A violência irracional dos black blocs

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Kiko Nogueira (Diário do Centro do Mundo)

O protesto, na noite de quinta-feira, era contra os governadores Geraldo Alckmin e Sérgio Cabral. Também se reclamavam providências sobre o caso do desaparecimento do pedreiro Amarildo. Partiram da prefeitura de São Paulo.

“O que vocês estão fazendo em frente à prefeitura, se o problema é com o governo?”, pergunto a Joaquim Félix.

“É tudo a mesma coisa”, ele responde. “Espero que corra tudo na boa. Só não sei como vai ser quando chegarem os caras do black blocs”.

Perto de 300 pessoas subiram a Brigadeiro Luís Antônio em direção à Paulista. Tudo corria bem. E então começaram os tumultos. Os black blocs estavam na área. Alguns grupos atacaram farmácias e bancos. A PM reagiu. Pancadaria. Uma senhora é atingida por uma pedra. Um motoqueiro da Bandeirantes é atacado.

“O que vocês estão querendo?”, pergunto a um dos homens de capuz e lenço pretos, só os olhos descobertos.

“A gente quer quebrar, a gente quer chamar a atenção do Brasil para acabar a corrupção”, disse.

Muros foram pichados, assim como um ônibus. Mais tarde, algumas pessoas foram para a frente do 78º DP, nos Jardins, pedir a saída de oito manifestantes que foram detidos por depredar uma filial da Drogaria Onofre.

QUEBRA-QUEBRA

O quebra-quebra das manifestações tem sido obra dos adeptos do Black Blocs, nome de uma estratégia de manifestação em que mascarados vestidos de preto partem para cima de, em tese, símbolos do capitalismo e da autoridade. Definem-se como anarquistas.

Diz um texto de apresentação numa página do Facebook, retirado de um verbete da Wikipedia: “As roupas e máscaras negras que dão nome à estratégia são usadas para dificultar ou mesmo impedir qualquer tipo de identificação, também com a finalidade de parecer uma única massa imensa, promovendo solidariedade entre seus participantes e criando uma clara presença revolucionária”.

Na Alemanha, onde surgiram nos anos 90, atuavam contra a globalização destruindo filiais do McDonald’s, Starbuck’s etc. Estão no mundo inteiro, inclusive nas ruas do Egito pós-golpe.

A página dos Black Blocs-SP tem posts contra o “propinoduto tucano” e o Foro de São Paulo (o encontro das esquerdas latino-americanas). No Rio de Janeiro, no início desta semana, invadiram a Câmara do Rio e detonaram janelas, um busto na entrada e um quadro.

“Não se faz revolução sem violência”,  me disse o mascarado. “A burguesia tem de morrer”. Ele mora em Pinheiros, num apartamento de quatro quartos, com a mãe, a irmã e o irmão. Cursa publicidade e gosta da “zoeira”.

DEFINIÇÕES

O site Urban Dictionary algumas definições dos black blocs:

1. Um bando de idiotas que pensam que sendo violentos vão impedir a polícia de ser “brutal”

2. Encrenqueiros de direita e skinheads que se passam por anarquistas para destruir coisas em protestos a fim de justificar a repressão policial,  com praticamente a mesma agenda política dos ‘camisas negras’ e ‘camisas pardas’ da década de 30.

Se os black blocs fossem mesmo bons, eles fariam suas coisas por conta própria, e não durante manifestações pacíficas.

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5 thoughts on “A violência irracional dos black blocs

  1. Muito preocupante

    Existe um quadro no Brasil, inegavelmente obscuro e ameaçador, principalmente, à nossa recente democracia, decorrente das incontidas cenas desencadeadas por livres baderneiros e saqueadores. Os reais fundamentos desses tristes e vergonhosos espetáculos, nada condizentes com o livre direito de manifestações, aguardam esclarecimentos. Entretanto, por incrível que pareça, os bons jornalistas, independentes e de coragem, optaram continuar fingindo nada perceber do que realmente estaria por detrás desses frequentes incidentes, de cenário comum, principalmente em São Paulo e Rio de Janeiro, justamente onde se localizam os maiores e mais importante centros econômicos e financeiros do Brasil e da América Latina.

    É muito claro que não seria possível realizar todas essas súbitas e sincronizadas manifestações, de inicio por todo o Brasil, sem um comando central muito bem estruturado e forte. Não seria possível por nas ruas tamanha quantidade de jovens de classe média, bem nutridos, despreocupados, despolitizados, reivindicando centavos e combate a muito velha gigantesca corrupção. E no contraditório, bandos de mascarados cometendo impensáveis atos de vandalismos contra prédios públicos e privados, inclusive, destruindo históricas obras de arte. Incontidas quebradeiras de agências de bancos e de concessionarias de veículos, saques de lojas, etc. Tudo, totalmente livres e impunes, bem na frente da polícia e da grande “mídia livre”. Ambos, tomados de inexplicáveis condescendências e vergonhosa tolerância. Por mais um pouco, seriam capazes de abertas aprovações. Estranho demais para ser verdade.

    Junto com esses tristes espetáculos, outros tantos episódios e comportamentos divulgados, envolvendo lideranças políticas, sindicais, inclusive, diversas invasões e impedimentos ocorridos nos canteiros de obras de vitais hidrelétricas, que juntando tudo, leva a crer, possíveis deliberadas sabotagens contra a economia do Brasil. Dado a gravidade de semelhante possibilidade, somado ao quadro geral econômico mundial, há que indagar se a CIA estaria por detrás dessas ocorrências. Se já estão, então, a “primavera da América Latina” já está em pleno movimento, iniciada pela “primavera brasileira”. Pelo que é divulgado, a CIA estaria sempre presente nas “primavera árabe”.

    Tendo em conta as grandes ameaças decorrentes da fragilidade geral causada pela gigantesca crise econômica mundial, desde 2008, toda prudência é pouca. Sem paranoias, o tema é sério demais para passar ao largo de gente inteligente e nacionalista, principalmente, das grandes e honrosas instituições brasileiras que sempre estiveram em defesa do Brasil e da democracia, como OAB, ABI, CNBB, e outras mais. É preciso esclarecer tudo enquanto há tempo. Amanhã poderá ser tarde demais. Aqui não será diferente do que vem ocorrendo no Oriente Médio. Muita tragédia, sangue e massivas destruições virão, caso esteja em andamento a “primavera brasileira”. Mais ainda, por cota de nossas siderais riquezas, poderá acontecer, até mesmo, uma invasão militar dos EUA visando fragmentação e posse de parte de nosso território. Acorda, Brasil.

  2. As páginas do BB no face: https://www.facebook.com/BlackBlocRJ?fref=ts

    https://www.facebook.com/BlackBlocRJ2

    Bem, quem está se movimentando são os jovens da classe média/alta que sempre tiveram tudo de mão beijada. Então, deixem que eles, com menos de 30, anos se movimentem. EU que já com 36 anos na cara, que não tenho mais tempo. Como marido e depois li o senhor Hélio Fernandes ontem, em seu artigo, disseram (não com a mesmas palavras, claro!): ” “Um jovem tem que ser revolucionário até os 30 anos, se continuar revolucionário até mais tarde, alguma coisa está errada”.

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