A volta de Marina

Vittorio Medioli

As armações conseguiram anular a candidatura presidencial de Marina Silva. As comemorações em clubes privês, distantes de olhares indiscretos, corriam soltas desde a madrugada de quinta-feira, quando do indeferimento de registro do partido Rede. Caiu assim sobre os festeiros o balde que guardava o gelo do champanhe. Marina deverá ser vice de Eduardo Campos.

Soa quase como “vingança”. Barrada na porta do baile de 2014, pegará carona com alguém que já tinha ingresso quando lhe faltava o acompanhante.

Certamente não se justifica nesse primeiro momento imaginar-se numa vitória, mas sim numa grande surpresa. Uma mexida de mestre, altamente desfavorável à rainha Dilma e benfazeja para o pernambucano Eduardo Campos. Abala também a candidatura tucana, que da queda de Marina passaria a ser a opção contrária.

A filiação de Marina ao PSB, em virtude de sua posição nas últimas sondagens presidenciais, balança também o coreto em vários Estados, como Minas Gerais e São Paulo, os mais populosos do país e economicamente mais importantes. Reabre a necessidade de composição de alianças.

No campo de oposição, ou mais precisamente de rejeição ao PT – que sofreu um forte abalo ao longo do processo do mensalão –, reacende-se um clima que leva a considerar a união de várias tendências. Pois com uma economia desacelerada e capenga, e perspectivas internacionais sombrias, a reeleição de um candidato petista será posta à mais dura prova. Pesará ter perdido a oportunidade de reformar o cipoal fiscal, trabalhista e político que apenas era e se fazia possível com vento favorável.

INCÓGNITAS

Com céu denso de incógnitas, com contas e cofres públicos furados, ainda com a economia desacelerando e com setores produtivos enfraquecidos pelos castigos cambiais e tributários, o ambiente estará bem mais crítico e propenso para a mudança do quanto foi em 2006 e 2010.

Mudou também a opinião popular. Novos contingentes se aglutinam numa sociedade mais crítica, mais exigente, que mostrou sua força e capacidade de ocupar as ruas. O desejo de participar ativamente, de não mais aceitar o restrito menu político de sempre, paira aí como uma ameaça real às candidaturas tradicionais.

O impedimento a Marina, determinado nos bastidores da jurídico-burocracia brasiliense nos quais o lulopetismo hoje faz o que quer, acabou para facilitar um Eduardo Campos e dar uma turbinada a suas pretensões. Ganhar Marina no auge que está vivendo representa ganhar uma mina de votos.

Assim, o desgarrado pernambucano, que tinha razões para se queixar das intromissões desrespeitosas de Lula no Estado natal, apoiando candidaturas petistas sem consulta ao governador mais bem-avaliado do Nordeste, tem agora uma resposta. Mais: acrescida de juros e correções.

As pesquisas poderão mostrar que uma parte dos eleitores de Marina não a seguirá na união com Campos, mas também parte dos eleitores dos principais concorrentes poderá encontrar na junção Eduardo-Marina uma nova motivação.

EM MINAS

Em Belo Horizonte, já se imagina que o prefeito Marcio Lacerda (PSB) será forçado a disputar o governo de Minas desfazendo a recém-anunciada aliança com Aécio e os tucanos.

Também se cogitava que a candidatura de Lacerda seria outra moeda importante para se gastar num acerto com os tucanos. O PSB colocou a possibilidade de Aécio recuar de sua candidatura e focar o Palácio Tiradentes, assim como Geraldo Alckmin e Beto Richa se unirem a Campos numa ampla oposição.

Enfim, as variáveis levam à possibilidade de um quadro diferente da dicotomia dos últimos 24 anos entre PT e PSDB.

Minas será mais uma vez uma crucial encruzilhada presidencial. Campos promete montar acampamento em Minas e oferecer “qualquer coisa” para uma união especialmente em Estados como São Paulo, Minas e Paraná.

Pois é, tem-se a sensação, ainda quando ecoa a notícia, de que o impedimento da candidatura de Marina teria saído da culatra, criando um ambiente para alianças inusitadas das oposições.

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13 thoughts on “A volta de Marina

  1. Hum… Não sei hem! Pesquisas recentes apontam retomada de crescimento da popularidade da presidenta Dilma. Além disso, o escândalo do “mensalão” apareceu em 2003 se não me engano. Desde então o PT já ganhou duas eleições presidenciais. A respeito do “mensalão”,o STF já vem brilhantemente cumprindo seu papel. Penso que o que definirá o voto do eleitor em sua maioria, será a avaliação das possíveis propostas a serem apresentadas pelos candidatos de oposição que apontem para uma melhoria radical nas condições de vida da população até aqui beneficiadas pelas políticas públicas implementadas pelos governos do PT. O que francamente acho difícil, a julgar pelas composições que por hora estão sendo feitas no campo oposicionista e também pela própria conjuntura econômica apontada pela oposição. Aguardemos

  2. Parece que o partido de Marina é o PQVTC (Partido do Quero Vencer a Todo Custo). O mesmo de Eduardo Campos, como se vê, que com 5% de preferência popular pensa que tem alguma chance. O colunista se esqueceu de um pequeno grande detalhe: a popularidade da Presidente voltou a subir fortemente, e a recuperação da economia contribuirá ainda mais para isso. Felizmente a Marina não tem qualquer possibilidade, senão ela paralisaria todas as hidroelétricas do país, e voltaríamos à idade da pedra – o que é o desejo de muitos quinta-colunas neste país.

  3. Esse movimento de peças no tabuleiro do xadrez político foi um duro golpe contra Dilma, mas foi duríssimo contra Aécio. Sem penetrar no nordeste, com o PSDB-SP jogando contra e com essa chapa Marina-Campos, ficará difícil do eleitor “querer conversar” com ele. Se o “Tremsalão” ou o “mensalão mineiro” forem julgados em 2014, o PSDB irá pelo mesmo caminho do DEM, virar um nanico. Quanto a Marina, corre o risco de se queimar com as alianças de Campos. SE ele puxar Alckmin ou o próprio DEM (que não irá querer morrer abraçado ao PSDB), como ela explicará essas alianças ao seu eleitor progressista? Vamos ver como se comportarão E. Campos e Marina.

  4. Votaria em Eduardo Campos/Marina, votaria em qualquer oposição que tirasse esse desgoverno do poder.

    Se eles cumprirem a promessa de lutar contra o chavismo/bolivarianismo que assola a nossa América do Sul e reduz nossas repúblicas a ” das Bananas”…seria perfeito!

    Fora comunas, o verdadeiro atraso do mundo, já comprovado!… Se visitarem o museu do Muro, no Charles point, em Berlin… Ah!! As comoventes tentativas de fuga dos ex-alemães orientais do presídio comunista.

    Todo país que cerceia o direito de ir e vir de seu povo tem um governo que não presta.
    Todo país que censura a sua mídia não é digno de confiança por nenhum investidor, pois certamente manipula suas estatísticas.

  5. EM 23.03.2013, no jornal O Estado de São Paulo

    ‘Dilma, Aécio e Campos estão todos no mesmo diapasão’, afirma Marina Silva

    Para provável candidata à Presidência em 2014, governo Dilma não criou nenhuma ‘referência’ e segue agenda eleitoral

    Em meio a um périplo pelo País em busca das 500 mil assinaturas que possam viabilizar seu novo partido, a Rede Sustentabilidade, a ex-ministra do Meio Ambiente e senadora pelo PT do Acre concedeu entrevista exclusiva ao Estado. Incomodada com a antecipação do calendário eleitoral, Marina comparou Dilma aos principais pretendentes ao cargo – Aécio Neves (PSDB-MG) e Eduardo Campos (PSB-PE) -, e destacou a Rede como única alternativa ao sistema político atual.

  6. prefiro não entender de politica – mas o momento recomenda uma reflexão desapaixonada. Que tal Aécio com Marina de Vice e Campos para senador? Uma outra forma – a de Campos & Marina e Aécio por fora, vai fraccionar o eleitorado anti-Dilma e Lula.Pensem nisso.

  7. Formiguinha com 20 milhoes de votos na ultima eleicao presidencial? O que ela tem que explicar e como foi se aliar a outro vagabundo, gangster, criminoso, fantasiado de politco. Mais um bandido de carreira entre tantos das facções criminosas que nesse pais de merda se da o nome de partido politico. Esse sordido ta sendo investigado pela PF por causa de contratos de seu esquema de usurpacao dos cofres publicos, nesse pais de merda chamam isso de governo e esse gangster de governador. O nome da empresa cumplice e Ideia Digital. E a coisa nao muda nunca: vagabundo de comportamento criminoso de alta periculosidade disfarcado de governante se junta com vagabundo de comportamento criminoso de alta periculosidade camuflado como empresario, coordenam suas quadrilhas pra roubar o dinheiro do contribuinte otario. Isso sem falar que ele e sua quadrilha ja tinham roubado e muito os cofres de Pernambuco quando seu avo era Governador. PRECATORIAS!!!!!!

  8. Essa música surgiu nos primeiros anos da década de 60, de autoria do cantor e compositor belga Rocco Granata, e foi sucesso na versão em português na voz de Cauby Peixoto. Nada a ver com essa mocréia. Por favor.

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