A solução é separar as coisas: partido com escola e escola sem partido

Charge do Nicon, reprodução do Arquivo Google

Percival Puggina

Preservo a convicção dos meus tempos de atuação política: os partidos deveriam proporcionar a seus quadros formação continuada para os fins que legitimamente buscam. Conviria ao interesse público e às próprias legendas que elas proporcionassem conhecimentos e exigissem qualificações de todos os seus candidatos a cargos eletivos ou à gestão pública. No cenário atual, os partidos não apenas se descaracterizam, mas ficam cada vez mais parecidos com cartórios para registro nas disputas políticas. Só ocasionalmente o fio das convicções une o partido ao seu representante e este à sua conduta. Expressando melhor a ideia, penso então que as siglas deveriam não apenas ter, mas ser, elas mesmas, escolas de formação política.

Na outra ponta, está o louvável e realista projeto Escola Sem Partido. Muito tenho escrito sobre o estupro das mentes infantis e juvenis praticado em tantas salas de aula. Ali, se inibem as potencialidades da juventude e se expropria a verdade, a liberdade dos alunos, o direito dos pais e o futuro do país. Entendo que, no intuito de combater o projeto, se fale em liberdade do professor e pluralidade de informação.

CONDUTA ABUSIVA – No entanto, isso não é argumento, é apenas discurso para preservar o que de fato existe e que a Escola Sem Partido pretende evitar. Refiro-me à conduta abusiva de quem faz uso de sua supremacia, da mesa do professor, do giz que escreve e da caneta que dá nota, para prevaricar contra as desguarnecidas mentes dos jovens, visando a transformá-los em militantes de causas funestas. Sempre que trato do assunto, recebo testemunhos eloquentes de jovens vitimados por essa violência intelectual. Muitos foram ridicularizados, perseguidos, prejudicados em suas avaliações, num verdadeiro bullying docente. Não obstante tais pesares, estes são os felizardos de quem não conseguiram tomar o discernimento e a honestidade.

Sim, a honestidade. O professor militante do atraso tem a tarefa incômoda de justificar os injustificáveis produtos de sua fé. Não é fácil tornar atraente uma ideologia que não tem adversários individuais, mas suscita ódio contra grupos sociais inteiros: burgueses, livres pensadores, proprietários de terras e empresários.

DESTRUIR AS BASES – Nem é com pouco trabalho que se destrói a religiosidade, que se enfraquecem os laços familiares, que se justifica o totalitarismo imposto mediante monopartidarismo, censura, campos de concentração, terrorismo de Estado. Dureza, também, explicar o fracasso na produção de bens, a destruição da economia e a incapacidade de produzir uma única democracia. É claro que não se pode vender tal mercadoria sem muita mentira e desonestidade intelectual. Então, em meio a tantas versões e empulhações, o interesse pela verdade desaparece. Multidão de professores militantes entra diariamente em salas de aula com essa motivação, qualificando como fascista (estilo KGB) quantos rejeitem sua cartilha. Duvida? Com quem aprenderam os adolescentes invasores de escolas a chamar fascistas aqueles que reprovaram sua conduta? Ah, pois é.

As consequências da escola com partido são funestas. O estudante que recebeu, ano após ano, doses diárias de materialismo, lutas de classe e visão marxista da história, da economia, da sociedade e da política, gradua-se pronto para ser militante da causa de seus corruptores. Bom exemplo disso deu o aluno que escreveu artigo aqui em ZH festejando a “vitória” das invasões e homenageando o guerrilheiro comunista Comandante Marighella.

36 thoughts on “A solução é separar as coisas: partido com escola e escola sem partido

  1. Um dos que mais está incentivando isso, é um mane da TFP, que acha um absurdo o estado laico, pois a sua neta ‘estudou’ 3 anos de catecismo !

    Viva Joana D’Arc .

  2. O avesso do avesso do totalitarismo, ou seja o mesmo com sinal trocado !
    Vão fazer o que ? Colocarem um agente da SS em cada escola, ou um ” Bambini ‘ do Mussolini para cagoetar os professores ?
    Quanto as religiões pagarem impostos nem pensar, né ?

  3. Percival Puggina,
    bom dia.

    Lembras, aulas de musica, caligrafia, artes manuais, aulas de inglês, francês, “- Salut, Percival!,- Comment-allez vous?” e quetais. Bom enquanto durou e felizardos fomos.
    Nosso tempo passa muito rapido.
    Na proxima eleição os partidos deveriam exigir de seus candidatos:
    1 – renuncie ao forum privilegiado.
    2 – diminuir seu salario.
    3 – aceitar apenas uma releição.
    4 – reduzir gastos de seus gabinetes.
    5 – informar se tem pendencia e qual judicial.
    Dificil mas, não impossivel com estes e outros questionamentos. Nos cidadãos, poderiamos, definir com alguma certeza o candidato mais qualificado.
    Já ancião, apenas com tempo de colaborar,
    com este meu Pais, que foi o “Pais do futuro”.
    Perdão se erros, cometi, já os peço antecipadamente.
    Fique em paz a todos.
    Caliman

  4. Ah, o entendimento é simples. O joãozinho acredita em tudo, pela pouca idade ainda não raciocina.
    Então um frustrado que nunca conseguiu ganhar o dinheiro que acha ter direito, diz a criança que se o vizinho não fosse rico seu pai não seria pobre.
    Haveria a chamada justiça social.
    Ai o Joãozinho passa a sua juventude querendo dividir os bens alheios.
    Com o tempo ele vê que terá que lutar ´para conseguir alguma coisa. E consegue.
    Só que em fase mais adiantada da vida, depois de ter suas “coisinhas”, deixa de ser socialista.
    Dividir o que é meu, nem pensar.
    Assim se torna um “burgues,”
    Velho e adepto do socialismo, só aqueles que nunca conseguiram formar um “capitalzinho”,
    continuam querendo o que é alheio.

    • Claro se escola aumentasse o QI, Cuba , Korea do Norte, Russia teriam os melhores cientistas, escritores, cineastas, os melhores remédios , alguém já usou um remédio, ou eletrodoméstico russo, cubano, ou norte- coreano ? Claro que não.

  5. Gozado, quem mais leva essa proposta a frente é i Instituto Von Mises, liberalismo não é ideologia ?
    kkkkaaaaass

    Querem passar uma visão única do mundo dos 4.000 ‘seguidores’ desse Instituto….

    Quero dar aulas de Candomblé !

  6. Dica de livro: semanalmente o assunto está em pauta neste “blog incomparável” (definição do Bendl).

    Sugiro: “Socialismo e Espiritismo”, do filósofo francês Léon Denis (1846-1927), editora CELD.

    A proposta dele é que Socialismo é sinônimo de Altruísmo. Uma sociedade mais cristã tendo como base o Sermão da Montanha, de Jesus.

    Quando Cristo compartilhou os pães e os peixes com a multidão foi um sinal de Socialismo Saudável.

    Mas o ser humano … estragou …

  7. Até um dos colégios mais tradicional e conservador de São Paulo, o Bandeirantes, está contra esse ridículo Index Prohibitorum , pois entre outras coisas ele prega até a delação anônima, ápice da falta de caráter humano.
    O Bandeirantes é tão conservador, que quando lá estudei no final da década de 70, havia um delegado do Dops entre os seus diretores.

  8. Sem partido, mas o Sachsida é um bolsonete, o mesmo Bolsonaro que se reformou do Exército devido a Operação Beco Sem Saída, que previa atentados para aumentar os salários dos capitães….

    Em outra postagem, Sachsida diz ser “estranha” a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de tornar réu o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) por prática de apologia ao crime de estupro e por injúria. O deputado afirmou à deputada Maria do Rosário (PT-RS) que não a estupraria porque ela “não merece”. “Pode-se achar a frase acima de mau gosto, pode-se achá-la inconveniente, mas daí a dizer que a mesma se configura em apologia ao crime é de um absurdo incrível. Onde está a apologia ao crime?”, afirmou Sachsida.

  9. Hehe, sempre indo pelo lado da baixaria.
    E, de boa, tenho uma vidinha muito boa.
    E é vidinha mesmo. Bem tranquilo. Cuidando de minhas coisas, sem agredir as pessoas. Quando divirjo de opinião coloco argumentos, não agressão.
    Abraço e vê se cria um blog e para de perturbar e agredir todos que pensam diferentes.
    “Agredir quem pensa diferente”. Qual é o nome disso mesmo.

  10. Sr. Carlos Newton

    Quando o editor e mediador deste Blog vai expulsar esse imbecil daqui e bloquear os seus comentários idiotas.?

    Este cidadão nada acrescenta e deve estar afugentando os leitores interessados nos excelentes assuntos que para cá são trazidos e que deveriam ter melhores conteúdos e não esse monte de bobagens que insistentemente este personagem insiste em poluir a TI.

    • Mordedor, esta blog é livre, qualquer um opina. Não expulso nenhum comentarista, e você não deve considerar ninguém imbecil nem classificar de idiotas os comentários dos outros.
      Você o ofendeu e só não deletei a ofensa para poder lhe responder. Além do mais, ele assina seu nome verdadeiro e obedece à Constituição, que em seu artigo 5º coibe o anonimato.

      Atenciosamente,

      Carlos Newton

      • Estranho, para ofender precisa usar termos como “idiota”? O sujeito ofende todos que discorda. Um horror. Ofendeu o autor do artigo. Uma lástima. Pode reparar que os comentaristas estão indo embora como vi um post esses dias de um leitor e colaborador do site. Cuide, senão ele acaba com todo o seu esforço e trabalho.

        • Em tempo: só coloquei isso aqui em respeito a você, Carlos Newton. Temos visões diferentes, respeito o seu mérito, sua paciência e, embora sem conhece-lo, sua integridade.
          Abraço e toma cuidado antes que ele acabe com o site.

          • É uma possibilidade forte, Luchetta. Minha mulher e minha filha querem que eu acabe com o blog e volte a trabalhar na grande mídia. A essa hora, por exemplo, estou arrebentado.

            Abs.

            CN

  11. Vejo Escola Sem Partido como o direito que o jovem em formação tem de não ser orientado por uma só ideologia, seja ela de direita ou de esquerda.
    A partir disso implantado, os alunos e pais orientados, a fiscalização virá por parte destes, que juntamente com o corpo diretivo da escola vai tomar as medidas cabíveis.
    Não é assim que está acontecendo com o bulling, com o racismo?
    Todo professor pode, e acho que até deva ter suas tendências e visão política, o que não se quer, se entendi o projeto, é que a sala de aula sirva de palanque para as suas convicções, que são suas e não a verdade absoluta.

  12. Só complementando: as convicções do professor são deles e não verdades absolutas, mas que para uma mente jovem, ainda em formação, podem sim tomar a dimensão de verdades absolutas.

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