A siderúrgica dos tucanos

Sebastião Nery

Antônio Claret era a infantaria financeira da troupe de Fernando Henrique, José Serra e Sérgio Motta no governo de Franco Montoro (83 a 87). Puseram-no na presidência do metrô paulista. Fez misérias cabeludas.

Quando Sarney assumiu a presidência da República, Fernando Henrique, Serra e Serjão tiraram Claret do metrô e o puseram presidindo a Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa), onde o saco de dinheiro era ainda maior. Enfiaram a mão. Fizeram pior do que no metrô.

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PERSICO E A PARTBANK

Na época, ficou famoso o escândalo da “Persico Pisamiglio”, tradicional empresa paulista que trabalhava com produtos siderúrgicos. A Persico devia para a Cosipa. O bando chamou o parceiro Mendonça de Barros (ele mesmo, o da Telegangue). Através da corretora “Partbank”, Serjão e Mendonção montaram no BNDES um lançamento de debêntures para a Persico pagar à Cosipa.

E deram o golpe da correção monetária. Não puseram a correção monetária no contrato. Naquela época de inflação galopante, com o impoluto febrabânico Mailson da Nóbrega ministro da Fazenda, comeram a correção.

E a Partbank de Serjão e Mendonção ainda virou sócia da Persico. O Tribunal de Contas da União apurou um prejuízo de US$ 14 milhões de dólares que o sindicato fernandino deu à Cosipa.

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ROBERTÃO INVESTIGOU

A Cosipa ficou com o pepino pré-tucano e a Persico faliu. Sarney, presidente, mandou Roberto Cardoso Alves, ministro da Indústria e Comércio, investigar tudo. Apuraram tudo. Sarney sabia de tudo.

Quando Fernando Henrique assumiu o Ministério da Fazenda, no governo Itamar Franco, providenciou logo a queima de arquivo. Pôs André Franco Montoro Filho como presidente da Comissão Nacional de Desestatização, no BNDES, e trataram logo de privatizar a Cosipa.

Não era uma privatização, era uma queima de arquivo. Um dos grandes medos do palácio do Planalto na era FHC era que Sarney desembrulhasse a história do Claret, do metrô, da Cosipa. Iria abrir o caixa 2 do tucanato no nascedouro.

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