas de programa e de formas de organização já testadas e comprovadas como repletas de problemas de implementação. A ideia de limitar o número de mandatos (que soa como música aos meus ouvidos) também ficou, no mínimo, incompleta.

Por que não adotar, simplesmente, a fórmula da Costa Rica, onde só vale mesmo um mandato, sem possibilidade de acumular outro seguinte? Isso resolveria tanto as manipulações para a consagração interna de figurões como evitaria o problema de retirar alguém do mercado de trabalho…

Voltarei a tratar da Rede quando obtiver maiores informações, sempre desejando que, desta vez, se construa, de fato, algo novo no Brasil.

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