A segunda derrota de Lula

Carlos Chagas

Derrotado mesmo, durante seus oito anos de governo, o Lula só foi uma vez, quando o Senado revogou a CPMF.  Pois agora, fora da presidência da República, mas não do poder, o primeiro-companheiro arrisca-se a um segundo fracasso. Anuncia-se haver convocado os presidentes dos partidos da base de apoio do governo para convencê-los a votar o projeto de reforma política do PT, de autoria do deputado Henrique Fontana. Ainda esta semana, depois de conversar com as bancadas de seu partido, o ex-presidente abriria o leque, buscando convencer PMDB, PTB, PDT e penduricalhos. 

O problema é que não dá mais tempo,  se mesmo por milagre o Lula conseguisse maioria para o texto petista. Qualquer reforma político-eleitoral precisa ser aprovada até o dia 3 do próximo mês, se quiserem aplicá-la nas eleições municipais do ano que vem. Caso contrário, só valeria das eleições gerais de  2014 em diante.  Ora,  naquele ano  o Congresso inteiro estará jogando o seu futuro. Mil interesses conflitantes entrarão  em pauta.

Deputados e senadores não se entenderão de jeito nenhum para mudar as regras atuais, que mal ou bem, os beneficiaram para ser eleitos. O voto duplo, por exemplo, no partido e nos candidatos a  deputado estadual e deputado federal, com toda certeza será rejeitado. Servirá aos interesses do PT, mas o que dizer do PMDB e demais legendas, em especial as menores? E as de oposição?

O falso financiamento público das campanhas, que permitirá doações privadas, beneficiará os companheiros e os peemedebistas,  na medida em que mais recursos receberão as maiores bancadas. E os outros?                 

Ignora-se porque o ex-presidente lançou-se na missão quase impossível de realizar a reforma política. Talvez por falta do que fazer, quem sabe por haver esgotado seu cabedal para pronunciar conferências pelo mundo a fora. Muitos acham ter sido para preparar seu retorno ao palácio do Planalto, no mais breve tempo possível. Tanto faz a motivação, mas a verdade é que,  desta vez,  ele será derrotado. Não conseguirá convencer a maioria do Congresso a aprovar a reforma política.                                                               

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FALTA UM COMANDANTE  

A crônica política dos tempos recentes revela que as oposições  sempre tiveram um comandante  maior, aquele para quem todos se voltavam em busca de inspiração e instruções.  Foi Carlos Lacerda, durante os anos Vargas e Goulart. Depois Ulisses Guimarães, no regime militar. Sem esquecer Paulo Brossard e Teotônio Vilela. Leonel Brizola, com a Nova República. O Lula também, nos dois mandatos de Fernando Henrique. 

Pois a partir da chegada  do PT ao poder, quem comanda as oposições? José Serra nunca foi, dadas as arestas que provoca, somadas à inveja do Alto Tucanato. Fernando Henrique gostaria mas não consegue.

Aécio Neves poderia ocupar o comando, às vezes a gente pensa que assumiu, só que no momento seguinte ele desaparece. Segue o exemplo do avô, que até deu certo. Tancredo chegou à presidência da República precisamente por não radicalizar. O neto sacrifica o comando das oposições pelo mesmo motivo. Talvez chegue lá, mas como, se a tropa bate cabeça, sem o mínimo de unidade? 

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DENOMINADOR COMUM

Qual o denominador comum a unir os ministérios do Turismo, Cidades, Trabalho, Previdência Social, Assuntos Estratégicos e Integração Nacional? Quem quiser que responda, senão agora, pelo menos até o fim do ano…

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INCOLUMES, MAS ATÉ QUANDO?

A crise econômica européia anda bem pior do que seus países fazem crer. A Grécia parece caso insolúvel, não consegue pagar suas dívidas mesmo aplicando a fórmula cruel do FMI e da União Européia, expressa no aumento de impostos, redução salarial, demissões em massa e cortes nos investimentos e programas sociais. Portugal anda perto, como a Irlanda. A sombra desse pacote de maldades  embrulhado em nome da cobrança das dívidas aproxima-se da  Espanha e a Itália. As  reações populares já se fazem sentir.

Escapará o Brasil? Por cautela deveria o governo abandonar qualquer iniciativa referente a uma  nova CPMF ou que outro nome tenha mais esse avanço no bolso da população. Caso contrário logo  virão cortes em programas sociais, paralização de obras públicas, congelamento de salários,  vencimentos e sucedâneos. Ou já  não vieram?

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