A verdadeira histria de Arraes e Francisco Julio. O primeiro, servindo a si mesmo no exlio dourado. O segundo, s coletividade, sem qualquer mordomia

Francisco Julio,
grande brasileiro.
nada a ver com Arraes

Valdir Stdile
Hlio, fao votos que a candidatura do Governador Requio Presidncia da Repblica seja vitoriosa, pois um poltico preparado, corajoso e que tem condies de acabar com a bandalheira que tomou conta do Brasil. uma alternativa vlida, para destruir a malfadada e antidemocrtica bipolarizao que Lula pretende impor.

O PDT tambm deve lanar candidato, como voc diz, no primeiro turno, todos os partidos deveriam apresentar nomes. No segundo turno ento estudariam a melhor proposta para o pas, pois s disputam os dois primeiros.

A respeito das tuas notas sobre Arraes e Francisco Julio, tive a honra de conhecer o Lder das Ligas Camponesas, Dr. Francisco Julio, um dos maiores brasileiros do sculo passado. Participei com ele de algumas reunies e organizei no Paran uma palestra na Casa do Estudante Universitrio. Essa palestra serviria para a apresentao de Francisco Julio. S que o Reitor vetou a reunio, com o vil argumento de que “um comunista no podia falar para universitrios.

Mais tarde, na casa de uma sua filha, Dona Anatilde, doutor Julio nos confidenciava suas decepes com Arraes. E contou que ARRAES, JUNTO COM OUTROS, TRAMOU PARA QUE BRIZOLA NO VOLTASSE DO EXLIO. Essa a Histria, Helio.

Comentrio de Helio Fernandes
Excelente, Stdile, as informaes e as opinies sobre os dois assuntos. depoimento de quem participou, se envolveu, no fugiu de coisa alguma. Vejamos, em primeiro lugar, (temos que comear de alguma forma) a candidatura prpria dos partidos. O PMDB que dizia que a maioria no quer um candidato, por isso no temos quem queira se apresentar, agora perdeu a desculpa. Est a o governador Requio, deixando o cargo pela terceira vez, tem voto, coragem, vontade e desprendimento.

Poderia cuidar apenas dos seus prprios interesses, voltar para o Senado, mais 8 anos de vida garantida. Tambm, no um iniciante como presidencivel, em 1994 tentava obrigar o PMDB a ter candidato, a cpula era praticamente a mesma, no houve chance. Eleito senador, insistia em 1998, quem conseguiria convencer a esses aproveitadores a se arriscarem, j que a lei no obriga (devia obrigar) candidatura presidencial?

Voc fala pelo PDT, o partido que foi de Brizola, e que ele comeou a fundar quando perdeu o PTB. Por causa da interferncia de Golbery, que cooptou Dona Ivete, e entregou a ela o PTB. E assim, tratando dessa dupla traio, entramos no segundo episdio, mais traio e novamente contra Brizola. Que sempre soube de tudo, e no aceitava Arraes de modo algum. Dizia: Ele no tem nada a ver com a minha histria. Era verdade.

Fui muito amigo de Julio, nunca, nem uma vez que fosse, falei com Miguel Arraes. Podem dizer que os 15 anos em que fiquei no Brasil e Arraes e Julio foram para o exterior, criaram uma barreira de relacionamento intransponvel. Mas antes disso, tivemos outros 15 anos de participao, (antes do golpe) fiquei muito amigo de Julio e jamais quis me aproximar de Arraes.

O depois governador de Pernambuco vrias vezes, no admitia concorrncia com a liderana de Julio. Quando este criou as Ligas Camponesas, Arraes j governador, montou o que chamou de Sindicato Rural. Visvel, ostensiva e perseguidora ao contra Julio. Este, desprendido, generoso, construtivo, no protestou, continuou na luta, s muito mais tarde revelou a trama contra a coletividade, na verdade um golpe contra os que no o apoiavam.

O que voc conta no final do post, Stdile, revelao de Julio, era do conhecimento de Brizola h muito tempo. O governador do Rio Grande do Sul e da Guanabara costumava fazer comparao com o comportamento da ditadura, em relao a ele, Brizola e na proteo, (como ele dizia) a Arraes.

Brizola, textual, nas suas conversas que no paravam nunca: A ditadura deixou Arraes escolher para onde ir, eu tive que fugir para Montevidu, ou seria assassinado. Totalmente verdade. E continuando: Dias depois de chegar a Montevidu, a ditadura pediu o meu INTERNAMENTO numa praia deserta, longe da capital.

E insistia, a no que era pblico e notrio: Arraes teve um asilo maravilhoso, tendo a Arglia sua disposio, amigo do ditador comunista, passava fins de semana em Paris e em outros lugares praticamente vizinhos.

Sofri na carne o fato de ser oposio mesmo, fomos governadores, (Arraes tambm), mas sem dilogo, no podia esquecer das manobras dele contra mim. Brizola gostava de informao, no havia nada, em matria de poltica, que desconhecesse. No espalhava nem admitia intrigas, mas tomava conhecimento do que se passava nos bastidores.

Todos respeitavam Brizola, ningum ou poucos se aproximavam de Arraes. Vejam o que Brizola realizou, principalmente no Rio Grande do Sul. Em Pernambuco, Arraes foi o Campeo Mundial do NADA.

* * *

PS – A ltima vez que vi Julio, na inaugurao da Linha Vermelha. Fui com Brizola, ele fez questo de convidar o fundador das Ligas Camponesas, no admitia de maneira alguma, que algum protocolo, botasse o nome de Arraes. Se colocassem, ele tiraria, muito justamente.

PS 2 Eu e Julio trocamos longo e emocionado abrao. Como demorasse a inaugurao, (o atraso foi inexplicvel, Brizola cobrava muito), ali no asfalto, em p, ns trs, em algumas horas, bastaria que tivssemos a conversa gravada e poderamos editar um livro de Histria. Vivida, sofrida, escolhida pela convico de cada um.

PS 3 Se fosse um livro individual, poderia ter o mesmo ttulo que Pablo Neruda colocou no seu: Confesso que vivi.

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