A técnica, o passe e o drible

12Tostão
O Tempo

O futebol, sem saber quando isso começou, tornou-se, progressivamente, mais científico, estratégico, coletivo, físico (pela velocidade e intensidade, e não pelo contato corporal), mais técnico e menos habilidoso. O jogo coletivo é também bonito. O talento é a soma, a síntese, da habilidade, da técnica, da criatividade e de adequadas condições funcionais e emocionais, em proporções variáveis para cada jogador. A técnica é hoje a base de tudo. Não existem craques sem técnica, mesmo se forem muito habilidosos.

No passado, predominava a habilidade. Agora, é a técnica, individual e coletiva, de fazer as escolhas corretas durante a partida e de executar, com precisão, o que foi planejado. Existe um chavão de que o jogador brasileiro é diferente, pela habilidade, fantasia e improvisação. Mas temos formado menos jogadores habilidosos e, principalmente, menos técnicos. A técnica pode ser aprendida e/ou aprimorada. O que os garotos treinam nas categorias de base? Aprendem a ganhar dinheiro? O Corinthians é um time mais técnico, e o São Paulo, mais habilidoso. Prevaleceu a técnica.

Na quarta-feira, o São Paulo foi anárquico. O Corinthians repetiu a estratégia das grandes equipes do mundo e da época em que foi campeão mundial, ao alternar a pressão em quem está com a bola com o recuo para formar duas linhas de quatro, de dar inveja aos ingleses, para, depois, contra-atacar.

ESTREIA DE LUCAS SILVA

Lucas Silva, volante essencialmente técnico, estreou, como titular do Real Madrid, contra Schalke 04. Foi uma atuação correta. Ele não foi brilhante, mas se posicionou muito bem e não errou passe, o que é habitual. Não tentou dar passes impossíveis nem para o companheiro marcado. Isso também é importante. Os grandes volantes esperam, às vezes, durante toda uma partida, sem conseguir uma chance de dar um passe decisivo. Quando isso não ocorre, trocam passes, para não perder a posse de bola.

Lucas Silva terá de aprender, como Kroos, ao seu lado, a tocar mais rápido, com os dois pés, sem precisar dominar a bola. Isso evita que o adversário volte para marcar. O drible é também essencial, mas, nas grandes equipes, são reservados aos excepcionais atacantes, próximos da área. Assim como o drible é símbolo da habilidade e do talento individual, o passe é símbolo da técnica e do jogo coletivo. A principal razão da queda de nosso futebol foi a desvalorização do passe. Falta o ritmo alucinante de alguns times sul-americanos, quando atuam em casa, empurrados pela torcida.

A técnica é essencial no futebol e em qualquer atividade. Não existe arte sem técnica. O grande pintor abstrato Jackson Pollock era uma exceção, ao jogar a tinta, aleatoriamente, na tela, como se fosse uma explosão do inconsciente. Adoro suas pinturas. Mas um estudo científico mostrou que não era bem assim. Ele tinha também sua técnica. Fiquei decepcionado.

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