A reforma política e a reforma dos homens

Carlos Chagas

Deveria a presidente Dilma atentar para o fato de que a reforma política não garante a reforma dos homens. Mesmo que sejam companheiros. Fica claro que o Congresso não quer a reforma política de verdade, aquela que ajudaria a mudar o país e as instituições. Deputados e senadores  poderão aceitar algumas propostas menores, em nome da conciliação. Ou da enganação. Mas mudanças profundas, de jeito nenhum, pois estariam arriscando a  própria  sobrevivência.

Nada de financiamento público das campanhas, a menos que estejam liberados também os financiamentos privados. Muito menos o fim das coligações Nas eleições para deputado. Tiriricas sempre existirão para eleger colegas sem os votos suficientes. Assim, também não passa a sugestão de cada estado constituir-se num distritão e chegarem à Câmara apenas os que tiverem mais votos.

Da mesma forma a votação  em listas partidárias morrerá na praia, porque  se favorece os caciques, que vão elaborar as listas, prejudica os grotões, capazes de ficar no fim da fila. E os grotões são maioria.   Cláusula de barreira, nem pensar, já que os partidos de aluguel não servem apenas a seus dirigentes, mas aos grandes partidos, na hora de calcular o tempo de propaganda gratuita na televisão.  Acabar com o voto  secreto poderá configurar uma  concessão, mas não faltarão vozes  sugerindo exceções, para Suas Excelências não ficarem mal com o presidente da República contrariado ou com o colega cassado.   Extinguir a figura do suplente de senador? E quem vai financiar a próxima campanha? Na reeleição, só se mexerá quando a vaca começar a tossir. Como ficarão prefeitos e governadores, para não se falar dos presidentes da República?

A presidente Dilma vem sendo acusada de ingênua por insistir na votação imediata da reforma política, mesmo abandonada por sua base parlamentar e pelo seu vice-presidente, mas pode não ser bem assim. O que ela desejaria não é a reforma,  porém a anti-reforma, ou seja, a demonstração de ter feito tudo o que podia, mas o Congresso não quis.

De qualquer forma, as máscaras vão caindo, dando razão ao saudoso dr. Ulysses, para quem “pior do que o atual Congresso, só o próximo”. Não se conseguiu, na História da Humanidade, a reforma dos homens.

DISPLICÊNCIAS

Faz muito que os governos vem estimulando a produção de veículos e sua aquisição por número cada vez maior de cidadãos, mesmo sem a correspondência de melhor infraestrutura rodoviária e urbana. Inúmeros profetas preconizam para breve aquele nó dos diabos nas cidades e nas estradas, imagens, aliás, a que já nos acostumamos. Há uma displicência generalizada que atinge não apenas o governo, mas a indústria, a mídia, o sistema financeiro e o próprio cidadão, com uma diferença: ele é o único a perder dinheiro, trocando a poupança por carrões. Os demais faturam.

OS POBRES E OS RICOS

Carlos Lacerda, já rompido com o presidente Castello Branco, crítico  veemente da política econômica de Roberto Campos, disse uma vez que o governo estava matando os pobres de fome e os ricos de raiva.  Agora, o Bolsa-Família atende parte dos pobres, mas a carga tributária continua fazendo suas vítimas.

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10 thoughts on “A reforma política e a reforma dos homens

  1. Fora com os preguiçosos

    Dos importantes resultados obtidos de nossos congressistas, decorrente das manifestações de ruas, deu para perceber que os nossos parlamentares, trabalham melhor quando submetidos à pressão. Trocando em miúdos, a sociedade organizada já deveria dispor de mecanismos legais, racionais e justos, para por no olho da rua, todo político preguiçoso e ineficiente. O Brasil passaria a avançar a passos largos na direção de uma economia forte e de maior justiça social. Todos ganhariam.

  2. Eu mesmo!!!
    Tenho consciência plena de que preciso de uma boa reforma, de um bom recall!!!
    Nada do que penso sobre a vida está acontecendo.
    Nada do que sonhei tem chance de um dia vir a acontecer.
    E … os que pensam diferente estão prósperos e ricos.
    Os prósperos e ricos são conservadores e debocham de mim: me acham um merda.
    Pergunto para mim mesmo: então … sou mesmo um merda? Sou mesmo um imprestável … um descartável? Afinal, eu sirvo para quê, exatamente? Vivo com minhas dívidas, a saúde vai assim assim, curto Sinatra, Tom e Chopin … leio bastante, mas na hora de contar dinheiro, xiii … as coisas não ficam lá muito favoráveis. Meu ministro da Fazenda e meu ministro Chefe da Civil, ambos sou eu mesmo, parece que não estão agradando. E como presidente desta Reprivada, meu fracasso tem sido indiscutível.
    Todos os dias pela manhã me olho no espelho e grito: “Você precisa mudar!!!” Mas mudar como, e ir em qual direção? Tudo bem! Preciso me reformar. Percebo que o país também precisa e nossas dúvidas são as mesmas. Eu … quero fazer a minha reforma. E o país? Também quer fazer a sua? Claro. Mas por onde começar? Não sabemos.
    Aí … abro a janela. Olho o mundo. Fico contemplando a paisagem. Puxa, tudo errado, também. Vejo que tem muita gente insatisfeita, infeliz e que quer se reformar, já. Mas percebo igualmente que ninguém sabe por onde começar. Reina uma confusão total na minha mente, nas mentes dos habitantes deste tão minúsculo e insignificante planeta, diante da grandiosidade do Cosmo. Stephen Hawking, olhando a Terra, disse: “Olhemos!!! A Terra é tão pequena no Universo … Vejam!!! E ela abriga tanta arrogância, tanta inquietude, tantos desentendimentos …”
    “O Homem nasce pronto”, disse Shakespeare.
    “Podemos construir nosso próprio templo, tijolo a tijolo”, disse o Buda.
    “O importante não é saber de onde viemos, nem para onde vamos: eu quero é saber onde estamos”, dizia o Millôr Fernandes.
    E eu digo: “Reforma Já, Para Mim”. Como isto vai se processar, não faço a menor ideia.
    Os políticos??? Estes sim, já nascem prontos. Não mudarão jamais.

  3. Postado na página http://www.facebook.com/valmor.stedile conforme segue: DEFORMAÇÃO POLÍTICA – Ótimo texto do jornalista Carlos Chagas sobre a falta de interesse das classes dirigentes em relação à verdadeira reforma política, que só admitem deformando o conceito para servir de mera tapeação eleitoral: “Fica claro que o Congresso não quer a reforma política de verdade, aquela que ajudaria a mudar o país e as instituições. Deputados e senadores poderão aceitar algumas propostas menores, em nome da conciliação. Ou da enganação. Mas mudanças profundas, de jeito nenhum, pois estariam arriscando a própria sobrevivência”. Por isto, devemos nos apegar à Constituição exigindo respeito às regras estabelecidas, quem sabe aí poderá ocorrer uma virada nas urnas em 2014. Aliás, não adotam a impressão do voto eletrônico será porque temem a verdade eleitoral?

  4. Almério, acho que nossa reforma será processada pouco a pouco, submetendo-nos a pequenas mudanças de cada vez.Bem que gostaria de acreditar que tudo mudará rapidamente. Mas não vai. Lembremo-nos de que somos seres em constante aperfeiçoamento – lentamente, claro – e não nos transformamos rapidamente. E a sociedade e a Nação somos nós.Como poderá o país e suas instituições mudarem na velocidade em que desejamos? Você diz que abre a janela e vê que tem muita gente “que quer se reformar”. Engano seu, Almério. Essa “muita gente” quer que outros se reformem e não ela.Por isso tudo caminha e caminhará a passos quelônicos. Quando for à janela,cuidado.

  5. Não acredito que estejamos aqui para mudar o mundo. Creio que estamos aqui para aprender individualmente e construir coletivamente. Dependendo do que aprendermos podemos mudar… a nós mesmos! E isso não é pouco: não é mesmo!… e Conhecimento é que nem o Amor: só tem razão de existir na Partilha, caso contrário, não é um nem outro, simulacros, tão somente.

  6. Prezado Batista Filho

    Desculpe-me, mas, se depender da tão esperada evolução moral e espiritual do homem para termos um mundo mais justo, honesto e digno, para todos, por certo que a humanidade vai se deparar, a qualquer hora dessas, com a devastadora guerra nuclear. Há cerca de 4,3 bilhões de anos, quando a gente ainda era ameba, que a truculência e roubalheira já deviam estar em plena implantação, por alimento, água, sexo e espaço. Haja experiência!

  7. “Carlos Lacerda, já rompido com o presidente Castello Branco, crítico veemente da política econômica de Roberto Campos, disse uma vez que o governo estava matando os pobres de fome e os ricos de raiva.”

    Hahahahaha, Lacerda mito!

  8. Naveira, boa noite!

    Numa perspectiva histórico-analítica, realmente é difícil ter Esperança na evolução moral e espiritual humanas, como frisaste – como forma de superação dos graves problemas que nos afligem.

    Um dos meus irmãos sempre lembra a competição entre espermatozoides para fecundar um único óvulo, para ilustrar o que seria a nossa incapacidade (ou dificuldade quase insuperável) para construirmos um mundo melhor: um mundo onde o TER só existiria como verbete de um passado longínquo.

    Mas somos mais que criaturas biológicas. Levando em conta a idade do planeta, 4,5 bilhões de anos (também lembrado por ti), mesmo descendendo de amebas, nossos parentes mais próximos, os hominínideos, têm menos de 3 milhões de surgimento: o que é algo muito recente…

    Sim, meu Amigo, coexistimos com amebas. Longevas essas criaturas, hem? Mas, volto a afirmar, creio que não somos só criaturas biológicas. Talvez com mais alguns milhõeszinhos de anos tenhamos superado – senão o “complexo de vira-latas” -, pelo menos o complexo de amebas! E aí, talvez os homens-amebas que acreditam que a vida inteligente só surgiu em Pindorama no dia 1º de abril (ops, eles querem que essa data seja conhecida como 31 de março!), já tenham evoluído um pouquinho mais e tenham aprendido a soletrar direitinho o sobrenome do primeiro mandatário milico-servil: bê-erre-ó-eni, Bron, cê-ó-có, co – Bron-co… (Castelo) BRONCO.

    Mas vamos que vamos, meu Amigo. As forças reacionárias estão bem assanhadas!

  9. Pergunto: por que na Holanda fecharam outras nove prisões? Alegaram “falta de criminosos”
    Por que no município fluminense “Varre e Sai” não há Delegacia de Polícia?
    Por que no Vietnã não há assaltos nas ruas … o desemprego é praticamente zero … e as pessoas vivem sorrindo apesar de ganharem pouco … O Estado empresta (quase dando) dinheiro para o plantio de arroz, abacaxi e mandioca … e repassa parte para os plantadores, que … Vivem Felizes!!! Não necessitam de reforma alguma!!!
    Acontece que nós, os “desenvolvidos”, priorizamos o dinheiro como fator máximo (e quase que único) de felicidade. O resultado é … este aí.

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