A sensibilidade social de Aldir Blanc

O desabamento de parte do viaduto da Av. Paulo de Frontim, na Tijuca (RJ), numa tarde de sábado em 21/11/1971, inclusive, com vítimas fatais, foi um ato que, infelizmente, ladeado aos dias difíceis, onde havia censura, prisões, torturas, mortes, exílio etc , crimes impostos pela ditadura militar vigente no Brasil desde 1964, e também a figura de Charles Chaplin levaram o psiquiatra, escritor e poeta Aldir Blanc invocar o seu infindo veio poético para escrever O Bêbado e A Equilibrista. Mais do que um um clássico tornou-se um hino na época da ditadura e da anistia, que foi musicado por João Bosco e gravado por Elis Regina.

Bosco e Blanc

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O BÊBADO E A EQUILIBRISTA

João Bosco e Aldir Blanc

Caía a tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto
Me lembrou Carlitos…

A lua, tal qual a dona do bordel
Pedia a cada estrela fria
Um brilho de aluguel

E nuvens!
Lá no mata-borrão do céu
Chupavam manchas torturadas
Que sufoco!
Louco!
O bêbado com chapéu-coco
Fazia irreverências mil
Pra noite do Brasil.
Meu Brasil!…

Que sonha com a volta
Do irmão do Henfil.
Com tanta gente que partiu
Num rabo de foguete
Chora!
A nossa Pátria
Mãe gentil
Choram Marias
E Clarisses
No solo do Brasil…

Mas sei, que uma dor
Assim pungente
Não há de ser inutilmente
A esperança…

Dança na corda bamba
De sombrinha
E em cada passo
Dessa linha
Pode se machucar…

Azar!
A esperança equilibrista
Sabe que o show
De todo artista
Tem que continuar…

(Colaboração enviada pelo poeta Paulo Peres – site Poemas & Canções)

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