A solidão poética e o amor na velhice

Rubem Braga dizia que a poesia é necessária. Então, vamos a ela, com Rainer Maria Rilke e Sérgio Lopes.

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SOLIDÃO

Rainer Maria Rilke

A solidão é como uma chuva.
Ergue-se do mar ao encontro das noites;
de planícies distantes e remotas
sobe ao céu, que sempre a guarda.
E do céu tomba sobre a cidade.

Cai como chuva nas horas ambíguas,
quando todas as vielas se voltam para a manhã
e quando os corpos, que nada encontraram,
desiludidos e tristes se separam;
e quando aqueles que se odeiam
têm de dormir juntos na mesma cama.

Então, a solidão vai com os rios…

Rainer Maria Rilke, in “O Livro das Imagens”
Tradução de Maria João Costa Pereira

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ROMANCE DA VELHICE

Sergio Lopes  (para Zeni)

Não posso mais te amar como um menino
Que sonha de maneira irrefletida.
Meu lindo romantismo diluiu-se
Em meio aos mil trabalhos desta vida.

Mas mesmo envelhecido me emociono
Quando olho nos teus olhos com carinho.
Por eles sempre, sempre, me apaixono
Ao longo das labutas do caminho.

Se agora já não sei mais versejar,
Se o tempo enferrujou minha poesia,
Mantenho firme o gosto de te amar,
De te querer com toda a teimosia,

Pois continuo a crer e a declarar
Que só em ti está minha alegria!

 

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