A Teoria da Libertação no fim do churrasco


Carlos Chagas

A presidente Dilma viajou para Nova York preocupada com o discurso que fará nas Nações Unidas,  mas levando uma questão de política interna de repercussão  tão profunda quanto a referente à espionagem dos Estados Unidos contra o Brasil. Foi aconselhada a aproveitar o desembarque do Partido Socialista de seu governo para iniciar sob nova orientação a reforma do ministério, que completará no começo do  próximo ano.

O governador Eduardo Campos, em função de sua candidatura presidencial, decidiu entregar o ministério da Integração Nacional e a secretaria dos Portos. Há dias que Brasília anda em ebulição por conta do preenchimento dessas duas vagas. O PMDB afiou presas e garras na presunção de indicar os novos ministros. Aliás,  indicar, não. Ocupar. Tomar de assalto mais essas gordas fatias de poder, sequer levando em consideração as concepções e os interesses da presidente.

Depois de baterem cabeça na disputa por espaços que não lhes pertencem, os dirigentes do partido acertaram-se e decidiram impor  o senador Vital do Rego para o ministério da Integração Nacional, em substituição a Fernando Bezerra. Por quê? Porque dispõem de capitanias hereditárias, sem maiores considerações com o fato de que deveria ser a presidente da República  a escolher  seus ministros. Por trás dessa presunção, é claro, está a reeleição, quer dizer, “ou ela faz o que mandamos ou o risco será de perder o apoio do PMDB”…

A sugestão que chegou a Dilma  é de aproveitar o episódio para ir começando a se livrar dessa tutela descabida dos partidos. Nomear quem ela quiser, de acordo com critérios  de eficiência. Dar início à sua particular teoria da libertação, mesmo diante do perigo  de desagradar parte da base  que a sustenta no Congresso. Afinal, quem tem mais a perder, se o PMDB  não abocanhar  um  novo filé? Se engrossar, o partido poderá perder a picanha, o acem e  as costelas, valendo o mesmo para as demais legendas empenhadas nesse churrasco de penetras e bicões.

Há problemas, claro. Quem maneja os espetos e controla o carvão é o Lula, capaz de não gostar, assim como ficarão com fome o PDT, o PR, o PTB e penduricalhos, quem sabe o próprio PT, se a libertação for ampla. A oportunidade se abre,  envolvendo riscos mas abrindo excepcional perspectiva para Dilma libertar-se.

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3 thoughts on “A Teoria da Libertação no fim do churrasco

  1. Na realidade quem precisa da verdadeira libertação é o povo brasileiro.
    Não precisamos de tantos políticos, tantos ministérios, tantos impostos… e tão pouca eficiência e eficácia.
    Por falar em impostos… Eles são sempre em cascata. Imagine a compra de um carro.
    Um valor absurdo é pago o que faz com que aqui um veículo seja muito mais caro que na maioria dos países. Quando você vai pagar o famigerado imposto estadual chamado ipva, que no caso do sofrido estado do rio é cobrado pela maior alíquota – 4% do valor do veiculo – o mesmo é cobrado pelo “valor” do mesmo, ou seja custos de produção e venda mias lucros e impostos.
    E isso é só um exemplo. Pense e você verá que é assim em todos os casos de cobrança de impostos.
    Por isso tantos se juntam em matilhas com o intuito de roubar aquilo que foi extorquido do povo!
    Como, pelo menos em teoria, os lobos também fazem parte do povo, nada mais justo!
    Enquanto isso, hospitais, infraestrutura, educação e outros pormenores continuam como o povo, ou seja, se lascando!
    Se queremos mudanças para nossos netos, e posteriores gerações, já é hora de mudar!

  2. Com o nosso Sistema Político vigente, Presidência de Coalizão, etc, se nossa Presidenta “se Libertar dos Partidos” e Governar exclusivamente por critérios de MERITOCRACIA, prevejo que para a re-Eleição não teria Votação nem para se eleger Vereadora de São Paulo-SP. Para isso temos que mudar para MELHOR nosso Sistema Político. É possível. Abrs.

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