A regra da proximidade na eleição municipal

Carla Kreefft

A eleição municipal, apesar de ainda estar em curso, já aponta para algumas lições que até não são novas, mas quase sempre são esquecidas pelos partidos. A principal delas talvez seja a necessidade de proximidade entre o candidato e a cidade. A população escolhe o candidato que está mais perto, ainda que essa aproximação não seja referente à pessoa física. Muitas vezes diz respeito ao trabalho realizado.

As disputas em São Paulo e Belo Horizonte são dois bons exemplos para essa análise. Na capital paulista, o candidato Fernando Haddad, apesar de todo o apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff, está em terceiro nas pesquisas de intenção de voto. Lidera a corrida Celso Russomanno que, por fatores diversos como a militância na área de defesa do consumidor e o fato de ter sido apresentador de programas de televisão, é bem conhecido da população.

Ao contrário, Haddad, ex-ministro da Educação do governo Lula, até pouco tempo estava em Brasília e a ligação com São Paulo não era estreita. E o ex-governador José Serra, que ocupa o segundo lugar, é bem conhecido do paulistano, mas por ter sido candidato à Presidência da República está mais identificado com um projeto nacional do que local.

Em Belo Horizonte, um ex-ministro petista, tal como Haddad, se encontra em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto. Patrus Ananias, que comandou a pasta de Desenvolvimento Social e Combate à Fome no governo Lula, está atrás do atual prefeito Marcio Lacerda. Patrus foi prefeito de Belo Horizonte em 1992 e, depois, trabalhou por muito tempo em Brasília.

Apesar de ter feito uma administração muito bem avaliada e até de ser identificado como um prefeito que mudou a cara da capital mineira, hoje Patrus guarda uma distância da população. Já Marcio Lacerda, por ser o atual prefeito e ter muitas obras pela cidade, consegue uma aproximação melhor com o cidadão.

Interessante ressaltar que Lacerda, na eleição de 2008, não tinha nenhuma proximidade com a cidade e, por isso, precisou demais da ajuda de padrinhos: os então governador Aécio Neves e o prefeito Fernando Pimentel. Essas duas lideranças eram a ligação dele com a cidade. Ainda assim houve o segundo turno.

Diante desse quadro, é possível entender porque candidatos como Haddad e Patrus ainda não conseguiram um bom desempenho nas pesquisas. Há ainda um desdobramento dessa situação: talvez esses candidatos estejam precisando de um apoiador que seja capaz de fazer um elo com a cidade. Lula e Dilma estão distantes. Em Belo Horizonte, Fernando Pimentel pode ser a ligação mais forte entre Patrus e a cidade. Além de ter sido prefeito por praticamente dois mandatos, Pimentel esteve muito presente na campanha de Lacerda em 2008.

(Transcrito do jornal O Tempo)

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