A Rede é mais um partido sem definição ideológica

Ednei Freitas

Marina Silva, ao dizer que a Rede Sustentabilidade não é de direita nem de esquerda, define bem o vazio de idéias dela e de seus seguidores. Partido político, necessariamente, tem de tomar uma posição: ou é de direita ou é de esquerda. Alguns ainda forçam a barra para falar em centro-direita e centro-esquerda, mas, na verdade, não tem como existir um partido de centro, isto é, em cima do muro. Partido político não pode ser neutro, não tem cabimento. Quem tem obrigação de ser neutro é o Judiciário.

As frases de Marina chegam a ser hilárias, quando diz que seu partido não é “nem direita, nem esquerda, estamos à frente”. À frente de quê ? À frente tanto da direita quanto da esquerda, e ao mesmo tempo neutro?!

Tem mais: “Nosso objetivo não é ser de oposição pela oposição, nem de situação pela situação”, diz a ex-senadora. Tem algum cabimento um partido político, com a crise institucional e política que assola o país, não ser de oposição nem de situação?

Estas frases de Marina irão para o Febeapá (Festival de Besteiras que Assola o País, criado pelo jornalista Sérgio Porto). Marina fala como nós brincávamos quando crianças, sobre pessoas que ficam em cima do muro.

Por exemplo, perguntada sobre socialismo, ela diria “não sou contra nem a favor, muito antes pelo contrário”. Perguntada sobre o capitalismo ela diria “não sou contra nem a favor, muito antes pelo contrário”.

Bela porcaria será esta rede de Marina!

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É PRECISO SE DEFINIR

Nélio Jacob

Partidos políticos precisam ter uma posição, um ideal. Fora isso são apenas partidos oportunistas como tantos outros.

A dona Marina só tem o meio ambiente na cabeça, o resto é perfumaria. É outra inexperiente. Se eleita Presidente, seria mais ou menos igual a Dilma. A maioria que saiu do PT carrega o ranço desse partido. O PSOL, por exemplo, considera-se diferentes, não se mistura com os demais, é contra a situação e contra a oposição, me lembra muito o PT antes de ser governo.

Precisamos de partidos e de líderes bem definidos.

22 thoughts on “A Rede é mais um partido sem definição ideológica

  1. Marina, nas duas últimas eleições, quando teve que se decidir, ficou em cima do muro. Em nada ajudou, pelo contrário, faltou quando o Brasil precisou, assim como aqueles eleitores que firam em cima do muro e votaram em branco. Seu novo partido, agora, não sabe a que veio. Fraca e sem ideia. Já nasceu derrotado.

  2. Li alhures que nas origens Marina era do PCR = Partido Comunista Revolucionário; o partido de Chico Mendes; depois passou por outra grande escola que foi o PT, e agora está tentando fazer a sua escola, a Rede. A vida é feita de escolas… aprendizados…

  3. As tentações do poder dificultam sobremaneira que as agremiações políticas permaneçam fiéis aos seus estatutos e programas ideológicos.
    O governo sempre negocia concessões com os partidos que compõem a “base aliada”, pois em troca recebem ministérios, secretarias, diretorias de estatais, cargos no exterior, conselhos administrativos, uma variedade de oportunidades extraordinárias que é o sonho de qualquer pessoa diante da chance de assegurar um futuro à sua vida com excelentes salários e benefícios.
    Ora, quem vai abrir mão dessas propostas?
    Desta forma, ideologia, estatutos, filosofias, programas partidários, se tornam secundários porque muito mais importante é ter proventos polpudos que não participar desse rateio de cargos que o poder central oferece para aqueles que o apoiam no Congresso.
    Apesar do bom artigo escrito por Ednei Freitas, o seu desejo de que “precisamos de partidos e de líderes bem definidos” está na contramão dos anseios de partidários e dirigentes políticos, pois o governo tem sido o responsável pela renúncia das agremiações com referência à manutenção de seus projetos e origens, transformando os partidos em moldáveis e adaptáveis às circunstâncias, desde que oportunas e lucrativas, claro.
    Assim, o que havia no passado com relação às posições ideológicas absolutamente inegociáveis, atualmente esse método se tornou corriqueiro, afora proporcionar que a corrupção e a desonestidade sejam características nesses arranjos entre partidos, surgindo total descrédito quanto à lisura e ética que deveriam ser pressupostos a qualquer agremiação política, sujeita a perder a sigla caso se unisse com outras organizações com vistas somente para vantagens de seus líderes e dirigentes, além de benefícios partidários.

    • Excelente comentário, Bendl. Enquanto a honestidade plena (total mesmo!) não estiver presente na esmagadora maioria dos cidadãos deste Brasil, ela também não estará presente na política.

      Aliás a classe política de um país é uma amostra – imensamente fiel – do que há em sua sociedade. Portanto a transformação moral de uma nação precisa ocorrer em todas as direções: de cima para baixo, de baixo para cima, da esquerda para a direita, da direita para a esquerda, de dentro para fora, de fora para dentro, de norte a sul, de sul a norte, de nordeste a sudoeste, de sudoeste a nordeste,…

      Mas voltando ao tema, enquanto houver quem aceite ter seu apoio político comprado por cargos ou diversas outras benesses das mais variadas dimensões, a nação continuará doente.

      Podemos esperar algo de diferente para com o partido de Marina Silva? Eu infelizmente respondo que não. Infelizmente. Infelizmente.

      • Caro Isac,
        Considerando que a honestidade deveria ser imprescindível aos parlamentares e, da mesma forma, integrantes do poder Executivo, esta maneira obscena de se fazer política no Brasil não existiria, não seria adotada como foi para unir partidos diferentes, mais para benefícios e vantagens pessoais que organizar uma frente de trabalho em prol do País!
        Resultado:
        Arqui-inimigos políticos se transformam até mesmo em conselheiros para usufruírem a divisão de cargos proporcionada pelo poder central, desde o primeiro escalão até aos inferiores, e que de antemão se constata enaltecidos o interesse e a conveniência particulares, menos o bem comum, uma nação devidamente sincronizada em busca de seus objetivos de desenvolvimento e progresso para seus cidadãos.
        Um abraço, Isac.

    • Prezado Francisco Bendl,

      Em grande parte é verdadeiro o seu comentário, mas você se esqueceu de que existe o PPS, partido que nunca se dobrou ou compactuou com o lulopetismo, que luta febrilmente para nossa democracia e pela decência na política e nunca teve um de seus membros manchado pela prática de corrupção.

      Por: Assessoria do PPS

      O líder do PPS na Câmara, deputado federal Rubens Bueno (PR), protocolou nesta quinta-feira na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle requerimento para que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o seu filho Luís Cláudio Lula da Silva, o ex-ministro Gilberto Carvalho, lobistas e representante das montadoras CAOA e Mitsubishi expliquem a nebulosa transação que, segundo denúncia divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo, resultou na compra, por R$ 36 milhões, da Medida Provisória 471/2009, que prorrogou de 2011 até 2015 a política de descontos no IPI de carros produzidos nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O partido também enviou requerimento à Casa Civil da Presidência da República cobrando esclarecimentos sobre o caso, que ocorreu na época em que a presidente Dilma Rousseff comandava a pasta.

      “Trata-se de um escândalo de tamanha proporção que, se confirmado, pode levar muita gente para a cadeia. O filho de Lula já confirmou ter recebido dinheiro do escritório contratado para fazer lobby para as montadoras, mas não explicou que serviço prestou. Existe ainda informações de que pessoas do PT também receberam. Esperamos que todos os citados tenham a dignidade de vir a Câmara prestar esclarecimentos para a sociedade. O caso coloca sob suspeição a edição de muitas medidas provisórias editadas nos governo de Lula e Dilma que beneficiaram setores específicos da economia”, disse o líder do PPS.

      Para Rubens Bueno, fica cada vez mais claro que o governo do PT transformou o Planalto e a Esplanada dos Ministérios num grande balcão de negócios. “Quem paga mais leva. E que se dane o interesse da Nação. O que interessa para o PT é o caixa do partido e o bolso daqueles que comandam os esquemas de corrupção”, criticou o deputado, que espera que a Polícia Federal e o Ministério Público leve a fundo a investigação sobre o caso, que veio a tona após a apuração de documentos apreendidos durante a operação Zelotes, que investiga um esquema de fraude no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf).

      O caso envolve os escritórios SGR Consultoria Empresarial, do advogado José Ricardo da Silva, e Marcondes & Mautoni Empreendimentos, do empresário Mauro Marcondes Machado. Eles teriam sido contratos pelas montadoras para obter a extensão das benesses fiscais de R$ 1,3 bilhão ao ano por ao menos cinco anos. Os incentivos expirariam em 31 de dezembro de 2010, caso não fossem prorrogados.

      O Estadão, que teve a acesso e documentos e trocas de mensagens sobre o caso, relata também que a MP passou pelo crivo da presidente Dilma Rousseff, então ministra da Casa Civil. Anotações de um dos envolvidos no esquema descrevem ainda uma reunião com o então ministro Gilberto Carvalho para tratar da norma, quatro dias antes de o texto ser editado e assinado pelo ex-presidente Lula.

      O negócio também envolve uma empresa de Luís Cláudio Lula da Silva, filho do ex-presidente Lula. A Marcondes & Mautoni Empreendimentos pagou R$ 2,4 milhões à LFT Marketing Esportivo, aberta em março de 2011 por Lulinha.

      • Prezado Ednei Freitas,
        Grato pela resposta.
        Sei da tua preferência pelo PPS, em razão de comentários que postas diariamente a respeito deste partido.
        Admiro quem ainda acredita nessas agremiações políticas, e luta com determinação e vontade para divulgar as ideias e programas partidários, convicto que há solução para o Brasil, apesar de o sistema se encontrar em frangalhos moralmente, desacreditado, e por culpa dos parlamentares, que se vergam diante das tentações inerentes ao poder.
        Desta forma, mesmo com a generalização atingir partidos que não se enquadram como vendáveis ou alugáveis ou emprestáveis, a maioria consegue fazer que os raros honestos e decentes grupos sigam a mesma trilha, se não pela continuidade de ilicitudes e imoralidades, através da omissão e aceitar conviver com corruptos e desonestos.
        Conclusão, Ednei:
        O PPS pode ser a joia rara da coroa, mas ele está contaminado inexoravelmente pela doença que afetou o sistema político, e que é altamente contagiante, razão pela qual é uma questão de tempo até o teu partido se envolver nesta promiscuidade legislativa e executiva que tem pautado a vida do cidadão brasileiro, e impedido de o Brasil se desenvolver.
        Não torço para que a minha previsão aconteça, mas ela é absolutamente inevitável de acordo com a forma como se instituiu as negociações políticas, a troca de ministérios, secretarias, diretorias, estatais, por apoio ao governo, que remunera e recompensa muito bem seus aliados.

        • Prezado Francisco Bendl,

          Se o PPS, com 15 anos de oposição ao PT e há vários anos na Câmara e no Senado, tendo como um de seus senadores o glorioso Presidente Itamar Franco, nunca, jamais, em tempo algum esteve em suspeição ou foi acusado (nenhum de seus membros) de desvio de conduta, por quê iria agora ” estar contaminado inexoravelmente pela doença que afetou o sistema político, e que é altamente contagiante ?” Não, o PPS nunca se contagiou. É preciso, mesmo não sendo simpatizante dele, reconhecer este mérito do PPS. O PPS, aproveitando as suas palavras, é a joia rara da Coroa e é a Reserva Moral dos brasileiros no Parlamento. Seu histórico merece, pelo menos, um voto de confiança seu e dos demais brasileiros.

  4. Prezado Ednei Freitas, muito grato pela gentileza em incluir meu comentário
    em seu excelente artigo. Isso me dá forças, mesmo com meu fraco português a expressar minhas idéias. A dona Marina, é mais uma aventureira com aquele
    jeitão de freira com frases que não significam nada, para cativar os incautos.
    Um forte abraço.

    • Prezado Nelio Jacob,

      Você não tem fraco português. Escreve muito bem. E seu comentário foi incluído no texto porque é um comentário lúcido e que faltou eu falar em meu texto. Seu comentário simplesmente completa o que eu escrevi.
      Um forte abraço

  5. Caro Francisco Bendl, É verdade, esse toma lá dá cá entre o executivo e
    legislativo virou um balcão de negócios, muito rentável para ambas partes.
    Se houvesse uma lei que proibisse a nomeação de políticos e seus afilhados
    para cargos em Ministérios, Estatais etc, ficando esse cargos a disposição de
    funcionários de carreira ou de pessoas da sociedade civil com comprovada competência
    na área, diminuiria consideravelmente a compra e venda das consciências.
    Deputados e Senadores foram eleitos para legislar.

    • Jacob, meu amigo,
      Pois a política brasileira praticada é exatamente o que escreveste:
      Um balcão de negócios!
      Ora, neste tráfico de influência e fisiologismo explícito, quem vai levar em conta a essência partidária?
      Resultado:
      A deterioração dos partidos, a sua desintegração moral – sintoma que tem sido o responsável indiscutivelmente à implantação e instituição da corrupção e desonestidade entre Legislativo e Executivo, além de empresários que se identificam intimamente com esta forma deletéria e prejudicial ao povo brasileiro – também é percebível na sociedade, onde se questiona abertamente as razões pelas quais exige-se do povo que marche com o passo certo, porém permite-se e até mesmo é incentivado que os poderes não obedeçam ao som do bumbo, quebrando a harmonia e uniformidade, primordiais entre aqueles que se apresentam ao público em desfiles comemorativos.
      Assim, assistimos incrédulos grupos que batem o pé com o esquerdo e outros com o direito, alguns até caminham, menos se preocuparem com uma batida uníssona, que deveria ser a preocupação de todos para a qualidade da apresentação e sua organização perfeita.
      Um abraço, meu amigo Jacob.

  6. Não a vejo como uma líder, capaz de enfrentar os problemas do país, poupou Dilma Rousseff nos debates para a presidência da república, caso eleita, vai ficar mais perdida do que cego em tiroteio, ficará deslumbrada com o poder, assim como, Lula e Dilma, eram do mesmo partido e por sentir que jamais seria candidata pelo partido a presidência da república, fundou este partido, não terá pulso, é uma baratinha tonta.

  7. O DISCURSO SOCIAL DO PAPA FRANCISCO

    28.09.2015

    O discurso anticapitalista do papa. 23003.jpeg
    Após trabalhar pela reaproximação dos países, o chefe da Igreja Católica visita Cuba e Estados Unidos em setembro. Nos últimos dois anos, Francisco, primeiro papa não europeu em treze séculos, descentralizou o olhar da Igreja no mundo. Defensor de uma ecologia “integral” socialmente responsável, desafia as consciências.

    Diante de uma multidão reunida na Praça do Cristo Redentor, em Santa Cruz, a capital econômica da Bolívia, um homem vestido de branco repreende “a economia que mata”, o “capital transformado em ídolo”, “a ambição sem limites do dinheiro que comanda”. No dia 9 de julho, o chefe da Igreja Católica não se dirigia apenas à América Latina, que o viu nascer, mas ao mundo todo, que ele procura mobilizar para colocar um fim na “ditadura sutil” que exala o mau cheiro do “esterco do diabo”.

    “Precisamos de uma mudança”, proclama o papa Francisco três dias antes de incitar os jovens paraguaios a “desafiar a ordem”. Em 2013 no Brasil, pediu às pessoas que atuassem como “revolucionárias” e se posicionassem “contra a corrente”. Em suas viagens, o bispo de Roma profere um discurso cada vez mais virulento sobre o estado do mundo, sua degradação ambiental e social, e usa expressões fortes contra o neoliberalismo, o tecnocentrismo e um sistema econômico de efeitos nefastos: uniformização de culturas e “globalização da indiferença”.

    Em junho, nessa mesma linha, Francisco dirigiu à comunidade internacional um “convite urgente para um novo diálogo, o diálogo pelo qual construiremos o futuro do planeta”. Nessa encíclica sobre a ecologia, chamada Laudato si’ (“Louvado seja”), chama cada um, fiel ou não, para uma revolução de comportamentos e denuncia um “sistema de relações comerciais e de propriedade estruturalmente perverso”.

    O pontífice assegura que outro mundo é possível, não no Juízo Final, mas aqui embaixo e agora. O papa celebridade, na linha midiática de João Paulo II (1978-2005), fragmenta e divide: por um lado é canonizado por figuras da ecologia e altermundialistas (Naomi Klein, Nicolas Hulot, Edgar Morin) por “sacralizar o desafio ecológico” em um “deserto do pensamento”; por outro, demonizado pelos ultraliberais e pelos céticos em relação à questão climática, capazes de descrevê-lo como “a pessoa mais perigosa do mundo” – como o caricaturou um polemista do canal ultraconservador norte-americano Fox News.

    As direitas cristãs se inquietam ao ver um papa de discurso esquerdista e reticente sobre o aborto. E os editorialistas da esquerda laica se perguntam sobre a profundidade revolucionária desse homem do Sul, primeiro papa não europeu desde o sírio Gregório III (731-741), que se escandaliza diante do tráfico de imigrantes, pede apoio aos gregos e rejeita o plano de austeridade, nomeia um genocídio (dos armênios) de “genocídio”, assina um quase acordo com o Estado palestino, apoia sua testa em oração no Muro das Lamentações contra a separação que os israelenses impõem aos palestinos e se aproxima de Vladimir Putin sobre a questão síria quando a tendência, entre os ocidentais, é sancionar a Rússia pelo conflito ucraniano.

    “Ele colocou a Igreja novamente no cenário internacional”, analisa Pierre de Charentenay, especialista em Relações Internacionais na revista jesuíta romana Civiltà Cattolica. “E mudou a aparência da instituição. Ele é o campeão do altermundialismo e questiona o conjunto do sistema.”

    Precisamente, o que diz o primeiro papa jesuíta e sul-americano é o seguinte: a humanidade carrega a responsabilidade pela degradação planetária e deixa o sistema capitalista neoliberal destruir o planeta, “nossa casa comum”, semeando desigualdade. A humanidade precisa romper com uma economia – como diz o economista, e também jesuíta, Gaël Giraud – “que desde Adam Smith e David Ricardo exclui a questão ética, impondo a ficção da mão invisível” que deveria regular o mercado. Essa mão precisa, atualmente, de uma “autoridade mundial”, de normas restritivas e, sobretudo, da inteligência dos povos a serviço de quem é urgente redirecionar a economia. Porque a solução, política, está em suas mãos, e não nas mãos das elites, acometidas pela “miopia das lógicas de poder”.

    Para o papa, a crise ambiental é, antes, moral, fruto de uma economia desligada do ser humano, na qual as dívidas se acumulam: entre ricos e pobres, Norte e Sul, jovens e velhos. E na qual “tudo está conectado”: pobreza-exclusão e cultura do desperdício, ditadura do curto prazo e alienação consumista, aquecimento global e congelamento de corações. Dessa forma, “uma abordagem ecológica verdadeira sempre se transformará em abordagem social”. Convocada a se repensar, a humanidade precisa buscar uma “nova ética nas relações internacionais” e uma “solidariedade universal” – foi o que pediu Francisco na Assembleia Geral da ONU no dia 25 de setembro, no lançamento dos Objetivos do Milênio para o Desenvolvimento.

  8. Infelizmente, na política moderna, quem assume alguma definição ideológica, qualquer que seja, se arrisca a ser destruído como ‘radical’ tanto por opositores como por caçadores de bruxas da mídia. Isso não apenas no Brasil. Na Grã-Bretanha já estão denunciado o ‘extremismo’ do novo líder trabalhista, Jeremy Corbyn. No fundo, o político ideal da grande imprensa é o do tipo de vácuo ambulante, como era Mitt Romney, que era apreciado por comentaristas na proporção inversa da simpatia que causava no eleitorado.

  9. FOI O GOVERNO BUSH E SEUS PARCEIROS ARÁBIA SAUDITA, QATAR E TURQUIA QUE ARMARAM E ABASTECERAM DE DINHEIRO O ESTADO ISLÂMICO QUE HOJE DIZEM COMBATER – O FEITIÇO VIROU CONTRA O FEITICEIRO

    Nas primeiras agitações, em 2011, houve casos de elementos armados que mataram policiais e soldados. Adiante, foram ataques terroristas à bomba contra altos funcionários do governo sírio, incluindo uma explosão, dia 18/7/2012 – que o governo sírio denunciou como atentado por suicida-bomba – que matou o ministro da Defesa da Síria, general Dawoud Rajiha, e Assef Shawkat, vice-ministro da Defesa e cunhado do presidente Assad.

    Naquela época já era muito claro que Arábia Saudita, Qatar, Turquia e outros países governados por sunitas estavam mantendo, com dinheiro e outros recursos, grupos rebeldes jihadistas que lutavam para derrubar o governo Assad, que viam como protetor de cristãos, xiitas, alawitas e de outras minorias sempre ameaçadas de perseguição no caso de os extremistas sunitas prevalecerem.

    Como se lia no Relatório da Inteligência da Defesa de 2012 sobre a Síria, “internamente, os eventos estão tomando rumo claramente sectário (…). Salafistas, a Fraternidade Muçulmana e a Al-Qaeda no Iraque são as maiores forças que comandam a insurgência na Síria. (…). O ocidente, países do Golfo e Turquia apoiam a oposição; enquanto Rússia, China e Irã apoiam o governo da Síria.”

    Os analistas da Inteligência da Defesa já compreendiam claramente os riscos que a AQI representava para a Síria e para o Iraque. O relatório conclui com um claro alerta para a expansão da AQI, que já se estava convertendo em Estado Islâmico, ou o que naquele relatório é chamado “ISI”. O brutal movimento armado via suas fileiras inchar sempre mais, com a chegada de jihadistas globais que se reuniam em torno da bandeira negra da militância armada sunita, intolerante contra os ocidentais, tanto quanto contra os “hereges” xiitas e de outras ramos não sunitas do Islã.

    Com aquele movimento crescendo, havia risco de que a violência voltasse a respingar sobre o Iraque. O relatório da Inteligência da Defesa escreveu: “Assim se cria a atmosfera ideal para que a AQI retorne aos seus velhos bolsões em Mosul e Ramadi [no Iraque] e assegurará ao grupo renovado ímpeto, ante a expectativa de unificarem a jihad sunita de Iraque e Síria, e com o resto dos sunitas no mundo árabe contra o que consideram o principal inimigo, os dissidentes [aparentemente, é referência ao xiismo e a outros ramos não sunitas do Islã]. O ISI pode também declarar um Estado Islâmico, de sua união com outras organizações terroristas no Iraque e Síria, que criará grave risco para a unificação do Iraque e proteção de seu território.”

    Diante dessa crescente ameaça do terrorismo de sunitas – que efetivamente respingou de volta sobre o Iraque -, a ideia de que a CIA ou militares dos EUA pudessem efetivamente armar e treinar uma força rebelde “moderada” para lutar contra os islamistas já era delirante; pois foi o que o ‘grupo de pensamento’ dentre outros ‘importantes’ da Washington oficial sugeriu: criar precisamente um exército “moderado” para depor o presidente Assad. Isso feito, tudo ficaria automaticamente perfeito.

    Dia 2/10/2014, o vice-presidente Joe Biden deixou entrever mais um pedaço do rabo do gato escondido no saco, quando contou aos que assistiam a uma palestra na Kennedy School, de Harvard: “nossos aliados na região eram nosso maior problema na Síria (…) sauditas, os emirados, etc., o que estavam fazendo? Estavam super decididos a derrubar Assad e, na essência, queriam lá uma guerra à distância [por procuração] de xiitas contra sunitas, e o que fizeram? Eles fizeram jorrar centenas de milhões de dólares e dezenas de milhares de toneladas de armamento militar sobre qualquer um que se dispusesse a lutar contra Assad. Problema é que o pessoal que estava sendo abastecido eram Al Nusra e Al Qaeda e elementos do jihadismo extremista vindos de outras partes do mundo”.

    É dizer, em outras palavras, que vários dos membros que compõem a coalizão anti-Estado Islâmico comandada hoje pelos EUA realmente financiaram e armaram, antes, os mesmos jihadistas que a coalizão supostamente combate hoje. Se se levam em consideração os bilhões de dólares perdidos que o governo Bush entregou a combatentes sunitas desde 2006, chega-se facilmente à conclusão de que a coalizão hoje liderada pelos EUA tem responsabilidade vasta e direta pela geração do problema que, hoje, ela está supostamente combatendo.

  10. Olá Pessoal. Não quero falar do Partido em si, Mas da ideia que a Marina ainda não ruminou. mas, ela entendeu a vontade do povo. Concordo que o partido tem que ter uma posição se não, não é partido. Mas na minha opinião lega do assunto. Acredito que o debate direita e esquerda, esta atrapalhando o debate. Porque tanto as ideologias de esquerda e as ideologias de direita, estão ultrapassadas para os problemas modernos que enfrentamos.
    O que é democracia? Se não o debate de ideias entre as partes, onde, encontramos dentro da opinião da maioria a decisão.
    Chegamos no ponto que ideias boas de direitas, são negadas simplesmente por ser de direita, Da mesma forma ideias excelentes de esquerdas são negadas simplesmente por ser de esquerda. Não há uma convergência de ideias. Pensando por esse lado a ideia de maria de convergência é excelente. Digamos que podemos desta forma poderemos debater as ideias pelas proposta e não pela cor do partido. Veja bem, um exemplo prático. Um partido de esquerda, quer desenvolver um debate com a população para implantar o sistema de educação para o município, só que a oposição de direita não quer aprovar tal coisa simplesmente por ser uma ideia de esquerda. Primeiro que disse que debater um proposta com a população é uma ideia de esquerda? Segundo quem disse que isso é bom o ruim para o população? Temos um impasse. E por causa das ideologias direita x esquerda. Não saímos do lugar e não decidimos nada. Agora pense assim: E se nós não debatêssemos, não a ideia, se é de esquerda ou de direita, mas a funcionalidade do projeto. A importância, o custo, a impacto a sociedade, o tempo de implantação, a monitoração da ação do projeto. Isso não tem nada a ver se de esquerda ou de direita, e sim se o projeto e viável para sociedade. Ai sim dentre deste modo entraríamos nos contra e a favor. Ai sim criaríamos partidos. Não de esquerda ou direita. E sim a favor ou contra. Sem ideologia. É um utopia? sim é. Mas a Marina entendeu que estamos evoluindo para isso, mas não entendeu como, e como REDE ainda não atende isso. Mas é um começo.

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