A vida e a história

Sebastião Nery

Peres do Amazonas são cidadãos ilustres, jornalistas, escritores, professores, advogados, vêm de bem longe e sempre tiveram uma relação trágica com a vida e a história. O primeiro Peres era líder republicano no fim da Monarquia. Preso, estava mofando na cadeia quando, de manhã cedo, ouviu a multidão gritando seu nome nas ruas e invadindo a prisão. Chamou o carcereiro:

– O que é isso? Vão me linchar? Tire-me daqui logo. Deve ser essa Monarquia apodrecida querendo vingar-se mais uma vez de mim.

Não era. A multidão invadiu sua cela e o levou em triunfo para assumir o governo da província. A República tinha sido proclamada há um mês e só chegara a Manaus naquela manhã. De canoa.

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OS PERES

Jefferson Peres, o pequeno-grande, valente e exemplar senador que em 2008 morreu de repente em Manaus, era jornalista, escritor, professor, advogado, com pós-graduação em política pelo ISEB e em administração pública pela Fundação Getulio Vargas.

O tio de Jefferson, Leopoldo Peres, também jornalista e escritor (fundou a Associação Amazonense de Imprensa e foi secretário da Academia Amazonense de Letras), professor de português e literatura, advogado, foi constituinte do Amazonas em 1934. Em 45, elegeu-se para a Assembléia Nacional Constituinte (PSD).

No dia 26 de novembro de 48, estava relatando um projeto na Comissão de Justiça da Câmara Federal quando caiu duro. Morreu na hora.

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OS LEOPOLDOS

Leopoldo Peres, sobrinho do deputado Leopoldo e irmão mais velho de Jefferson, também foi jornalista, professor, escritor e advogado, secretário de Educação e Cultura do Estado e em 62 se elegeu deputado federal (PSD). Em 66, reelegeu-se pela Arena, que presidiu no Amazonas.

Em 82, Leopoldo Peres disputou o Senado (Arena) e ficou como primeiro suplente de Fabio Lucena (PMDB). Em 86, Lucena renunciou aos últimos quatro anos do mandato, voltou a disputar o Senado e novamente se elegeu.

No dia 14 de junho de 87, numa crise de depressão, suicidou-se. Leopoldo virou titular e Aureo Melo, segundo suplente de Lucena, assumiu. Como diria Octavio Mangabeira, o saudoso e bravo Jefferson Peres, que tão de repente se foi, tinha precedentes. Na vida e na história.

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OS SILVAS

Eles custaram mais caro do que todo o trono da Inglaterra custa ao Reino Unido. Na “Folha”, em 2008, Leonardo Souza e Ranier Bragon contaram:

1 – “O PT bancou, com recursos públicos do Fundo Partidário, uma cobertura usada por familiares do presidente Lula, em São Bernardo do Campo, no condomínio Hill Hause. O imóvel, de nº 121 (186 m2 de área útil), é no mesmo andar e fica de frente para a cobertura 122, comprada por Lula em 1996. E não foi justificada pelo partido a utilização e finalidade em área residencial”.

2 – “O Palácio do Planalto confirmou que o apartamento era freqüentado `por pessoas da relação de Lula’ e que o PT bancou os custos do imóvel de 2003 a 2007, e admitiu que familiares do presidente podem (sic) ter pernoitado eventualmente no imóvel, mas nunca foi moradia fixa de nenhum parente do presidente”.

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AS COBERTURAS

3 – “Depois, o apartamento foi bancado pela presidência da República sob o argumento de que isso `preenche necessidade de segurança (sic) de Lula’. Os funcionários do Hill Hause contaram que os filhos de Lula usam bastante a cobertura 121. Testemunharam vários pedidos de entrega no apartamento, como pizzas e pastéis”.

– “Os funcionários do prédio ouvidos pela `Folha’ disseram que os seguranças ficavam numa sala no térreo do edifício. Reiteraram que são os familiares do presidente que usam a segunda cobertura”. A culpa é da tal da República. Monarquia seria muito mais barato.

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A TRINDADE

No Brasil, se você não tem informações exatas e está em dúvida sobre determinadas propostas, medidas ou decisões públicas, há uma receita perfeita para não errar: procure saber o que algumas pessoas pensam delas. Se forem a favor, não hesite: fique contra, porque não presta. E, se elas forem contra, pode apoiar porque você acaba acertando.

Não sei bem aonde o ministro Mantega, da Fazenda, quer chegar com o tal Fundo Soberano. É preciso dar um tempo para as coisas ficarem mais claras. Mas, logo de saída, atenção: o Henrique Meirelles, ex do Banco Central, e o Maílson da Nóbrega, ex de todos os governos, estão contra. Logo, o Fundo Soberano deve ser “mais melhor do que pior”.

E ainda há a terceira, a Miriam Leitão, cuja opinião ainda não li. Se também ela estiver contra, aí não restará mais dúvida. Fique a favor. É uma trindade que jamais falha. Sempre contra o País.

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