A sombra do anarquismo

Carlos Chagas

A presidente Dilma deve viajar hoje para a Base Militar de Aratu, onde, junto com a família, aproveitará o mar e a privacidade até 10 de janeiro. É evidente que a maioria do ministério faz a mesma coisa. Estando o Congresso, os tribunais superiores e os tribunais estaduais de Justiça também de recesso até fevereiro, a conclusão é de que o pais formal anda devagar, quase parando. Nada mais natural, já que cada trabalhador brasileiro dispõe de 30 dias de férias anuais, claro que jamais todos ao mesmo tempo.

O singular é a paralisação dos principais agentes federais do Estado a um só tempo. Estaduais e municipais provavelmente também. O Brasil real não parou nem vai parar, servindo esse interregno para a comprovação, algum dia no futuro, de estar parte da razão com Proudhon, Bakunin e seus seguidores. Algum dia a Humanidade conseguirá viver sem a presença do Estado, sem governos, em plena paz e felicidade, ainda que o rótulo de Anarquismo pareça um tanto chocante, assim como as ações de seus criadores no final do Século XIX.

Porque, convenhamos, governo e Estado só não atrapalham mais do que os ambiciosos, os corruptos, os presunçosos, os bandidos e os malandros. Por causa deles é que ainda por alguns séculos precisaremos conviver com instrumentos de força e de coação. Mas não deixa de ser fascinante essa temporária ausência das cúpulas do Executivo, Legislativo e Judiciário.

Só saberemos depois de transcorridos os próximos quinze dias. Se nada de gravemente ruim acontecer, quem sabe o Brasil terá dado mais uma lição para o mundo?

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EM BUSCA DA IMUNIDADE

Para quem estranha a sofreguidão com que Jader Barbalho busca tomar posse no Senado, evento marcado para amanhã, em pleno recesso, vai a explicação. Não é por conta de receber os vencimentos do mês de janeiro, mais a ajuda de custo paga a todos os senadores no início do ano. Muitíssimo bem de vida, o ex-governador não necessita desses recursos. A insistência em incluir-se no Congresso corre por conta da importância de blindar-se com a armadura da imunidade parlamentar. A partir de amanhã, processos porventura abertos contra ele seguirão trâmites jurídicos especiais. O Senado disporá da prerrogativa de sustar qualquer ação que o incomode. Pelo menos até 2018, caso Jader não renuncie pela segunda vez em 2014, então para candidatar-se a governador do Pará, se for eleito.

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CUIDADO COM A RETAGUARDA

Parece fora de dúvidas a substituição de Fernando Haddad, na Educação, por Aloísio Mercadante, hoje na Ciência e Tecnologia. A decisão da presidente Dilma estaria tomada. Só que deveria o privilegiado ministro tomar cuidado. Por haver caído nas boas graças da chefe do governo, despertou seus contrários.

No PT há quem procure torpedear a alteração, e não se trata apenas da senadora Martha Suplicy. Tem gente com mais influência. Não terá sido por acaso que plantaram nos jornais do fim de semana a hipótese de que, no caso do Lula e de Dilma recusarem a eleição presidencial de 2014, o candidato já estaria escolhido: seria Mercadante. Para queimá-lo, nada melhor do que essa intriga…

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A BOLA DA VEZ

Por falar em queimação, a bola da vez no PSDB parece o senador Aécio Neves. Depois da consagração que recebeu em Goiânia, quando do Congresso da Juventude Tucana, figuras do Grão-Tucanato torceram o nariz. Não afastam a possibilidade de o ex-governador de Minas vir a ser o candidato presidencial, mas querem reverências. Exigem que ele vá a Canossa, perdão, a São Paulo, ficando na chuva e no sereno até receber a unção definitiva. Por isso aventam a terceira candidatura de José Serra, outro que pode estar sendo usado.

Tucanagem continua sinônimo de sacanagem…

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