A vantagem oculta para Marta Suplicy

Carlos Chagas

Parece bem mais profundo o acordo da presidente Dilma com a senadora Marta, ou seja, não se trata apenas da troca do apoio da ex-prefeita à candidatura Haddad pelo ministério da Cultura, aliás, inexpressiva. No fundo da barganha está a eleição para governador de São Paulo, em 2014. Ao assumir o lugar de Ana de Holanda, hoje, Marta transforma-se em candidata ao palácio dos Bandeirantes, daqui a dois anos. Claro que o ministro da Educação, Aloísio Mercadante, não gostou.

A influência de Marta na atual sucessão paulistana vale pelo seu afastamento. No governo, ela deixa de ser aquele ferrinho de dentista que vinha sendo na campanha de Haddad. Votos, mesmo, para o candidato do Lula, não trará muitos. Apenas, afasta-se da constrangedora situação de pretendente garfada por obra e graça do primeiro companheiro. Claro que poderá comparecer a um palanque ou a duas carreatas, mas não haverá um único eleitor da capital capaz de acreditar na sinceridade desse apoio. Apenas, escanteada para um ministério difícil, terá motivos e pretextos para saltar de banda da campanha.

Agora, só por esse resultado a senadora não se animaria a aceitar o convite para tornar-se ministra. É vice-presidente do Senado e no caso de um improvável bate-cabeça entre o PMDB e o PT, seria candidata ao lugar de José Sarney, mesmo com poucas chances de bater Renan Calheiros. Torna-se necessário prospectar o algo mais que a fez integrar o ministério. Trata-se da futura disputa pelo governo de São Paulo. Essa a vantagem oculta na operação concluída esta semana.

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A MAIOR PRIORIDADE DE TODAS

Nada haverá a opor às múltiplas iniciativas adotadas pela presidente Dilma nos diversos setores de atuação governamental. Redução das tarifas de energia elétrica e de impostos, definição de obras públicas essenciais, programas de assistência social, resistência a aumento no preço da gasolina, negociação da dívida dos estados e quanta coisa a mais?

Falta, no entanto, a pedra de toque, o tijolo de sustentação de toda a obra do atual governo, sem a qual tudo o mais corre o risco de virar fumaça. Trata-se da segurança pública. Jamais o país viveu igual período de insegurança individual. Chacinas acontecem todos os dias, como a última, agora, no subúrbio de Mesquita, no Rio. Mas quantas outras em São Paulo, Recife e Porto Alegre, sem falar no interior? Assassinatos, assaltos, seqüestros, execuções, violações, estupros e similares ocupam a maior parte do noticiário dos telejornais e inundam a imprensa escrita.

O cidadão comum teme sair às ruas, ainda que também sofra ficando em casa, por conta da audácia da bandidagem. Importa menos lembrar que a segurança pública é questão da alçada estadual e municipal, porque não é. O poder federal tem tanta ou maior obrigação de atentar para esse festival de violência que assola a sociedade. De agir imediatamente, mobilizando todas as forças de que puder dispor. Até as armadas.

Adianta muito pouco o diagnóstico de que apenas com a educação, ou mesmo com a imediata criação de novos empregos, o Brasil conseguirá livrar-se dessa epidemia. O tempo de enfrentá-la é agora, e o lugar, aqui. Cabe aos poderes da União conscientizar-se de que sem uma ação imediata o risco será da desagregação de nossas instituições. Estamos a um passo do retorno aos tempos em que cada um fazia justiça pelas próprias mãos. “Armai-vos uns aos outros” é conselho que volta a circular pelo território nacional.

Torna-se necessário um programa amplo de combate à criminalidade, sem contemplação. A democracia precisa ser forte a ponto de evitar que seja desmontada.

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